experiências
06/02/2019
como descobri que gostava de escrever

A disciplina de Língua Portuguesa nunca foi a minha disciplina favorita. Sempre fui mais virada para as ciências e portanto na altura Físico-Química fazia de mim uma criança feliz. Vou deixar-vos mesmo aqui logo de começo um twist engraçado - quando entrei para o secundário afinal percebi que só gostava mesmo era de Química. A parte da Física deixava-me de cabelos em pé sempre que tinha que estudar. Voltando no tempo, eu era uma aluna mediana alta. Tirava boas notas mas não era a melhor aluna da turma, era interessada mas não ao ponto de participar ativamente nas aulas às perguntas feitas pelos professores. E ao contrário de muitas crianças, que gostavam de ir à escola, mas detestavam ir às aulas "porque era uma seca", eu era aquela que fugia à regra nesse sentido. Apesar de adorar os tempos livres dos intervalos e as horas infinitas que era o tempo de almoço para conviver com os amigos, também gostava igualmente de estudar e ir às aulas.
Sempre que um adulto nos perguntava se gostávamos de estudar todos negavam menos eu. Mas sempre achei que era normal, apesar de muitas das vezes me dizerem "Tu não és normal!". Tínhamos apenas gostos diferentes. Na minha cabeça era tudo muito simples porque até quando chegava a meio das férias de verão tinha a sensação de saudades de estudar. Se me perguntassem se gostava de fazer testes é que já era outra questão à qual formei uma opinião muito própria desde muito cedo - o ensino em Portugal não é dos piores, mas em termos de métodos de avaliação como processo de aprendizagem e processamento dos conteúdos estamos muito aquém daquilo que é importante. Isto porque os meios de avaliação escrita são nada mais nada menos que um teste à nossa memória, enquanto deveria ser um teste aos nossos conhecimentos. E por isso é que não me sentia confortável sempre que tinha um teste para fazer. Não é que odiasse mas deixavam-me exageradamente nervosa ao ponto de ter falhas de memória.
No que se referia a teste de Língua Portuguesa o pior era o último grupo de avaliação - a composição -, e não era por o limite de palavras ser muito ou pouco, nem por nenhum outro limite que nos eram dado, mas pelos temas horríveis que não cabiam na ideia de ninguém. Fazia sempre a composição a custo e nunca conseguia ter mais do que 50% do valor do que aquele grupo valia. Como já era uma constante já me tinha consciencializado que no exame do 9º ano não iria conseguir melhor.
O dia do exame tinha chegado. Estava pior que o costume, parecia uma pilha de nervos e nada me fazia acalmar. A primeira questão que vi, lembro-me como se tivesse sido ontem, foi o tema da composição e após ter respondido a todos os grupos anteriores do exame, fiz o meu rascunho da composição - era sempre a aluna que perdia tempo a fazer rascunhos e depois passava tudo direitinho para a folha de teste porque não gostava de ver tudo rasurado, quem é que também o fazia? - e passei satisfatoriamente para a folha. Senti que tinha corrido bem e que era a melhor resposta que alguma vês tinha dado num teste daquele tipo.
Ao sair do exame a nossa professora respondia-nos sempre a todas as questões que quiséssemos sobre a avaliação para termos noção do que fizemos e pedi-lhe que desse a sua opinião sobre o que escrevi na minha composição. O tema era darmos a nossa opinião sobre o Projeto LER+, o que até era interessante para variar. E foi ao ver o ar de espanto da minha professora ao terminar de ler a minha composição de exame, em 2010, e o meu sorriso com que terminei de escrever a composição que percebi que afinal gostava de escrever. Gostava de ter guardado o meu primeiro texto a sério, mas na altura não me ocorreu que um dia gostava de recordá-lo. E para ser sincera não percebi perante o momento especial em que me encontrava. Só uns dias mais tarde é que percebi, mas já tinha deitado a folha fora. O momento ficou e para mim isso é o mais importante. Até porque não é todos os dias que descobrimos mistérios destes sobre nós. E por incrível que pareça, existem frases dessa mesma composição que, hoje em dia, ainda me lembro que eram parte do que tinha escrito.
