desafios
19/01/2019
1+3: medo
Quando aceitei começar este desafio prometi a mim mesma que ia ser o mais profundamente sincera, portanto vagueei por vários dias pelas minhas fraquezas até perceber o que é que me deixa genuinamente apavorada. Todos nós temos os nossos medos "pequeninos" e fobias que suportamos até determinados limites. No entanto, com um tema como este que as variáveis podem ser enumeras (porque todos somos diferentes), ainda assim facilmente seriamos capazes de nos repetirmos. Apesar da lista de medos que existe espalhada pela humanidade, temos muito mais em comum do que imaginamos - até porque um medo nunca vem só. Eles juntam-se em grupos como se fossem colegas de escola. E portanto eu quis mais. Quis chegar a algo que caracteriza-se a minha fragilidade, fosse o motivo do meu comportamento face a escolhas difíceis ou decisivas. Quis perceber o que me faz mover por meios seguros para não ter que encarar de frente com assuntos que ensurdecem os meus pensamentos.
Durante o processo de reflexão percebi que usamos a palavra - medos - de um modo geral e aleatória, onde encaixamos uma colectânea de sensações que gostamos de manter longe. Repulsa, Receios e Apreensão. Aparentemente parecem apenas sinónimos, mas aplicados e visualizados no quotidiano fazem-se sentir de forma diferente, transmitindo-nos sinais que nos permitem distingui-los. Para mim a Repulsa é tudo o que não conseguimos tocar e nos mete nojo só de estarmos a observar. Os Receios é uma sensação acompanhada principalmente por incerteza, como se tivéssemos num limbo a tentar manter o equilíbrio, porque a pressão do momento dificulta-nos a capacidade de escolha (e como qualquer ser humano, queremos sempre fazer a escolha certa. Está intrínseco na nossa genética, não há como mudar, podemos tentar o que quisermos, vai voltar sempre ao ponto de partida). Sinto que os receios estão muito mais ligados a decisões físicas - por meio da tentativa -, do que a decisões interiores, psicológicas. Já a Apreensão, em contrapartida, está muito mais associada a ocasiões psicológicas. Isto porque, provoca sentimentos mais fortes (como ansiedade) e tende a moldar-nos a nossa maneira de pensar, nocivamente. Vou dar um exemplo: Com o começar do novo ano defini um objetivo pessoal - ser mais atenta ao meio que me rodeia e assim criar ligações mais fortes com as pessoas. Apesar de ser um processo longo e trabalhoso é também um processo que vai gerar muitas dúvidas e crises de identidade, porque a mudança não ocorre repentinamente e os sinais físicos, que acalmam a ansiedade, são raramente visíveis. O que nos leva a pensar que somos incapazes de continuar - o tal pensamento nocivo evidenciado! - que muitas vezes nos leva a querer desistir.
E portanto o meu maior medo, que me deixa a pensar por horas e a duvidar de mim por dias, não posso afirmar propriamente que é a efemeridade da minha presença na Terra, mas o término da mesma sem que tenha a oportunidade de construir algo ou fazer parte de algum acontecimento que me satisfaça por inteiro. O facto de um dia não conseguir ter a sorte de sentir que o meu propósito aqui foi cumprido faz-me duvidar muitas vezes se estou a seguir o caminho certo. E esta sensação de não saber se vou ser capaz de chegar a um propósito que me satisfaça, provoca-me medo da morte - é como a falácia "Bola de Neve" que aprendemos durante o secundário em filosofia.
O desígnio da vida está exactamente na sensação surpresa do desconhecido. Tenho noção disso! Mas todos nós sabemos que muitas vezes as noções que temos nem sempre vão ao encontro dos nossos comportamentos. E apesar de, por vezes, me deixar levar pelo flow e tirar o proveito possível do presente - à minha maneira -, prefiro mil vezes saber com o que conto. Embora abrace sempre a mudança com um carinho muito especial, a incógnita permanente de um futuro que não sei qual será e portanto não sei se sou capaz de o construir é algo que vai muito mais além das minhas capacidades de compreensão e aceitação. Deixa-me nervosa. Ansiosa. Talvez um dia consiga perceber a beleza de não sabermos se chegamos a viver a sensação de propósito cumprido, mas agora é apenas uma ideia que me assusta. Bastante.
O desígnio da vida está exactamente na sensação surpresa do desconhecido. Tenho noção disso! Mas todos nós sabemos que muitas vezes as noções que temos nem sempre vão ao encontro dos nossos comportamentos. E apesar de, por vezes, me deixar levar pelo flow e tirar o proveito possível do presente - à minha maneira -, prefiro mil vezes saber com o que conto. Embora abrace sempre a mudança com um carinho muito especial, a incógnita permanente de um futuro que não sei qual será e portanto não sei se sou capaz de o construir é algo que vai muito mais além das minhas capacidades de compreensão e aceitação. Deixa-me nervosa. Ansiosa. Talvez um dia consiga perceber a beleza de não sabermos se chegamos a viver a sensação de propósito cumprido, mas agora é apenas uma ideia que me assusta. Bastante.
