reflexão

04/08/2020

a dú(vida) é a resposta


Quando o poder de viver a vida com que tanto se sonha é roubado para cobrir as necessidades das obrigações como membro da humanidade, de família e pessoa consciente da sua moralidade, ganha-se uma certa repulsa à vida. O medo de dar um passo maior que a perna e sentir a adrenalina de escapar uns segundos da rotina, já não é mais uma ânsia. Os medos desaparecem na corrida dos anos que passam sem que a reforma, de um posto que não se escolhe, chegue. E a indiferença vai crescendo das cinzas da inocência.

Se algum dia tiverem o atrevimento de te perguntar: o que queres da vida? Sê descarado o suficiente para responder que a vida é que quer algo de ti e ainda não teve a coragem de o mostrar. E pouco mais. Porque ao fim de tantas tentativas apenas a resposta que esperamos será o único cenário significante. O antes será apenas experiências que nos guiam à resposta que a vida nos deve mas em nada se esmera em esconder. A ironia continuará a ser uma prevalência na humanidade enquanto permitirmos que nos cegue. Tenho pena de por vezes não ser capaz de ver aquilo que está diante dos meus olhos, que seria um escândalo se um dia soubessem de metade. Não sei se a psicologia tem um nome para esta condição para que a possa categorizar como um distúrbio. Mas a meu ver deveria. Porque todas estas dúvidas geram questões desconcertantes que terminam sempre em "porquê?" ou "será desta vez?".

Todos procuramos respostas às nossas carências mentais, uns mais que outros. Todos temos questões que gostaríamos de ver respondidas ou que tivessem sido feitas no momento oportuno. Todos temos dúvidas que preferíamos que fossem antes certezas. Mas vivemos mesmo assim na dúvida desconfortável porque a certeza é ridícula. Questionamo-nos tantas vezes o porquê da vida, mas no fundo a única explicação que procuramos em todas as perguntas retóricas é o significado da nossa essência. Quem sou eu? Apenas desejamos conhecer-nos com a mesma facilidade com que decoramos os gostos, necessidades, qualidades, afeições e limitações de alguém. Contudo se fosse assim tão fácil o que seria feito dos nossos pensamentos? Não são as respostas que importam mas as perguntas. O mistério está na dúvida, porque quanto maior o número delas mais próximos estamos da natureza substancial do nosso ser. 

Apesar de não saber lidar com a dúvida não me incomoda como a insatisfação constante que me ferve as veias. Confesso que me sinto o Álvaro de Campos dos tempos modernos como se o meu estado de espírito andasse na corda bamba entre a fase decadentista e a intimista. Este ênfase à desilusão que permanece e parece não querer terminar leva-me constantemente à mesma resposta insolente - Não Sei! E esta fadiga que a vida assumiu como minha é o prémio que se tornou mais um problema que um consolo. Como vou chegar a mim se não tenho a energia para chegar até lá? Como vou saber quem sou se não sou capaz de descodificar o que sinto, cada vez que me sinto?

Por vezes dou por mim a perguntar-me o que teria sido de mim se tivesse tido a liberdade emocional e moral de poder viver os meus sonhos para além do hipotético. Não consigo evitar de pensar nos cenários que não tive oportunidade de viver, nas experiências que podia ter tido, as asneiras que podia ter feito e aprendido. Ainda assim, não consigo ignorar que os valores sob os quais me tento descobrir são fruto da vida que não escolhi, nem sonhei. 

Todos os dias vou adormecer a sonhar com a vida que quero para amanhecer fortalecida na realidade que me foi reservada por algum motivo.

