03/09/2018

1+3: um objetivo em progresso


Um dos meus grandes objetivos para este ano de 2018 é começar a conduzir. Aliás na minha lista de Goals 2018 está escrito mais precisamente da seguinte forma: "Aprender novamente a conduzir", porque realmente criou-se um pequena história em volta disto sem um propósito propriamente explicito o que torna a história estranha e engraçada ao mesmo tempo. Não existe uma explicação para o que aconteceu, fui deixando o tempo passar e foi apenas acontecendo. Vou-vos então contar mais detalhadamente a história.

Antes de entrar para a faculdade decidi, mesmo já tendo terminado o secundário, ficar mais um ano para melhorar a média e portanto assistia às aulas das disciplinas das quais tinha exame e frequentava uma disciplina extra em que estava inscrita - psicologia - para poder estar na escola. Tendo em conta o tempo livre que a situação me permitia ter e considerando que os meus pais me tinham oferecido o pagamento para tirar a carta de condução no verão pelos meu aniversário, pensei: porque não tentar tirar a carta nesta altura, visto que tenho mais tempo livre e assim além de se tornar mais fácil, ocupo o meu tempo. E assim foi. Comecei a ir às aulas de código quase todos os dias à tarde e antes das aulas começarem ia mais cedo para fazer testes seguidos, vezes sem conta, para praticar e claro para arranjar um lugar na sala dos computadores.
Uns meses depois, mais ou menos seis meses, inscrevi-me para ir a exame de código, mas não contei a data a ninguém, nem aos meus pais, queria fazer-lhes uma surpresa - com a aproximação dos dias para o exame rezava para que tudo corresse bem e fosse um ótima surpresa. No dia do exame estava uma pilha de nervos, mas incrível que pareça terminei o meu exame cerca de 20 minutos antes do tempo final e já com a revisão feita. Passei com 1 resposta errada. Estava tão feliz que fui o mais rápido possível ter com a mina mãe ao local de trabalho dela para lhe contar porque não conseguia guardar a felicidade até à noite. E mal cheguei a casa contei ao meu pai também. Foi uma alegria em todo o lado.

Depois da primeira etapa concluída e que a maioria considera a mais complicada, passei para as aulas de condução que me assustavam profundamente. Para mim a etapa mais complicada era a condução, o exame escrito era "canja". Sempre admirei as pessoas que conduziam bem e tentava perceber como o faziam porque queria ser capaz de conduzir igualmente bem. Ao dizer isto soa infantil e sinto-me igualmente estúpida, mas desde pequena, não sei bem o porquê, acho que conduzir é uma tarefa complicadíssima por tudo o que implica. E definitivamente eu era um desastre no que toca a carros, mudanças e coordenação motora. Com o tempo fui percebendo como tudo funciona e aperfeiçoando as minhas técnicas de condução. No entanto as aulas estavam a terminar e tinha de me inscrever para o exame e assim foi, tal e qual como da primeira vez também não contei nada a ninguém. O problema de não contar a ninguém é que a surpresa pode ser muito boa ou muito má. E desta vez tive que dar uma notícia desastrosa: "Pai Mãe fui hoje a exame de condução... (só pela minha cara eles já sabiam a resposta, mas esperaram para ouvir da minha boca)... e reprovei no exame". Não estava ainda preparada é verdade e eu sabia o risco que corria, mas decidi arriscar na mesma e tive as consequências que já estava à espera.

Lição 1 | Quando sentirem que não estão preparados o suficiente, é preferível comprarem mais aulas do que arriscarem tudo. Visto que depois fica muito mais caro e ainda te vais sentir decepcionado contigo. No meu caso também tive um bocadinho de sensação de culpa, uma vez que foram os meus pais que me pagaram a carta.

Os meus pais disseram que me pagavam a reprovação porque pode acontecer a todos, mas que era a única vez. Nas segunda vez que tive aulas decidi que ia dedicar mais e estar ainda mais atenta para nada me escapar. E pois bem, assim que fui a exame de condução pela segunda vez correu tudo muito bem e finalmente tinha a carta - naquele preciso momento em que o engenheiro disse que tinha passado senti-me orgulhosa e livre. Desta vez tinha contado apenas aos meus pais a data do exame, não caí no mesmo erro.

Lição 2 | Se quiserem fazer uma surpresa deste tipo aos vossos pais tenham antes a certeza que realmente vai correr tudo bem, caso contrário é preferível que eles estejam a contar com ambas as possibilidades - torna-se mais fácil contar e a desilusão é menor para ambos.

Foi um mês de muitas alegrias, passado uns tempos também soube em que universidade tinha entrado e com toda esta correria conduzi apenas umas duas ou três vezes depois de ter a carta na mão. Comecei a ir para a faculdade de autocarro porque ficava mais em conta, porque o passe até é acessível, porque o carro durante a semana estava "ocupado" pela minha mãe e aos fins de semana e ás horas que não estava ocupado eu tinha ou que estudar ou trabalhos para fazer. E para além das desculpas que criava em mim para justificar o facto de não me dar ao trabalho de praticar a minha condução, os meus pais achavam que o facto de não conduzir era porque tinha medo de o fazer e portanto não me incentivavam a fazê-lo. Sad storie, principalmente depois de toda a dificuldade que tive para a tirar, I know! 

Lição 3 | Não atribuam culpa a coisas que nem sequer servem como desculpa para aliviarem a vossa culpa e justificarem a vossa malandrice, porque nunca vai resultar e só vai adiar o inevitável. Existe sempre maneira de compilar tudo e organizar o tempo de modo a fazer tudo o que é necessário ser feito, se assim o quisermos.

Com isto passaram 3 anos sem dar uso à carta de condução e como era de esperar ao fim de tanto tempo, assim que tentei conduzir novamente a minha condução estava, como se costuma dizer, enferrujada. Portanto, e também porque agora mais que nunca preciso do carro porque ando à procura de emprego, - espero entrar no mercado de trabalho o mais rápido possível - preciso de aprender a conduzir novamente - e com mais prática. O objetivo "Aprender novamente a conduzir" foi definido no inicio do ano já a pensar no meu futuro próximo por me trazer muitas vantagens a nível profissional e pessoal. Reconheci que assim que entra-se de "férias" - período após a conclusão do curso e tempo para encontrar um emprego - ia começar a praticar a minha condução. Assim sendo, uma vez por semana, vou dar uma volta de carro pela cidade acompanhada pelo meu pai que me vai dizendo o que fiz bem e mal, para ir melhorando. Outra coisa que fazemos é treinar as manobras num local com pouco movimento, porque essa foi a parte que mais esqueci.

Lição 4 | Devemos concretizar sonhos ou concluir tarefas quando realmente sentimos que queremos algo e nos encontramos inteiramente focados no objetivo que delineamos, caso contrário nunca vai dar certo.

Desde o início que tem sido uma aventura positiva e estou mais motivada do que nunca para aprender a conduzir. As minha prestação têm sido melhor do que eu esperava e  têm melhorado a olhos vistos, segundo o meu pai. Estou inteiramente focada porque realmente quero fazer isto e quero agradecer muito ao meu pai por me estar a ajudar a concretizar este objetivo e pela sua grande paciência para me aturar e falta de medo e alguma confiança em mim.

Enviar um comentário

Incontro-Verso © . Design by FCD.