10/11/2018
não vives sem
O dia em que conheci o Blog da Joana Rito, foi um acontecimento que me deu um quentinho no coração (e que tudo tem haver com o que vos quero transmitir), portanto eu não vos podia deixar de contar a rapidez e felicidade com que tudo se sucedeu. Fui abordada pela Joana através do Instagram, que me dizia que tinha encontrado do meu Blog e que gostava do que tinha visto e propôs-me, logo de seguida, participar no desafio "Não vives sem" que tinha criado. Claro que fiquei curiosa e senti um carinho enorme por ler as palavras dela. Espreitei igualmente o seu Blog, li o conceito por detrás do desafio e aceitei - adorei o princípio, era uma ideia de génio, ponderando que a cada dia nos esquecemos mais de nos lembrarmos o que realmente somos sem tecnologia. Aceitei o desafio.

A complexidade não é o exagero ou a desconfiança, é a necessidade de obter certezas, não por paranóia, mas por procura de significado. Aprendi, talvez não da forma mais simpática, que ser complexa não é estar errada ou inserida no lado errado da sociedade que nos torna incompreensíveis e desconectados do meio e das pessoas (isto de acordo com as definições que estão incutidas na sociedade ativa), mas a magia que nos conecta a todos faz-se sentir de um modo singular em cada um de nós e portanto não há nada de errado em se ser complexo. Sem esta energia que me move, que eu gosto de chamar de magia, porque é assim que faz sentir - algo mágico sem grande descrição possível por falta de palavras -, eu não teria as certezas que tenho, não saberia o que tenho nem o que me significam. Ser complexa dá-me a liberdade de poder viver de acordo com as minhas emoções religiosamente, sem grandes complicações para compreender as intenções das pessoas e motivos por conveniência. Dá-me o privilégio de viver profundamente os sentimentos que nascem em mim porque tenho a constante necessidade de criar ligações fortes e experiênciar emoções arrebatadoras em ambos os extremos da escala. Se assim não for, não há magia em mim e não faz sentido alimentar energias que não me fazem sentir completa e satisfeita.
As (poucas) ligações e conexões que construo ao longo da minha vida são resultado de um processo longo e de muita magia à mistura. Eu sinto quando as energias alheias são compatíveis à minha ou quando não o são, a sensação é eletrificante e foi assim que comecei a abraçar a capacidade de decisão e de escolha sobre qualquer coisa, porque assim me é permitido viver repleta de gratidão porque escolho aceitar o que sou, o que tenho e o que guardo. Nada mais, porque a questão deixou de ser "com o que é que não vives sem...", porque tudo o que eu tenho é tudo o que quero, nada para além do que me der magia é aceitável. Hoje a questão é: "como escolho viver...".
03/09/2018
1+3: um objetivo em progresso

Um dos meus grandes objetivos para este ano de 2018 é começar a conduzir. Aliás na minha lista de Goals 2018 está escrito mais precisamente da seguinte forma: "Aprender novamente a conduzir", porque realmente criou-se um pequena história em volta disto sem um propósito propriamente explicito o que torna a história estranha e engraçada ao mesmo tempo. Não existe uma explicação para o que aconteceu, fui deixando o tempo passar e foi apenas acontecendo. Vou-vos então contar mais detalhadamente a história.
Antes de entrar para a faculdade decidi, mesmo já tendo terminado o secundário, ficar mais um ano para melhorar a média e portanto assistia às aulas das disciplinas das quais tinha exame e frequentava uma disciplina extra em que estava inscrita - psicologia - para poder estar na escola. Tendo em conta o tempo livre que a situação me permitia ter e considerando que os meus pais me tinham oferecido o pagamento para tirar a carta de condução no verão pelos meu aniversário, pensei: porque não tentar tirar a carta nesta altura, visto que tenho mais tempo livre e assim além de se tornar mais fácil, ocupo o meu tempo. E assim foi. Comecei a ir às aulas de código quase todos os dias à tarde e antes das aulas começarem ia mais cedo para fazer testes seguidos, vezes sem conta, para praticar e claro para arranjar um lugar na sala dos computadores.
Uns meses depois, mais ou menos seis meses, inscrevi-me para ir a exame de código, mas não contei a data a ninguém, nem aos meus pais, queria fazer-lhes uma surpresa - com a aproximação dos dias para o exame rezava para que tudo corresse bem e fosse um ótima surpresa. No dia do exame estava uma pilha de nervos, mas incrível que pareça terminei o meu exame cerca de 20 minutos antes do tempo final e já com a revisão feita. Passei com 1 resposta errada. Estava tão feliz que fui o mais rápido possível ter com a mina mãe ao local de trabalho dela para lhe contar porque não conseguia guardar a felicidade até à noite. E mal cheguei a casa contei ao meu pai também. Foi uma alegria em todo o lado.
Depois da primeira etapa concluída e que a maioria considera a mais complicada, passei para as aulas de condução que me assustavam profundamente. Para mim a etapa mais complicada era a condução, o exame escrito era "canja". Sempre admirei as pessoas que conduziam bem e tentava perceber como o faziam porque queria ser capaz de conduzir igualmente bem. Ao dizer isto soa infantil e sinto-me igualmente estúpida, mas desde pequena, não sei bem o porquê, acho que conduzir é uma tarefa complicadíssima por tudo o que implica. E definitivamente eu era um desastre no que toca a carros, mudanças e coordenação motora. Com o tempo fui percebendo como tudo funciona e aperfeiçoando as minhas técnicas de condução. No entanto as aulas estavam a terminar e tinha de me inscrever para o exame e assim foi, tal e qual como da primeira vez também não contei nada a ninguém. O problema de não contar a ninguém é que a surpresa pode ser muito boa ou muito má. E desta vez tive que dar uma notícia desastrosa: "Pai Mãe fui hoje a exame de condução... (só pela minha cara eles já sabiam a resposta, mas esperaram para ouvir da minha boca)... e reprovei no exame". Não estava ainda preparada é verdade e eu sabia o risco que corria, mas decidi arriscar na mesma e tive as consequências que já estava à espera.