a dú(vida) é a resposta

02/05/2020

life is a mirror


Todos os dias há alguém no mundo que se queixa do quanto a vida está a ser injusta consigo, do quanto se sente triste porque os motivos que a faziam sentir feliz já não existem mais (pelo menos não da maneira como pretendiam ou conseguem ver), do quanto sente falta de sentir amor ou qualquer outro sentimento que a traga de volta à corrida (quando o amor maior que devia ter era por si). Todos acabamos, eventualmente, por passar por esses mesmos dias em que imploramos que a realidade não seja tão dura connosco. Sentimo-nos injustiçados de tal ordem que mesmo quem não acredita em Deus é capaz de cometer a injuria de pedir por um milagre. É normal sentirmos que perdemos o controlo da nossa vida de vez em quando, porque a verdade é que nunca o tivemos, nem nunca o teremos, a diferença é que na maioria dos outros dias estamos demasiado ocupados para nos apercebermos disso. Os dias vão passando na ilusão de acharmos que sabemos o que estamos a fazer, que andamos a cumprir a agenda previamente planeada, que estamos no controlo, mas a vida está apenas a fluir sob os nossos dias. Sem dramas. E percebemos isso quando acabamos por fazer algo que não nos apetece mas tem mesmo que ser feito ou adiamos algo porque não é isso que a vontade está a pedir ao nosso corpo e acabamos por ceder ao pedido que o nosso corpo nos faz. Deixar fluir a corrente é mais favorável que insistir num controlo ilusório. A humanidade deixou de acreditar no destino e na energia do seu caminho porque é mais fácil acreditar em planos que são certos, perspicazes e que pouco nos desiludem. Este é o nosso grande problema. E o que nos engana mais é acharmos que os planos que fazemos são nossos, que vêm de nós. As vontades são nossas se as virmos à superfície, ainda assim não passam de formas de expressarmos quem somos. E ser é uma matéria concreta que não podemos alterar quando queremos (pelo menos a nossa essência), é obra do destino do que nos calhou na rifa. E se o destino é que nos controla como podemos achar que controlamos seja o que for? Como podemos descredibilizar o destino como o fazemos? Deixá-lo de lado é o mesmo que não acreditarmos na nossa vida, no nosso futuro, na felicidade. Todavia, a vida é feita de espelhos que nos permitem dar sinais e sugestões a quem está no comando. Apenas recebemos o que acreditamos. Se vivermos a queixar-nos do que não temos ou deixámos de ter, a mudança que tanto pretendemos para sair do buraco nunca vai chegar. Ao contrário, se acreditarmos que somos capazes de fazer melhor, a vida deixa de ser tão radical. A vida é complexa mas não tem de ser difícil, é tudo uma questão de perspetiva. Acredita naquilo que queres ver, e verás.

life is a mirror

05/04/2020

Ansiedade


Sinto-me a desligar todas as vezes que o vazio me expulsa do meu próprio corpo ao empurrão e me abafa de mim. O ar começa a faltar e o controlo também. Quanto mais tempo dura menos resistência vou conseguindo ter. É uma luta que não consigo evitar ter, nem ganhar. Mas eu tento. Tento tanto. Com tanta força, com todas as minhas poucas forças. Desespero como se estivesse a mergulhar num mar profundo de mãos e pés atados e pesos nos bolsos. E esta sensação é uma constante triste e realista a acontecer a cada respiração ofegante. O descontrolo chega a uma velocidade criminosa e choro desalmadamente, o meu tórax colapsa com as oscilações abruptas em busca de ar que não precisa. Dói. Mói uma dor cá dentro que massacra mais a alma que o corpo, que permanece após o impacto, que acorda quando lhe apetece para me fazer lembrar e sofrer só porque preciso de desligar por uns segundos. As notícias fazem-me pior e o que me rodeia por vezes não é exceção - acha! Ela vem para ensinar que não se pode controlar tudo, que nem tudo está ao nosso alcance nem ao nosso encargo de mudar e que nem tudo depende de nós. Mas esta dor que me torna invisível aos meus próprios olhos é uma lição dura de aprender, mas a sensação de um dia poder atingir o fôlego à superfície da água depois de um valente mergulho às profundezas do mar infinito é a esperança que guardo para dias de sufoco. Acreditar é a única forma de atingir uma plenitude negociada sem ter a sensação do peso do ar raro. Talvez um dia a sua presença dentro do meu espírito já não me incomode.

Quero acima de tudo enviar um abraço muito especial a todas as pessoas que sofrem de Ansiedade (seja ou não diagnosticada) e que estão a passar por esta quarentena necessária mas difícil. 
Primeiro, cuidem de vocês!