28/10/2018
a nova escritora

Faz duas semanas que recebi uma notícia que me deixou perplexa de felicidade. Foi-me dada a oportunidade de ler, em primeira mão, o esboço de um novo livro, para dar a minha opinião acerca do trabalho desenvolvido. Quando a Ana Rita Correia me enviou uma mensagem a perguntar se realmente estava disponível para ler o seu segundo livro (ainda não editado, nem publicado) a minha resposta não podia ser mais óbvia e rápida. Os meus olhos brilhavam e apesar do medo que tinha pela responsabilidade e confiança que me foi depositada, a alegria e entusiasmo que sentia conseguiram superar o pouco receio que perdurava em mim.
Para quem não conhece a Ana Rita Correia, ela é a autora do livro "Tudo o que Sempre Quis" e podem conhecer mais sobre si e do seu trabalho através do seu blog - The Choice.
Durante a leitura do esboço foram surgindo, constantemente, perguntas ás quais eu necessitava de encontrar uma resposta. E fui questionando essas mesma dúvidas a mim mesma de acordo com obstáculos que fui superando ao longo da vida e também coloquei algumas questões à própria autora que me respondeu com a melhor das sinceridades. Sem dúvida que esta experiência revolucionou o meu estado de espírito e me deu mais alento para concretizar os meus sonhos.
Eu não sei quanto a vocês, mas assim que o livro for publicado um deles vai ser meu. E garanto-vos que por muito que possam esperar, e devem esperar algo fantástico, vão ficar tão surpresos quanto eu fiquei. A vontade de continuar sempre a ler era tão grande que acabei por o terminar em 2 dias, porque não era mesmo capaz de parar, queria saber sempre mais do que iria acontecer. Fiquei completamente agarrada à leitura e viciada no enredo da história e é livros assim que me mantém o bichinho de querer experimentar novos livros e conhecer novos autores. Este novo livro da Ana Rita é uma lufada de ar fresco, apesar de nos fazer sentir um pouco pequeninos, dá-nos a garra para nos tornarmos grandes.
Quero deixar o meu agradecimento especial à Ana Rita por me ter deixado contribuir com as minhas palavras e opinião sobre o seu novo livro que está para chegar e também por ter aceite colaborar comigo para este post. Tendo em conta que me surgiram tantas questões e a minha curiosidade nunca mais acabava, decidi entrevistar a Ana Rita para perceber um bocadinho melhor sobre a sua nova rotina. De seguida segue-se a entrevista.
Desde criança que adorava fazer cópias e ditados. Adorava escrever à mão. Mais tarde, pelos meus 14 anos comecei a escrever pequenas histórias num caderno de capa preta. Era intitulado “De Alma e Coração: Páginas de Liberdade” e nele continha várias histórias soltas. A primeira foi sobre a história de vida do meu avô que tinha falecido há poucas semanas. Foi naquele caderno que a escrita despertou em mim. Já tinha uma imaginação…ui! Nunca houve nada concreto que me tivesse feito apaixonar pela escrita, talvez a liberdade que me proporciona. É como um calmante. Quando escrevo ajuda-me a esquecer o stress do dia-a-dia e a viajar para outros lugares, criando histórias e personagens que poderiam retratar qualquer pessoa da nossa sociedade.
TENS ALGUMA PREFERÊNCIA A NÍVEL DE ESTILO LITERÁRIO DOS LIVROS QUE LÊS?
Leio muito de tudo um pouco mas adoro o estilo de Nicholas Sparks – mais para o romance – e Lesley Pearse sempre histórias do tempo da guerra mundial com personagens que sofreram muito desde crianças as deram a volta por cima e tornaram-se fortes. Mas adoro qualquer coisa que tenha palavras. Adoro policiais, só não aprecio muito poesia.