Lição 1 | Quando sentirem que não estão preparados o suficiente, é preferível comprarem mais aulas do que arriscarem tudo. Visto que depois fica muito mais caro e ainda te vais sentir decepcionado contigo. No meu caso também tive um bocadinho de sensação de culpa, uma vez que foram os meus pais que me pagaram a carta.
Os meus pais disseram que me pagavam a reprovação porque pode acontecer a todos, mas que era a única vez. Nas segunda vez que tive aulas decidi que ia dedicar mais e estar ainda mais atenta para nada me escapar. E pois bem, assim que fui a exame de condução pela segunda vez correu tudo muito bem e finalmente tinha a carta - naquele preciso momento em que o engenheiro disse que tinha passado senti-me orgulhosa e livre. Desta vez tinha contado apenas aos meus pais a data do exame, não caí no mesmo erro.
Lição 2 | Se quiserem fazer uma surpresa deste tipo aos vossos pais tenham antes a certeza que realmente vai correr tudo bem, caso contrário é preferível que eles estejam a contar com ambas as possibilidades - torna-se mais fácil contar e a desilusão é menor para ambos.
Foi um mês de muitas alegrias, passado uns tempos também soube em que universidade tinha entrado e com toda esta correria conduzi apenas umas duas ou três vezes depois de ter a carta na mão. Comecei a ir para a faculdade de autocarro porque ficava mais em conta, porque o passe até é acessível, porque o carro durante a semana estava "ocupado" pela minha mãe e aos fins de semana e ás horas que não estava ocupado eu tinha ou que estudar ou trabalhos para fazer. E para além das desculpas que criava em mim para justificar o facto de não me dar ao trabalho de praticar a minha condução, os meus pais achavam que o facto de não conduzir era porque tinha medo de o fazer e portanto não me incentivavam a fazê-lo. Sad storie, principalmente depois de toda a dificuldade que tive para a tirar, I know!
Lição 3 | Não atribuam culpa a coisas que nem sequer servem como desculpa para aliviarem a vossa culpa e justificarem a vossa malandrice, porque nunca vai resultar e só vai adiar o inevitável. Existe sempre maneira de compilar tudo e organizar o tempo de modo a fazer tudo o que é necessário ser feito, se assim o quisermos.
Com isto passaram 3 anos sem dar uso à carta de condução e como era de esperar ao fim de tanto tempo, assim que tentei conduzir novamente a minha condução estava, como se costuma dizer, enferrujada. Portanto, e também porque agora mais que nunca preciso do carro porque ando à procura de emprego, - espero entrar no mercado de trabalho o mais rápido possível - preciso de aprender a conduzir novamente - e com mais prática. O objetivo "Aprender novamente a conduzir" foi definido no inicio do ano já a pensar no meu futuro próximo por me trazer muitas vantagens a nível profissional e pessoal. Reconheci que assim que entra-se de "férias" - período após a conclusão do curso e tempo para encontrar um emprego - ia começar a praticar a minha condução. Assim sendo, uma vez por semana, vou dar uma volta de carro pela cidade acompanhada pelo meu pai que me vai dizendo o que fiz bem e mal, para ir melhorando. Outra coisa que fazemos é treinar as manobras num local com pouco movimento, porque essa foi a parte que mais esqueci.
Lição 4 | Devemos concretizar sonhos ou concluir tarefas quando realmente sentimos que queremos algo e nos encontramos inteiramente focados no objetivo que delineamos, caso contrário nunca vai dar certo.
Desde o início que tem sido uma aventura positiva e estou mais motivada do que nunca para aprender a conduzir. As minha prestação têm sido melhor do que eu esperava e têm melhorado a olhos vistos, segundo o meu pai. Estou inteiramente focada porque realmente quero fazer isto e quero agradecer muito ao meu pai por me estar a ajudar a concretizar este objetivo e pela sua grande paciência para me aturar e falta de medo e alguma confiança em mim.
06/08/2018
1+3: uma regra

A partir do dia em que comecei a levar a escrita mais a sério e percebi que escrever não era apenas um hobbie que me mantinha ocupada e divertida por algumas horas, decidi que só o ia fazer sempre que realmente sentisse que o que estava a escrever me transmitia algum tipo de sentimento (por isso é que nem sempre publico conteúdo todas as semanas, apesar de ter montes de notas guardadas no meu bloco preferido). Comecei, ao máximo, a evita forçar os meus pensamentos e sentimentos para criar conteúdo, mesmo que isso significasse que ficava sem escrever um dia ou uma semana porque sempre que leio são as palavras sentidas que fazem a maior diferença, que ficam na memória e provocam algum tipo mudança no ser humano ou pelo menos provocam mais vontade de mudar e acreditar.