Ansiedade

30/12/2019

O meu 2019

O meu 2019 foi uma montanha russa cheia de altos e baixos, de adrenalina à flor da pele e aventuras em formato de quebra cabeças. Este ano permitiu-me concretizar alguns objetivos, poucos, mas principalmente foi o ano que mais me pôs à prova tanto pessoalmente como espiritualmente. Não foi um ano de sucessos infindáveis nem de sonhos concretizados, no entanto, foi um ano que me trouxe muito em poucas ações. Um ano que apesar de tudo me deixa feliz por me mostrar que perder ou não chegar onde se pretende por vezes é melhor que ganhar, porque o nosso caminho nem sempre passa pelo que idealizamos para nós e sinto-me grata pelo destino estar do meu lado. Foi um ano de lutas, muito trabalho, alguns sorrisos, decisões difíceis mas valiosas, amizades, independência e reencontros.

E como os episódios positivos da vida é que nos permitem criar e guardar memórias, aqui vos deixo as minhas boas recordações do meu 2019:

JANEIRO
  • Fui ver o Cirque du Soleil
FEVEREIRO
  • Alterei a "imagem" do blog
  • Experimentei meditação
  • Fui ao cinema (diversas vezes)
MAIO
  • Decidi começar a caminhar para fazer algum exercício físico (o entusiasmo durou pouco tempo)
  • Investi num novo portátil
  • Novo corte de cabelo (passei a ter franja e gostei)
JUNHO
  • Comecei a fazer voluntariado
JULHO
  • Fiz uma maratona de filmes (que planeava ver à imenso tempo, mas nunca conseguia)
  • Fui ao Quizz com amigos (e torná-mos a repetir porque foi divertidíssimo!)
  • Vi um concerto ao vivo da banda "American Authors"
SETEMBRO
  • Passei tempo de qualidade com os meus amigos
  • Remodelei o meu quarto
  • O meu aniversário
  • Arranjei um segundo emprego
DEZEMBRO
  • Jantares de Natal
  • Tirei uns dias para descansar, relaxar e cuidar de mim

Para o novo ano que está prestes a chegar quero concretizar sonhos e viver de alma livre, quero conhecer e aprender tudo o que for possível e a vida me permitir. Quero dizer mais vezes que Não sem medo e que Sim também, às oportunidades que surgirem. Quero tudo muito e espero que 2020 também o queira porque estou pronta para fazer de todos os dias uma nova festa.

Um ótimo 2020 para todos vocês que me continuam a acompanhar e um obrigada cheio de gratidão pelo apoio que me dão. Que 2020 vos faça felizes, vos traga sucesso e acima de tudo muito amor!

O meu 2019

26/12/2019


Viver a aprender um pouco mais sobre quem sou,
Viver a melhorar-me com cada erro.
Viver e aceitar que viver é uma mudança constante.
Viver na mudança porque a vida é uma metamorfose bonita.

Viver.

20/12/2019

Libertar-me para 2020

Talvez ainda seja cedo demais, pelo menos para algumas pessoas porque ainda nem chegou o dia de natal, mas para mim esta é a altura ideal do ano para fazer uma retrospectiva do mesmo. Gosto de o fazer com tempo para que seja um processo natural, fluído e poder dar espaço para que as lembranças e memórias surjam a seu ritmo. Permitir-me fazer esta retrospectiva faz-me perceber que a vida é feita, acima de tudo, de resiliência para com os outros mas principalmente para connosco porque a vida é uma aceitação contínua. No entanto, como não considero possível fazer todo este processo num só dia este ano decidi torná-lo um pouco diferente tornando-o mais prático e visível. Com isto quero dizer que criei uma lista de tópicos dos quais vou preencher ao longo dos dias até ao final do ano de acordo com o que vou revivendo. E como o bom disto é adquirir boas energias para começar o novo ano em cheio de mente limpa e perceber o quão positivo foi o nosso ano, tento ao máximo não dar importância aos episódios negativos, no entanto não considero que devam ser totalmente ignorados, sendo que ao invés de encaminhar os meus pensamentos para a ocasião negativa prefiro pensar sobre o que de bom acabou por trazer à minha vida. 
Os tópicos são os seguintes:

  • O que ainda tenho por fazer para começar um novo ano em sintonia
  • Que lições de vida aprendi este ano
  • O que consegui
  • O que quero / preciso de mudar
  • Quais os meus sonhos a partir deste momento