Leio muito de tudo um pouco mas adoro o estilo de Nicholas Sparks – mais para o romance – e Lesley Pearse sempre histórias do tempo da guerra mundial com personagens que sofreram muito desde crianças as deram a volta por cima e tornaram-se fortes. Mas adoro qualquer coisa que tenha palavras. Adoro policiais, só não aprecio muito poesia.
QUANDO É QUE PERCEBESTE QUE "TUDO O QUE SEMPRE QUIS" IA SER O TEU PRIMEIRO LIVRO PUBLICADO?
Admito que só pensei nisso a sério muito depois de o ter terminado. Até então escrevia apenas porque me apetecia. Já tinha começado um outro livro por brincadeira mas nunca o terminei e neste caso fui escrevendo até ter ideias. Estive 6 meses bloqueada e quando achei que ia ser só mais um projecto inacabado a inspiração voltou em força e consegui levá-lo até ao fim, sem nunca pensar que um dia teria coragem de o publicar embora essa ideia me agradasse.
Quando o terminei senti-me satisfeita e orgulhosa do meu trabalho. Sabia que tinha uma importante e forte mensagem e gostava que chegasse às outras pessoas. Primeiro publiquei no blog, depois no wattpad. Quase todas as pessoas gostaram e então surgiu a ideia, porque não? Foi aí que percebi que podia arriscar. O não está sempre garantido.
“Tudo o que Sempre Quis” foi escrever um livro, mesmo quando não pensava nisso a sério.
Admito que só pensei nisso a sério muito depois de o ter terminado. Até então escrevia apenas porque me apetecia. Já tinha começado um outro livro por brincadeira mas nunca o terminei e neste caso fui escrevendo até ter ideias. Estive 6 meses bloqueada e quando achei que ia ser só mais um projecto inacabado a inspiração voltou em força e consegui levá-lo até ao fim, sem nunca pensar que um dia teria coragem de o publicar embora essa ideia me agradasse.
Quando o terminei senti-me satisfeita e orgulhosa do meu trabalho. Sabia que tinha uma importante e forte mensagem e gostava que chegasse às outras pessoas. Primeiro publiquei no blog, depois no wattpad. Quase todas as pessoas gostaram e então surgiu a ideia, porque não? Foi aí que percebi que podia arriscar. O não está sempre garantido.
“Tudo o que Sempre Quis” foi escrever um livro, mesmo quando não pensava nisso a sério.
É VERDADE QUANDO DIZEM QUE É DIFÍCIL DE PERCEBER SE CHEGÁMOS AO FINAL DA HISTÓRIA, OU É APENAS UM MITO?
Verdade, verdadinha. Lembro-me de chegar à última linha e perguntar-me “E agora? Já acabei. O que faço com isto? O que vou escrever a seguir?”. Ainda para mais demorei cerca de dois anos a terminar “Tudo o que Sempre Quis”. Liguei-me às personagens como se fossem pessoas reais. Acredita que ainda tenho saudades delas e por isso mesmo decidi que haveria uma continuação mais tarde. Achei que ainda tinham muito por contar. Muito para dar.
Verdade, verdadinha. Lembro-me de chegar à última linha e perguntar-me “E agora? Já acabei. O que faço com isto? O que vou escrever a seguir?”. Ainda para mais demorei cerca de dois anos a terminar “Tudo o que Sempre Quis”. Liguei-me às personagens como se fossem pessoas reais. Acredita que ainda tenho saudades delas e por isso mesmo decidi que haveria uma continuação mais tarde. Achei que ainda tinham muito por contar. Muito para dar.
PRETENDES CRIAR UM CUNHO SÓ TEU NA ESCRITA?