As palavras fazem diferença e quando sabemos que as conjugamos numa melodia carinhosa e realista a canção fica no ouvido e lembra-nos que realmente somos capazes de superar os nossos medos, que somos mais felizes do que a maioria das vezes fazemos transparecer nos nossos dramas, que afinal o mundo não é assim tão complicado e que lutar não é assim tão difícil como parece e no final das contas vale mesmo a pena. E é isso que quero fazer com a minha escrita, falar através da mesma com pessoas que nunca vi, que não conheço e dizer-lhes que está tudo bem e que o mundo tem soluções para tudo, basta procurarmos. É desafiador, poder desenvolver este tipo de diálogo à distância com alguém, sem realmente falar com alguém e sem saber se a mensagem foi transmitida porque as respostas do diálogo é um silêncio meio agridoce. Deixa-me feliz como nunca me vou sentir na vida, principalmente por a escrita me dar uma voz que transmite esperança de diversas formas ao dizer o que as pessoas precisam de ouvir no preciso momento que as deviam de ouvir.
Escrever é emocionante e algo inesperado porque nunca sei quando me podem surgir sentimentos e pensamentos dignos de algo que considero relevante, portanto ando sempre com um caderno de notas comigo para apontar tudo aquilo que realmente acho que vale a pena. E sim ando com um caderno porque sou old school, prefiro uma folha e uma caneta a escrever no bloco de notas do telemóvel - sabiam que a sensação é bem mais gratificante? Escrevo a qualquer hora, em qualquer lugar, sobre o que me surgir - invento histórias, descrevo sentimentos, comparo sorrisos e vidas que passam por mim numa passada de fugida. Não tenho inspiração todos os dias, mas quando fico com os sentimentos à flor da pele, a escrita ajuda-me é o meu refugio e o meu modo de autocontrolo pessoal. E uma das coisas que mais fui aprendendo com este estilo de vida é que as ideias fluem quando tiverem que fluir e nunca deixam de existir. Se não conseguires por em palavras aquilo que realmente queres ou necessitas de dizer é porque ainda não é altura certa. A escrita é uma dádiva que nos foi dada por ser um amor eterno.
20/07/2018
1+3: treze qualidades

Começo por admitir que talvez este seja o desafio mais difícil de superar, de todo este projecto. Mas apesar de difícil, não foi impossível, apenas exigiu um pouco mais da minha ponderação e introspecção pessoal. Assim apresento-vos um pouquinho mais acerca de mim, com orgulho, as minhas treze maiores qualidades (isto porque não vale batotas senão só partilhava umas seis):
OBSERVADORA
Muitas vezes quando dou por mim a pensar no que estou a fazer, percebo que o meu mecanismo de observação é constante, é algo que não consigo desligar, nem por segundos. Qualquer coisa que faça a observação está presente sob tudo o que me rodeia - pessoas, reações, movimentos, tiques, formas, as palavras que alguém mais usa, entre tantas outras coisas. Todo este mecanismo que não consigo evitar ajuda-me a conhecer as pessoas, os lugares, a formar opiniões dos mais variados assuntos e quanto mais gestos iguais vou observando e mais situações vou prestando atenção, torna-se engraçado porque, por vezes, já consigo antecipar as reações ou as palavras de desconhecidos que estou a ver (de longe) pela primeira vez. As pessoas são tão iguais e acham-se tão diferentes. Observar o que está a minha volta, esteja onde estiver, ajuda-me a compreender as perspectivas enumeras que existem no mundo, e é por isso que é algo tão gratificante para mim.
Muitas vezes quando dou por mim a pensar no que estou a fazer, percebo que o meu mecanismo de observação é constante, é algo que não consigo desligar, nem por segundos. Qualquer coisa que faça a observação está presente sob tudo o que me rodeia - pessoas, reações, movimentos, tiques, formas, as palavras que alguém mais usa, entre tantas outras coisas. Todo este mecanismo que não consigo evitar ajuda-me a conhecer as pessoas, os lugares, a formar opiniões dos mais variados assuntos e quanto mais gestos iguais vou observando e mais situações vou prestando atenção, torna-se engraçado porque, por vezes, já consigo antecipar as reações ou as palavras de desconhecidos que estou a ver (de longe) pela primeira vez. As pessoas são tão iguais e acham-se tão diferentes. Observar o que está a minha volta, esteja onde estiver, ajuda-me a compreender as perspectivas enumeras que existem no mundo, e é por isso que é algo tão gratificante para mim.
REALISTA
O positivismo e o realismo são coisas diferentes, por muito que digam que são iguais. Não são. Talvez possam dizer que se completam numa boa harmonia, com isso já concordo um pouco, mas quando somos positivistas estamos a supor e a dizer ao nosso cérebro para apenas pensar que vai correr tudo bem porque não existem outro caminho, e fica-se sempre na esperança que ocorra um milagre sem se fazer nada. Enquanto que, quando somos realistas, conseguimos admitir que existem duas possibilidades, positiva e negativa, no entanto também sabemos que existem determinados assunto que com trabalho são possíveis e outros que sabemos que mesmo com trabalho à partida não são de todo possíveis. E eu realmente sou mais realista do que positivista.