Libertar-me para 2020

17/11/2019

she wore wild flowers in her hair


Abrandar o tempo devia ser um poder humano tão natural como a capacidade inevitável de pensar a todo o instante. Seria como prolongar o impactante lado da vida e o fútil também não seria excepção, mas apenas por dentro do nosso olhar como se fosse uma filmagem em câmara lenta gravada no íntimo da nossa alma. O olhar seria sereno, sem que nada conseguisse interromper a fixação que imponha em si, dentro do mundo paralelo que estimava juntamente com a vivacidade que se estancia no ritmo do quotidiano. Um feito de calmaria, atenção ao pormenor, alegrias que acalmam e dores que ensinam. Enquanto do outro apenas nos restam maratonas que por vezes nem damos por o tempo passar.

Seria como viver memórias instantâneas e momentâneas, os sentimentos seriam tão intensos que seriamos capazes de os sentir até ao âmago do nosso estômago. Em simultâneo tudo se via e viva de igual forma, como se nada fosse. Seria como se os pensamentos se transformassem em imagens que passam por flashs. E se dermos conta seriamos mundos com dois mundos paralelos dentro do nosso próprio globo. Se os pensamentos chegam a ser aborrecidos, mas compensam com as suas cantigas malandras que mais parecem ninfas que nos mudam as ideias e nos empurram para a luz. Poder viver a ver com olhos interiores teria tanto de bom como de mau, mas certo é que seríamos pessoas mais tolerantes com o outro.

she wore wild flowers in her hair

06/09/2019

vinte e três


Não acredito que a passagem de ano seja o fechar de um ciclo e o começo de outro, mas sinto essa oportunidade de recomeço uma vez por ano no dia do meu aniversário.
Ontem completei mais um ano de vida e ainda nem acredito que já estou nos 23, além de não aparentar - o que é questionável - também não sinto que os tenha. O que sinto realmente é que o tempo passa rápido demais. E não foi apenas este ano, mas todos os outros anos anteriores dão-me esta sensação de rapidez meio incomodativa que me faz questionar se estou a aproveitar o meu tempo ou se estou apenas a deixá-lo passar

Não gosto de fazer anos porque a ideia de completar mais um ano de vida está descontextualizada e subvalorizada nesse sentido. A celebração do marco de nascimento não é apenas mais um número que acrescentamos à nossa sobrevivência como motivo para organizar uma festa. Tudo certo se quiserem festejar a vossa existência, mas é muito mais para além disso.

Esta passagem, para mim, é uma celebração interior onde o que importa é o meu estado de espírito, as minhas perspectivas e ideias sobre o que me rodeia, os valores que me movem e os sonhos/objetivos que mantêm entusiasmada ao acordar e me quebram a monotonia da rotina. Não é um número que irá espelhar o meu estado de espírito, nem a roupa que usarei para a festa que representará o meu olhar sobre o Mundo, muito menos a festa em si me vai fazer acreditar ainda mais que sou capaz de concretizar os meus sonhos.

Sempre que faço anos sinto emergência em refletir sobre a minha essência para perceber quem fui, em que fase me encontro atualmente e onde quero chegar. Esta reflexão permite conhecer-me, aceitar-me e valorizar-me pelo que sou genuinamente. Permitir-me que me conheça tão bem é o melhor festejo que posso oferecer a mim mesma num dia que é um bocadinho mais meu que todos os outros dias. 

É fascinante perceber os obstáculos que ultrapassei, os objetivos que atingi e os sonhos que concretizei, o quanto evolui emocionalmente e o quanto aprendi num espaço de tempo de 1 ano sem me ter apercebido disso. E se no ínicio tinha dúvidas em relação ao meu tempo estar ou não a ser bem aproveitado, deixo de as ter. É importante refletirmos sobre as nossas conquistas, porque quando achamos que estamos a ir demasiado devagar em relação ao tempo, temos a surpresa de perceber que afinal era só uma ilusão.

Todos nós temos o nosso tempo, abraça-o!

vinte e três

24/01/2019

devemos praticar mais o auto elogio


Para muitos de nós, uma das piores tarefas que nos podem pedir é enumerarmos algumas qualidades próprias, mas se pelo contrário também nos pedirem para mencionar alguns defeitos, a tarefa passa a ser facilitada em todos os sentidos. Temos tendência a conhece-nos melhor pela negativa do que pela positiva. Ou talvez temos mais facilidade em admitir os nossos defeitos? O ego é um compartimento complicado de gerir e muitas vezes deixa-mo-nos levar pela sua voz altiva. O ego tanto pode ser o nosso maior inimigo como o nosso melhor amigo. E por si só é assustador. 