Gostava mas não sei se conseguirei. Há por aí tantos autores a escrever sobre tudo um pouco que tenho receio de não me distinguir deles. Ainda mais, sou nova nestas andanças. Daqui a um tempo, talvez? Quem sabe? Se gostava, se sonho com isso…sim. Se irei conseguir, não sei. Veremos.
Gostava mas não sei se conseguirei. Há por aí tantos autores a escrever sobre tudo um pouco que tenho receio de não me distinguir deles. Ainda mais, sou nova nestas andanças. Daqui a um tempo, talvez? Quem sabe? Se gostava, se sonho com isso…sim. Se irei conseguir, não sei. Veremos.
CONTA-ME COMO COSTUMAS FAZER A GESTÃO DOS CAPÍTULOS, TENS ALGUMA LÓGICA, ORDEM TEMPORAL OU DE AÇÕES ESPECÍFICA? OU É ALGO DIFERENTE?
A gestão de capítulos, quanto a mim, não tem segredo nenhum. Apenas costumo dividir por partes em que acho que ficaria bem uma quebra, sobretudo para levar a pessoa a querer ler o que virá a seguir. O “segredo” é levar os leitores a quererem ler sempre só mais um capítulo, apenas só mais um e quando dão por si acabaram o livro porque não conseguiam parar.
A gestão de capítulos, quanto a mim, não tem segredo nenhum. Apenas costumo dividir por partes em que acho que ficaria bem uma quebra, sobretudo para levar a pessoa a querer ler o que virá a seguir. O “segredo” é levar os leitores a quererem ler sempre só mais um capítulo, apenas só mais um e quando dão por si acabaram o livro porque não conseguiam parar.
COMO FOI A TUA EXPERIÊNCIA DURANTE TODO O PROCESSO DE EDIÇÃO E PUBLICAÇÃO DO TEU LIVRO? E COMO DESCREVES A SENSAÇÃO DA TRANSAÇÃO DE UM SONHO PARA UM GRANDE OBJETIVO CUMPRIDO?
A minha experiência foi muito boa até. A “Euedito” é muito acessível e são muito simpáticos, sempre dispostos a responder às minhas dúvidas de novata. Tinha receio que corresse mal por qualquer motivo. Vivi sempre essas semanas, meses, ansiosa por ver o resultado final. Quando vi a capa o meu coração parou. Era aquela e ponto final. A designer foi excelente e será ela que irá trabalhar nas capas dos meus próximos projectos, decidi logo isso. Apesar de tentar fazer tudo com calma e de forma responsável, só consegui dormir quando me chegou às mãos o livro-teste. Nesse dia ainda não acreditava que estava a acontecer. Apeteceu-me rir e chorar ao mesmo tempo. Só caí realmente em mim quando cheguei a casa e tinha uma data de caixotes à minha espera cheia dos meus livros. Mais ainda foi quando o apresentei pela primeira vez. Aí sim, senti que era real.Que estava mesmo a acontecer. E aquela adolescente de 14 anos que escrevia às escondidas num caderno de capa preta emergiu dentro de mim e entregou-se à emoção do momento.
A minha experiência foi muito boa até. A “Euedito” é muito acessível e são muito simpáticos, sempre dispostos a responder às minhas dúvidas de novata. Tinha receio que corresse mal por qualquer motivo. Vivi sempre essas semanas, meses, ansiosa por ver o resultado final. Quando vi a capa o meu coração parou. Era aquela e ponto final. A designer foi excelente e será ela que irá trabalhar nas capas dos meus próximos projectos, decidi logo isso. Apesar de tentar fazer tudo com calma e de forma responsável, só consegui dormir quando me chegou às mãos o livro-teste. Nesse dia ainda não acreditava que estava a acontecer. Apeteceu-me rir e chorar ao mesmo tempo. Só caí realmente em mim quando cheguei a casa e tinha uma data de caixotes à minha espera cheia dos meus livros. Mais ainda foi quando o apresentei pela primeira vez. Aí sim, senti que era real.Que estava mesmo a acontecer. E aquela adolescente de 14 anos que escrevia às escondidas num caderno de capa preta emergiu dentro de mim e entregou-se à emoção do momento.