O positivismo e o realismo são coisas diferentes, por muito que digam que são iguais. Não são. Talvez possam dizer que se completam numa boa harmonia, com isso já concordo um pouco, mas quando somos positivistas estamos a supor e a dizer ao nosso cérebro para apenas pensar que vai correr tudo bem porque não existem outro caminho, e fica-se sempre na esperança que ocorra um milagre sem se fazer nada. Enquanto que, quando somos realistas, conseguimos admitir que existem duas possibilidades, positiva e negativa, no entanto também sabemos que existem determinados assunto que com trabalho são possíveis e outros que sabemos que mesmo com trabalho à partida não são de todo possíveis. E eu realmente sou mais realista do que positivista.
SENTIMENTOS Á FLOR DA PELE
As minhas emoções transparecem facilmente na minha cara, no meu mood, na minha maneira de estar, no meu modo de falar com as pessoas e até mesmo na escolha das palavras e perspectivas sobre a vida no momento. Sou bastante translúcida, genuína e sincera no que toca aos meus sentimentos. Transmito-os mais facilmente através de comportamentos e expressões, do que através de palavras. Não consigo expressar verbalmente o que sinto, quando as emoções me inundam, mas também não consigo evitar um sorriso ou uma lágrima nestas ocasiões (é mais forte que eu). E é por isso que eu acredito tanto na frase cliché "Um gesto vale mais que mil palavras". Não é por não ser capaz de por em palavras o que sinto que não esteja a sentir algo, simplesmente não consigo transmitir aos outros os meus sentimentos por ser algo tão pessoal, porque me assusta por ser um assunto que me coloca numa posição vulnerável.
As minhas emoções transparecem facilmente na minha cara, no meu mood, na minha maneira de estar, no meu modo de falar com as pessoas e até mesmo na escolha das palavras e perspectivas sobre a vida no momento. Sou bastante translúcida, genuína e sincera no que toca aos meus sentimentos. Transmito-os mais facilmente através de comportamentos e expressões, do que através de palavras. Não consigo expressar verbalmente o que sinto, quando as emoções me inundam, mas também não consigo evitar um sorriso ou uma lágrima nestas ocasiões (é mais forte que eu). E é por isso que eu acredito tanto na frase cliché "Um gesto vale mais que mil palavras". Não é por não ser capaz de por em palavras o que sinto que não esteja a sentir algo, simplesmente não consigo transmitir aos outros os meus sentimentos por ser algo tão pessoal, porque me assusta por ser um assunto que me coloca numa posição vulnerável.
EXIGENTE E MINUCIOSA
Não me contento com o mínimo, até pode estar feito, mas não chega. Para mim as coisas têm de estar bem feitas e terminadas ao pormenor. Costumam-me dizer muitas vezes: "Se queres melhor, tens bom remédio, faz tu!", porque a verdade é que não sou só exigente comigo, também exijo rigor aos outros. Qual é a piada de fazer algo se é para fazer mal ou para cobrir o nível satisfatório, não tem qualquer sabor. Sempre fui muito exigente comigo desde pequena e desde que entrei para a escola. Não me contentava com notas razoáveis e no mínimo tinha que tirar igual ao que achava que era capaz, mas para me sentir satisfeita na totalidade queria sempre mais e lutava por isso, era uma maneira de me por à prova para perceber do que era capaz e saber o que ainda necessitava de trabalhar.
Não me contento com o mínimo, até pode estar feito, mas não chega. Para mim as coisas têm de estar bem feitas e terminadas ao pormenor. Costumam-me dizer muitas vezes: "Se queres melhor, tens bom remédio, faz tu!", porque a verdade é que não sou só exigente comigo, também exijo rigor aos outros. Qual é a piada de fazer algo se é para fazer mal ou para cobrir o nível satisfatório, não tem qualquer sabor. Sempre fui muito exigente comigo desde pequena e desde que entrei para a escola. Não me contentava com notas razoáveis e no mínimo tinha que tirar igual ao que achava que era capaz, mas para me sentir satisfeita na totalidade queria sempre mais e lutava por isso, era uma maneira de me por à prova para perceber do que era capaz e saber o que ainda necessitava de trabalhar.
ORGANIZADA (DENTRO DO POSSÍVEL!)
Não sou muito de acreditar em signos apesar do universo me fascinar, mas uma coisa é certa no que toca à organização, o meu signo não está enganado nem me engana. Só podia ser virginiana. Eu confesso que li umas duas ou três vezes o que a astrologia tinha a dizer acerca do meu signo e não me identificava com nada do que lá dizia, mas a organização nunca falha, é impressionante. Passei a acreditar. O que mais podia fazer, "Contra factos não há argumentos", como se costuma dizer na gíria. Sou extremamente organizada, talvez em demasia, mas até acarreta vantagens no que toca a querer encontrar algo ou mesmo relativamente à produtividade. Não sei se não deva dizer que sou perfeccionista, considerando que faço listas para tudo e mais alguma coisa por categorias, organizo a roupa por cores, as minhas pastas no computador estão todas catalogadas e nunca coloco nada fora do sítio para arrumar mais tarde e planeio as semanas na minha agenda no final de cada semana.