No fundo acho que todos nós sabemos quem somos e portanto sabemos quais os nossos defeitos tão bem como sabemos as nossas qualidades. Se não formos capazes de nos conhecermos, nunca ninguém nos vai conhecer melhor. Até porque os outros só conhecem o que permitirmos e por norma somos um todo espalhado por vários fragmentos que oferecemos a quem nos é especial. Somos um uníssono de parcelas, e todas elas são verdades (mesmo sendo diferentes entre si). Acredito que o que custa não é quando descobrimos quem somos na maior plenitude possível, mas quando ganhamos a coragem de o exteriorizar. Mostrarmos que sabemos que temos determinadas características boas e que ainda por cima gostamos dessas nossas qualidades é que nos assusta. Portanto escondemos que o sabemos. 

Questionava imenso o porquê do ser humano negativizar tanto o "eu". Quando percebi, que na verdade não passava, na maioria das vezes, de um escudo de proteção contra qualquer riso alheio que fizesse o nosso ego retaliar - "Eu avisei, não me quiseste ouvir, mais valia teres ficado calada". Apesar de ser natural, pois todos temos qualidades e defeitos, não é socialmente aceitável dizermos que temos qualidades. Porém quando são mencionadas por outras pessoas já não é um drama. Mas porquê? Se são parte daquilo que somos, porque é que não podemos mostrar orgulho no que temos de bom? Esta opressão social, que vive desde sempre, sufoca-nos de tal forma que não nos permite ver mais além e mantém-nos presos dentro da definição categórica de certo e errado. Quando nada é tão linear como parece. Um exemplo muito simples é o facto de não sabermos lidar com os elogios dos outros para connosco - como quem quer dizer: "Porque é que me estás a dizer uma coisa dessas?", mas responde: "Obrigado", porque é uma forma mais educada de lidar com a situação. Mas pior que responder um obrigado não sentido é não fazer auto elogios. É tão simples. Não ocupa tempo e faz-nos tão bem.  

Nos tempos que correm o que mais nos falta é sermos sinceros. Com os outros e connosco principalmente. Não há mal nenhum em dizermos que não gostamos de algo em nós, assim como também não há mal dizermos o que gostamos. Somos livres de concordar ou discordar dos elogios que nos são dados, mas só os vamos saber apreciar quando formos capazes de olhar ao espelho, todos os dias, e dizer a nós próprios - eu gosto "disto" em mim! Vai-nos permitir aceitar quem somos e viver de um modo positivo. Acreditar é o ponto essencial para chegarmos onde quisermos. 

Elogiem-se. Promovam a corrente da prática do auto elogio, porque só assim se consegue entender os elogios que vêm de outras pessoas. E caso não concordarem com o elogio que vos foi dado porque não dizer que não concordam? Acrescentando um em que acreditem ser verdade. Pelo menos é mais sincero e dá a conhecer um pouco mais de vocês. Mas acima de tudo acreditem do que dizem a vocês mesmos.

devemos praticar mais o auto elogio

11/01/2019

contas que me inspiram


Há uns tempos atrás surgiu um movimento no Instagram que consistia em divulgar quem nos inspirava através de #partilhaquemteinspira. Pareceu-me ter havido bastante adesão ao mesmo, pelo que consegui acompanhar deste, no entanto não aderi apesar de achar o conceito bem interessante em diversos aspetos. Além de ajudar a divulgar as páginas em causa (não digo isto apenas por interesses numéricos e estatísticos das páginas em si, mas porque ao aumentar uma comunidade é sinal que a informação chega a todos os interessados nela), cria interação entre o público com os mesmos interesses. E não há nada melhor que podermos ter alguém com quem trocar ideias sobre um assunto, sem corrermos o risco de nos sentirmos entediados com a conversa que apenas continuamos a responder por educação e respeito pela outra pessoa.