QUAIS FORAM AS MAIORES BATALHAS QUE TIVESTE DE ENFRENTAR PARA CONSEGUIR PUBLICAR O TEU PRIMEIRO LIVRO?
Conseguir arranjar alguém que o publicasse e que o preço fosse acessível. É muito caro mesmo publicar um livro. Sobretudo em algumas editoras que aceitam tudo o que lhes cai nas mãos mas preocupam-se mais em ganhar dinheiro do que fazer um bom trabalho. Nestas coisas o dinheiro manda muito. Depois disso vem as decisões que temos de tomar, que capa escolher etc. São coisas que demoram tempo e por vezes não temos paciência para esperar mais.
Conseguir arranjar alguém que o publicasse e que o preço fosse acessível. É muito caro mesmo publicar um livro. Sobretudo em algumas editoras que aceitam tudo o que lhes cai nas mãos mas preocupam-se mais em ganhar dinheiro do que fazer um bom trabalho. Nestas coisas o dinheiro manda muito. Depois disso vem as decisões que temos de tomar, que capa escolher etc. São coisas que demoram tempo e por vezes não temos paciência para esperar mais.
QUAL A TUA OPINIÃO SOBRE O MUNDO DAS EDITORAS?
O mundo das editoras tem muito que se diga. Ou escreves muito, muito bem e consegues que uma grande editora te pague para escrever ou estás sujeita a pagar e bem pelo teu trabalho e esforço. Infelizmente é assim. Por isso cada vez mais pessoas recorrem, tal como eu, à edição de autor. É mais económico, muito mais. E fica bem feito na mesma a desvantagem é que não tens apoio de uma editora para divulgação, distribuição e apresentações. Estás por tua conta e tens de pôr pernas ao caminho e arranjar tu soluções. É possível? Claro que sim. Mas é muito cansativo e trabalhoso.
O mundo das editoras tem muito que se diga. Ou escreves muito, muito bem e consegues que uma grande editora te pague para escrever ou estás sujeita a pagar e bem pelo teu trabalho e esforço. Infelizmente é assim. Por isso cada vez mais pessoas recorrem, tal como eu, à edição de autor. É mais económico, muito mais. E fica bem feito na mesma a desvantagem é que não tens apoio de uma editora para divulgação, distribuição e apresentações. Estás por tua conta e tens de pôr pernas ao caminho e arranjar tu soluções. É possível? Claro que sim. Mas é muito cansativo e trabalhoso.
COMO GERES A TUA VIDA PROFISSIONAL E PESSOAL, AGORA QUE PUBLICASTE UM LIVRO, COM A TUA VIDA COMO ESCRITORA?
Não é fácil gerir tudo isto. Já era difícil a vida pessoal e profissional e agora a juntar a festa tudo o que implica na vida de escritora… agora que acabei as apresentações por motivos de força maior, torna-se mais fácil. Já me posso dedicar aos fins de semana a outras coisas mas ao início, preparar as apresentações e tudo o que isso implicava, foi…chato. Os dias deviam ter 30 horas e eu devia de ter mais tempo para tratar de tudo.
Mas com calma e paciência tudo se consegue. Há tempo para nos dedicarmos a tudo se o fizer-mos com gosto.
Não é fácil gerir tudo isto. Já era difícil a vida pessoal e profissional e agora a juntar a festa tudo o que implica na vida de escritora… agora que acabei as apresentações por motivos de força maior, torna-se mais fácil. Já me posso dedicar aos fins de semana a outras coisas mas ao início, preparar as apresentações e tudo o que isso implicava, foi…chato. Os dias deviam ter 30 horas e eu devia de ter mais tempo para tratar de tudo.