Não sou muito de acreditar em signos apesar do universo me fascinar, mas uma coisa é certa no que toca à organização, o meu signo não está enganado nem me engana. Só podia ser virginiana. Eu confesso que li umas duas ou três vezes o que a astrologia tinha a dizer acerca do meu signo e não me identificava com nada do que lá dizia, mas a organização nunca falha, é impressionante. Passei a acreditar. O que mais podia fazer, "Contra factos não há argumentos", como se costuma dizer na gíria. Sou extremamente organizada, talvez em demasia, mas até acarreta vantagens no que toca a querer encontrar algo ou mesmo relativamente à produtividade. Não sei se não deva dizer que sou perfeccionista, considerando que faço listas para tudo e mais alguma coisa por categorias, organizo a roupa por cores, as minhas pastas no computador estão todas catalogadas e nunca coloco nada fora do sítio para arrumar mais tarde e planeio as semanas na minha agenda no final de cada semana.
FAÇO TUDO PELA MINHAS PESSOAS
Houve tempos em que esta característica era mais um defeito que uma qualidade, e digo isto porque eu era incapaz de dizer "não" a quem quer que fosse e acontecia que abdicava de mim em excesso para ajudar os outros e acabava por perder muitas experiências de vida. Hoje sinto que gosto de estar disponível para ajudar as pessoas, porque já sou capaz de dizer que "não" quando realmente não posso e consigo perceber, que não há mal nenhum nisso. Sempre gostei de ajudar os outros, principalmente se forem meus amigos ou familiares, acho que é uma característica inata, porque desde que me lembre de existir, sempre gostei de o fazer. Gosto de saber e dar a saber que tenho por perto os meus, mas para isso é necessário saber manter e cuidar das relações para que permaneçam com o tempo. E trabalhar neste sentido é algo que me dá muita gratidão.
Houve tempos em que esta característica era mais um defeito que uma qualidade, e digo isto porque eu era incapaz de dizer "não" a quem quer que fosse e acontecia que abdicava de mim em excesso para ajudar os outros e acabava por perder muitas experiências de vida. Hoje sinto que gosto de estar disponível para ajudar as pessoas, porque já sou capaz de dizer que "não" quando realmente não posso e consigo perceber, que não há mal nenhum nisso. Sempre gostei de ajudar os outros, principalmente se forem meus amigos ou familiares, acho que é uma característica inata, porque desde que me lembre de existir, sempre gostei de o fazer. Gosto de saber e dar a saber que tenho por perto os meus, mas para isso é necessário saber manter e cuidar das relações para que permaneçam com o tempo. E trabalhar neste sentido é algo que me dá muita gratidão.
PACIENTE E PERSISTENTE
Se há algo que aprendi com as injustiças que fui vendo ao longo da vida e com a educação que me foi dada é que conseguimos tudo aquilo que quisermos. No entanto nada vem parar aos nossos braços com um estalar de dedos, é necessário trabalhar arduamente, muitas das vezes. E não importa o tempo que se demora a atingir os objetivos, o que importa é o caminho que fizemos para lá chegar. Não importa se tivemos que dispensar mais tempo, mais dedicação, mais esforço, que outras pessoas que, por vezes consideramos, erradamente, que não merecem tanto como nós. Nunca sabemos, até porque, como a minha mãe diz constantemente: "Os fins não justificam os meios". Lutar por objetivos e atingir o sucesso, corretamente, dá uma sensação de concretização e satisfação única que de qualquer outro modo não é possível obter. E só poder ter essa sensação já vale a pena lutar.
Se há algo que aprendi com as injustiças que fui vendo ao longo da vida e com a educação que me foi dada é que conseguimos tudo aquilo que quisermos. No entanto nada vem parar aos nossos braços com um estalar de dedos, é necessário trabalhar arduamente, muitas das vezes. E não importa o tempo que se demora a atingir os objetivos, o que importa é o caminho que fizemos para lá chegar. Não importa se tivemos que dispensar mais tempo, mais dedicação, mais esforço, que outras pessoas que, por vezes consideramos, erradamente, que não merecem tanto como nós. Nunca sabemos, até porque, como a minha mãe diz constantemente: "Os fins não justificam os meios". Lutar por objetivos e atingir o sucesso, corretamente, dá uma sensação de concretização e satisfação única que de qualquer outro modo não é possível obter. E só poder ter essa sensação já vale a pena lutar.
FLEXIBILIDADE DE ADAPTAÇÃO
Mudar de cidade, de escola, de ambiente, sempre foi algo que nunca me assustou, muito pelo contrário, sempre me deu uma certa adrenalina boa. Não sinto que tenha dificuldades em adaptar-me seja onde for porque gosto de estar ativa e experimentar situações novas. Claro que há sempre um pequeno receio, mas se não houve um pouco de medo não existia o impulso para seguir em frente. É importante não deixar é que esse receio nos consuma.
Mudar de cidade, de escola, de ambiente, sempre foi algo que nunca me assustou, muito pelo contrário, sempre me deu uma certa adrenalina boa. Não sinto que tenha dificuldades em adaptar-me seja onde for porque gosto de estar ativa e experimentar situações novas. Claro que há sempre um pequeno receio, mas se não houve um pouco de medo não existia o impulso para seguir em frente. É importante não deixar é que esse receio nos consuma.
SEI O QUE NÃO SOU
De uma coisa eu tenho certeza, não sei o que sou na totalidade, nem o que posso vir a ser num futuro próximo, mas quando apenas temos estes pontos à vista, as possibilidades tornam-se infinitas. Não é possível nunca chegarmos a uma certeza total e inalterável do que somos para a vida, mas é possível definirmos e colocarmos limites das possibilidades. Portanto, apesar de ter certezas que amanhã serei uma pessoa um pouco diferente de hoje, porque todos os dias aprendemos coisas novas que nos fazem crescer e percepcionar o mundo de um modo diferente, ainda tenho mais certeza daquilo que não sou hoje e do que nunca vou ser num futuro próximo.