Mas com calma e paciência tudo se consegue. Há tempo para nos dedicarmos a tudo se o fizer-mos com gosto.
COMO ENCARAS A POSSIBILIDADE DE SERES ESCRITORA COMO ALGO SÓLIDO E A TEMPO INTEIRO?
Ai! Esse é o meu maior sonho! Adorava poder fazer vida de escritora a tempo inteiro mas infelizmente não é possível. Pelo menos não por enquanto. Talvez um dia quando as editoras me pagarem para escrever. (Risos)
Ai! Esse é o meu maior sonho! Adorava poder fazer vida de escritora a tempo inteiro mas infelizmente não é possível. Pelo menos não por enquanto. Talvez um dia quando as editoras me pagarem para escrever. (Risos)
SE O TEU LIVRO TIVESSE SIDO ESCRITO POR OUTRA PESSOA AINDA NÃO CONHECIDA, TAL E QUAL COMO TU, LERIAS O LIVRO? E QUAL SERIA A TUA OPINIÃO SOBRE O MESMO?
Leria sem dúvida alguma. Gosto de ler livros escritos por pessoas que tal como eu, estão agora a começar o seu caminho no mundo da escrita. Primeiro, apaixonada como sou pelo mar e pelo surf a capa cativava-me logo. Depois a sinopse deixa aquele mistério no ar sobre o que raio terá acontecido com aqueles 5 jovens. Sou muito suspeita para responder a esta pergunta mas acho que a opinião seria boa. Hoje, sei que podia ter desenvolvido mais algumas partes mas no geral tem uma mensagem muito forte que eu gostava muito que chegasse às pessoas sobretudo aos jovens que andam meio perdidos e lhes desse esperança que no final, tudo se recompõe. Há sempre espaço para recomeçar.
Leria sem dúvida alguma. Gosto de ler livros escritos por pessoas que tal como eu, estão agora a começar o seu caminho no mundo da escrita. Primeiro, apaixonada como sou pelo mar e pelo surf a capa cativava-me logo. Depois a sinopse deixa aquele mistério no ar sobre o que raio terá acontecido com aqueles 5 jovens. Sou muito suspeita para responder a esta pergunta mas acho que a opinião seria boa. Hoje, sei que podia ter desenvolvido mais algumas partes mas no geral tem uma mensagem muito forte que eu gostava muito que chegasse às pessoas sobretudo aos jovens que andam meio perdidos e lhes desse esperança que no final, tudo se recompõe. Há sempre espaço para recomeçar.
EXISTEM SEMPRE ERROS E COISAS QUE APRENDEMOS COM O TEMPO E EXPERIÊNCIA, QUAIS OS ENSINAMENTOS QUE ESTE PROCESSO TE DEU PARA UMA PRÓXIMA PUBLICAÇÃO?
Não mudava nada do que fiz até agora. Em termos de escrita, de paginação e revisão aprendi muita coisa com o primeiro livro que agora irei aplicar no segundo mas no processo em si, não mudava nada. Correu tudo como deveria correr.
Não mudava nada do que fiz até agora. Em termos de escrita, de paginação e revisão aprendi muita coisa com o primeiro livro que agora irei aplicar no segundo mas no processo em si, não mudava nada. Correu tudo como deveria correr.
QUAL É A SENSAÇÃO DE TER UM LIVRO PUBLICADO?
Não há palavras que descrevam essa sensação. Sentes-te como tivesses um dever cumprido, como se tivesses feito o teu propósito. É incrível. Não há palavras. Só quem passa por isso sabe qual o sentimento.
Não há palavras que descrevam essa sensação. Sentes-te como tivesses um dever cumprido, como se tivesses feito o teu propósito. É incrível. Não há palavras. Só quem passa por isso sabe qual o sentimento.
Nota:
Obrigada Inês por esta entrevista e curiosidade sobre o meu trabalho.
07/07/2018
oh, lisboa...

Este ano sou finalista da Licenciatura em Gerontologia e de momento acredito que se estejam a questionar que curso é este, porque é a pergunta que me fazem com mais frequência assim que respondo à questão: "Que curso estás a tirar?". Para vos simplificar é uma área de saúde que estuda o envelhecimento a três níveis: biológico, psicológico e social. Ao longo do curso sou "obrigada" a realizar diversos estágios curriculares, o que na minha preservativa é bastante formidável que possamos ter esta vertente mais prática, apesar de estarmos a ser avaliados constantemente permite-nos por em prática os nossos conhecimentos e conhecer as diversas realidades que a parte teórica nunca nos possibilita ver - ambas as vertentes são satisfatoriamente diferentes, assim como os procedimentos têm de ser muito mais adaptáveis e não tão lineares e metódicos como parece transparecer nos livros. Assim como também nos permite verificar a que nível gostaríamos mais de trabalhar num futuro próximo ou em que subárea gostaríamos de especializar os nossos estudos.
Admito que dá-me uma certa alegria e adrenalina trabalhar nesta área por todos os motivos possíveis, visto que todos os dias nos são propostos desafios diferentes, o que não conduz à criação de uma rotina monótona e aborrecida e para além dos desafios diários, os locais distintos também nos dão possibilidades de trabalho diferentes, o que exige algum esforço da nossa imaginação, considerando que o ponto fulcral incumbe na concepção de qualidade de vida e em contrapartida receber sorrisos. Mas acima de tudo a maior satisfação que esta área me dá é o facto de me possibilitar trabalhar com pessoas, para as pessoas com o intuito de satisfazer as necessidades e anular as dificuldades.

Assim estive durante, praticamente, 3 meses, a oportunidade de viver em Lisboa, por opção própria, para a realização do último estágio. Escolhi Lisboa para poder ter uma perspectiva diferente da que já tinha experienciado e para poder por em prática novas ideias num contexto ao qual não estava habituada, numa cidade que não conhecia e assim, aumentar o desafio tanto a nível profissional como a nível pessoal. Foi sem dúvida um desafio, mas um dos quais nunca me vou esquecer e se algum dia algo me deu tantas certezas do que quero, foi Lisboa. E se já acreditava no destino piamente, estes 3 meses fizeram acreditar que a celebre frase "A saudade define a certeza" é um amor novo que ganhei.
Lisboa trouxe-me as certezas que ainda não tinha, fez-me acreditar que existem algumas dificuldades que são necessárias ultrapassar mas que no final os impossíveis já não existem como antigamente e ajudou-me a perceber o que realmente quero fazer profissionalmente. Estou muito grata a este meses, a esta aventura que apesar do muito trabalho árduo exigido, também me deu imensos sorrisos, histórias para contar ao longo das gerações e pessoas excepcionais prontas sempre a ajudar e de bons conselhos no bolso prontos a oferecerem a qualquer momento. As saudades já cá moram e ainda mal me despedi de ti minha Lisboa.

Visitei muito, conheci novas pessoas o que para mim conhecer pessoas é um apreço que nunca dispenso, porque pode-se dizer que tenho uma estima pelo ser humano. Vivi sem parar, numa velocidade exorbitante que eram as correrias matinais, senti-me lisboeta e bairrista. E não há nada melhor que sentirmos que pertencemos a algum lugar. Corri vezes sem conta para apanhar metros e pedi-os algumas vezes a fecharem-se a milímetros da minha cara, vivia cada sentimento ao minuto, cada ânsia ao segundo porque vidas estáveis e sossegadas não foram feitas para mim. As rotinas parecem de loucos, mas é desta loucura que eu gosto, é esta ansiedade que me desperta, que me dá fôlego e oxigénio para gerar ideias. Nunca tive medo da mudança e poder agitar as águas e navegar em plena tempestade foi uma lufada de ar fresco.