De uma coisa eu tenho certeza, não sei o que sou na totalidade, nem o que posso vir a ser num futuro próximo, mas quando apenas temos estes pontos à vista, as possibilidades tornam-se infinitas. Não é possível nunca chegarmos a uma certeza total e inalterável do que somos para a vida, mas é possível definirmos e colocarmos limites das possibilidades. Portanto, apesar de ter certezas que amanhã serei uma pessoa um pouco diferente de hoje, porque todos os dias aprendemos coisas novas que nos fazem crescer e percepcionar o mundo de um modo diferente, ainda tenho mais certeza daquilo que não sou hoje e do que nunca vou ser num futuro próximo.
INVENTO CONSTANTEMENTE HISTÓRIAS PARALELAS A MINHA REALIDADE
Gosto de sonhar acordada, tenho uma imaginação muito fértil e muitas vezes deparo-me num mundo completamente diferente da realidade, sobretudo quando estou com insónias a minha mente viaja anos luz e surgem histórias irreais e cheias de fantasia que davam para escrever dezenas de livros. Devo admitir que acho bastante engraçado e diferente, visto que me torna um pouco criativa (alegre também) e muitos dos posts que faço aqui no blog são inspiração nestes pensamentos ilusórios. No entanto tenho noção que tudo é fruto da minha imaginação, que muitos sonhos são irrealizáveis e os que o são é necessário descer à terra e trabalhar para os conquistar.
Gosto de sonhar acordada, tenho uma imaginação muito fértil e muitas vezes deparo-me num mundo completamente diferente da realidade, sobretudo quando estou com insónias a minha mente viaja anos luz e surgem histórias irreais e cheias de fantasia que davam para escrever dezenas de livros. Devo admitir que acho bastante engraçado e diferente, visto que me torna um pouco criativa (alegre também) e muitos dos posts que faço aqui no blog são inspiração nestes pensamentos ilusórios. No entanto tenho noção que tudo é fruto da minha imaginação, que muitos sonhos são irrealizáveis e os que o são é necessário descer à terra e trabalhar para os conquistar.
SEI GUARDAR SEGREDOS
Os meus amigos costumam dizer que sou um túmulo, porque nada do que me contam, mesmo que se chegue a saber, sai da minha boca. Acredito que se uma pessoa vem ter connosco e nos conta algo tão secreto das suas vidas, naturalmente só o fará se tiver mesmo que ser por necessidade de desabafar e procura de alguma compreensão. Portanto eu levo realmente a definição de segredo muito a sério, porque na verdade as pessoas estão a depositar confiança em nós, não as devemos atraiçoar e mastigar-lhes o ego.
Os meus amigos costumam dizer que sou um túmulo, porque nada do que me contam, mesmo que se chegue a saber, sai da minha boca. Acredito que se uma pessoa vem ter connosco e nos conta algo tão secreto das suas vidas, naturalmente só o fará se tiver mesmo que ser por necessidade de desabafar e procura de alguma compreensão. Portanto eu levo realmente a definição de segredo muito a sério, porque na verdade as pessoas estão a depositar confiança em nós, não as devemos atraiçoar e mastigar-lhes o ego.
GOSTO DE ESTAR SOZINHA
A necessidade constante de ir a qualquer lado e estar acompanhado por alguém para abafar o sentimento de solidão com o intuito de demonstrarem ser socialmente ativos e extrovertidos, não é uma sensação e situação que me faça espécie, muito pelo contrário. Abomino semanas que não possa ter tempo só para mim. Andar pela cidade sozinha, na minha paz e no meu sossego, apenas comigo mesma e com os pensamentos debruçados em mim. Poder ter um pouco de tempo comigo dá-me paz de espírito e felicidade genuína. Gosto de falar, mas não tenho necessidade constante de o fazer, portante prezo o silêncio com uma estima muito grande. E considero que é bom, sabermos estar e suportar o silêncio, essencialmente quando estamos sozinhos.
A necessidade constante de ir a qualquer lado e estar acompanhado por alguém para abafar o sentimento de solidão com o intuito de demonstrarem ser socialmente ativos e extrovertidos, não é uma sensação e situação que me faça espécie, muito pelo contrário. Abomino semanas que não possa ter tempo só para mim. Andar pela cidade sozinha, na minha paz e no meu sossego, apenas comigo mesma e com os pensamentos debruçados em mim. Poder ter um pouco de tempo comigo dá-me paz de espírito e felicidade genuína. Gosto de falar, mas não tenho necessidade constante de o fazer, portante prezo o silêncio com uma estima muito grande. E considero que é bom, sabermos estar e suportar o silêncio, essencialmente quando estamos sozinhos.
APRENDO RÁPIDO
Devido a ser uma pessoa extremamente observadora compreendo e apreendo tudo com mais facilidade, porque tenho sempre em atenção a pormenores que a maioria das pessoas por norma não repara que existem. É preciso também sermos um pouco realistas e justos, não sou numa expert em memória, muito menos sobredotada (tenho que trabalhar muito para apresentar bons resultados), esta aprendizagem rápida funciona melhor em temas que captem a minha atenção e interesse.