Desperdiçar noites a olhar para o céu e tardes de inverno sentada à beira-mar a ouvir as ondas vaguear embaladas em ventos indecisos são como sonhos perdidos em marés cheias (de segredos e abraços). Mas os sonhos, na verdade, estão nas calçadas que pisamos todas as manhãs apressadas e atrasadas no tempo, nas tardes que conseguimos despachar o assunto do dia, antes que o dia nos despache a nós sem o assunto cumprido. E nas noites frias, amenas e insuportavelmente quentes, onde os minutos não são menos que 24 horas feitos em encontros com a tenacidade da vida, tornando-se vínculos do irreal. Ironia da vida é nada mais que o tempo. Carrega-nos na realidade do viver com o intuito de acreditarmos que os sonhos vêem logo de seguida – “com o tempo” dizemos nós, sempre que possível, e acreditamos na estupidez das nossas palavras incrédulas. O tempo corre que é uma coisa por demais. E ainda assim, é coisa que nunca será, porque se o tempo fosse tempo não haveria horas, muito menos relógios a enfeitarem pulsos fracos e paredes astuciosas. Se tempo fosse realmente tempo haveria vida ao invés de sacrifício em prol da sobrevivência. Não se vive de tempo, não nos basta, nem nunca nos será capaz de abater as lamúrias. Somos inteiros e o tempo passa por horas e meias horas e a ambiguidade de abafar espaços que não nos preenchem, a complexidade da tónica tempo versus pessoa é a maior das ironias e das impossibilidades por isso mesmo. Não nos compete sabermos ser apenas por metades, pertence-nos a sabedoria de saber estar em verdades por completo, para que o meio-termo se conjugue no seu ideal entre verdades opostas.
Assim estou nas oportunidades como estou em mim, mesmo se não existisse, porque à hora e meia, acrescentam-se mais umas poucas – Assim será, e sempre foi. Hirta dos pés à cabeça, mas do que vale pensar sem sentir. Do que vale ter tempo se não o sabemos contar. Os sonhos aparecem na encruzilhada de saber sentir o que nos faz pensar, no exato momento em que as oportunidades devem ser agarradas. E assim se espera, sem tempo, que o tempo nos traga a alegria e os sonhos, entre as ruas que andamos banalmente sem saber a inteligência que nos guardam. Mas é ali que nascemos vez após vez na esperança vitoriosa de erguer a voz sem a termos. Detemos mais amores que consideramos ser capazes de atingir. E é por isso que eu gosto de caminhos desconhecidos, de calçadas deformadas e carregadas de altos e baixos, com raízes mal tratadas e folhas servidas de cama aos pés caminhantes. De olhos postos no chão e de pés descalços. A alegria de chegar a casa conta-se nas passadas de me encontrar em qualquer lugar.
No instante em que caminhei no sentido contrário dos ponteiros do relógio, senti-me por cima das nuvens. A saudade vincava os paladares tórridos da amargura onde as neblinas se faziam sentir insanas. O céu enchia-se de vazio, destilavam-se pensamentos pairados por aí fugazes e trémulos, que se estranhavam na obscuridade fraudulenta do primeiro instante, que rapidamente se tornaram familiares aos olhos e aconchego ao corpo. Foi como se não necessita-se da vida – fui tempo por minutos. Não perdia, nem ganhava, controlava. O poder de olhar para além dos silêncios enigmáticos que vivem por mim, as misérias que me tornam alguém entre muitos – via-me num espelho baço sob os recantos que não conhecia em mim. Brutalmente desconcertante, quando, apesar da conceção, aprendemos que nunca nos conhecemos num todo, nem nunca o conseguiremos. O ar faltava-me, mas não me preocupava. Tempo vago sufoca, mas tempo vasto mata. Sentir na pele o esforço rasgar-se ao segundo contaminava a transitoriedade falecida no engano da realidade. Gelava a pés juntos. Juro. Abracei-me mais que alguma vez me teria visto.
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