Devido a ser uma pessoa extremamente observadora compreendo e apreendo tudo com mais facilidade, porque tenho sempre em atenção a pormenores que a maioria das pessoas por norma não repara que existem. É preciso também sermos um pouco realistas e justos, não sou numa expert em memória, muito menos sobredotada (tenho que trabalhar muito para apresentar bons resultados), esta aprendizagem rápida funciona melhor em temas que captem a minha atenção e interesse.
18/07/2018
1+3: uma peça de roupa & a verdade escondida
Na indústria da moda, por detrás de todo o lado bonito que se vê nas lojas e nos permite sentir bem na nossa própria pele, existe um lado muito negro e que a humanidade tende a esconder não falando acerca do assunto , ignorando simplesmente que existem graves problemas sociais e ambientais - trabalho explorador, desperdício, destruição do ambiente, entre muitas outras lacunas -, para que a moda seja sustentável e corresponda às expectativas de uma população consumista.
No entanto a culpa não é apenas da sociedade que compra desmedidamente em lojas de mass-market, é também destas lojas que todas as semanas lançam colecções novas e indirectamente obrigam a população a comprar para estarem na moda. Todo este processo torna-se num mecanismo de roda viva negativo, visto que quanto maior for a produção, maior será o consumo. O que maioria das pessoas não sabe ou não quer ver é que, com isto existem cerca de 75 milhões de pessoas que trabalham escondidos todo o dia em fábricas nas regiões mais pobre até o sol desaparecer, para a criação de roupas para o mercado global e que estas mesmas pessoas trabalham em condições sem higiene e com salários baixos (humanamente não permitidos), para podermos ter um monte de trapos dentro do nosso guarda-roupa.

O mais desonesto de tudo isto é que após a saída das roupas destas fábricas, são postas à venda por preços que os próprios que as produziram não são capazes de comprar, devido à pobreza extrema incapaz de sustentar as suas necessidades básicas e ainda, devido aos preços elevados. Sim elevados. Porque se compararmos o binómio qualidade-preço, encontramos um desfalque brutal. Além de consumirmos produtos que influenciam à exploração humana e à poluição ambiental, somos constantemente enganados porque consumimos produtos de baixa qualidade - o barato nestas lojas é sinónimo de baixa qualidade a nível dos tecidos e ainda maior exploração dos trabalhadores. A mão de obra é infantil na maioria dos casos por ser mais lucrativa, mas também existem caso de famílias inteiras a trabalharem nestes locais miseráveis. Para não falar da quantidade de químicos tóxicos que as roupas contém por não serem cumpridas as normas relativamente ao uso de metais pesados na criação dos produtos. As fast-fashion continuam sem cumprir com o acordo estabelecido e estão-se a borrifar para a saúde da população. Mas como é algo que não vem escrito nas etiquetas é um assunto que a população no geral desconhece e não sabe o quanto coloca a sua vida em perigo ao consumirem algo tão simples e fútil. E se algo que usamos nos faz mal à saúde, imagem o mal que faz às pessoas que as estão a produzir.
Devido à má qualidade dos produtos e à criação permanente de novos produtos, consequentemente compra-se mais, porque as roupas ficam estragadas com maior facilidade e em pouco tempo ou mal se dá uso a uma peça e esta já se encontra fora de moda porque já existem outras mais atuais. Só consigo resumir toda a frase anterior numa palavra: desperdício. E o que penso a seguir é: para que é que aqueles trabalhadores sofreram tanto? Deitamos tanta roupa fora só porque já não está na moda, ou porque já está estragada ou mesmo porque já não gostamos, e o pior é que todo o desperdício também polui - estas roupas são compostas por fibras sintéticas à base de petróleo, o que demora milhares de anos a se decomporem.
Ainda assim, contra mim falo porque ainda consumo alguns produtos de lojas fast-fashion, no entanto é um assunto que me chama atenção e me desperta bastante preocupação. E portanto um dos meus maiores objetivos é conseguir deixar de comprar produtos neste tipo de infraestruturas e passar a comprar produtos de marcas com compromisso sustentável, visto que têm um papel activo no desperdício, não promovem a exploração dos trabalhadores e os preços começam a ser acessíveis a toda a população.
A meu ver, acho que todos devemos começar a comprar com mais consciência (e com isto não digo deixarem de comprar totalmente, mas pelo menos reduzir o número de peças que compram por mês), procurando produtos amigos do ambiente (e nossos também). Porque se todos fizermos a nossa parte e boicotarmos este processo, que vai contra os direitos humanos e as leis da sustentabilidade, as marcas de fast-fashion começam a sentir a necessidade de se adaptarem para poderem ter receita positiva e são, consequentemente, obrigadas a ter que mudar os seus métodos de produção. Assim estaremos a ajudar uma população a conquistar novas condições de trabalho e de vida.
Poder olhar para o meu roupeiro e ver que de certa forma estou a ajudar a mudar algumas injustiças do mundo deixa-me mais feliz e concretizada, e essas são as minhas peças de roupa favoritas, porque não há nada melhor que sentirmos que podemos mudar o mundo de alguém.
(Conteúdo baseado na publicação de Helena Magalhães)
(Conteúdo baseado na publicação de Helena Magalhães)
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