Conversar nunca foi uma forte característica minha, mas quando se trata de assuntos que entendo ou me fascinam, não há quem me consiga calar. E saber que a outra pessoa sente o mesmo entusiasmo que eu ainda me cativa mais a alimentar a conversa. Ao ver os resultados incríveis que decorreram desta mega interação, decidi mostrar-vos as contas que mais me inspiram - inclui Blogs, Instagrams e mesmo Canais de YouTube.

Para além de ser médica (por si só, para mim já é impressionante) é também uma grande entusiasta de moda e lembro-me de acompanhar o seu trabalho desde a altura que recreava looks - fantásticos by the way - e partilhava connosco no Blog do qual era fundadora - Miss Tangerine. Agora usa o seu Instagram para esclarecer dúvidas e desmistificar ideias erradas sobre diversos assuntos de saúde. E claro, continua a partilhar os seus looks que tanto gosto.

CATARINA F P BARREIROS
Vive, ou pelo menos diz que tenta viver uma vida mais sustentável e na verdade aprendo todos os dias um pouco mais sobre como ser sustentável. Apesar de ter noção da importância do tema e o quanto é urgente passar das palavras à ação, foi a partir do momento que comecei a acompanhá-la que realmente me caiu a ficha. Comecei a ganhar mais interesse e a querer mudar alguns pequenos hábitos que para nós são insignificantes, mas que na totalidade fazem diferença.

Fundadora do Blog - contemporary lives here -, sigo-a à risca desde que me lembre de ter Blog, mesmo antes de ter começado este. Ela é uma total inspiração tanto a nível de moda como em termos fotográficos. E o que me fez cativar no seu trabalho foi o seu gosto enorme pelo vintage, porque para além de ser sustentável, mostra-nos que ao reaproveitar roupas antigas também é possível ter muita pinta.

A miúda que acompanho à menos tempo, mas que tem as melhores reviews de livros de sempre. É simpática e não dá para não sentir as boas energias que transmite com o seu trabalho e portanto é impossível não ficar bem disposto e com um sorriso dentro do seu espaço.

INÊS MOTA
Tem uma escrita simples, mas cativante. Partilha connosco todas as semanas conteúdos das suas experiências do seu quotidiano de uma forma breve, mas que nos deixa agarrados como leitores do seu blog. Esperamos dia após dia ansiosos por saber qual é a nova aventura da sua semana.

Ambos youtubers de estilos de filmagens diferentes, mas ainda assim juntei-os porque criam conteúdos idênticos e são formidáveis no seu trabalho, cada um dentro do seu estilo. 
O Tomás tem das melhores qualidades de filmagens a nível do youtube de entretenimento e os sketches são o melhor dos seus vídeos - conseguimos ver o gosto que coloca no seu trabalho e o quanto se esforça por manter a naturalidade do quotidiano.
A Mafalda usa acontecimentos que tendemos a esconder mas que se sucedem com todos nós e desmistifica-os através da comédia. Em segundos momentos constrangedores passam a ser engraçados e faz-me rir do início ao fim dos seus vídeos.

E a vocês quem é que vos inspira? Contem-me quais são as vossas contas favoritas. Quero-vos conhecer um pouco melhor e quem sabe conhecer novas pessoas que também possam vir a torna-se em novas inspirações para mim.

contas que me inspiram

04/01/2019

porque não?


Desde que entrei para a plataforma e passei a ser mais um membro do Blogger sempre fui muito reticente no que toca à divulgação da minha página, talvez por medo da crítica e talvez porque as pessoas estão tão habituadas a conhecer-nos dentro de padrões que quando nos desviamos um pouco daquilo que nos conhecem existe um impacto de choque. O receio foi-se mantendo e apesar de querer partilhar ideias e experiências importantes com o mundo, mantive-me confortável porque era mais seguro. É certo que é mais seguro, mas porque é que os consumidores de conteúdo saberem da minha existência no blog também não pode ser seguro e mais cativante para mim?

Tenho vindo a fazer esta reflexão interior, que se tem alastrado e modificado a minha resignação relativamente ao facto de me manter presa em caixas. Eu gosto de escrever, e mesmo que as pessoas que me conhecem ou mesmo as que não me conhecem, estranharem esta minha capacidade e gosto, não vai mudar nada. Aliás oprimir o gosto que tenho pela escrita, pelo medo das reações e críticas que possa receber, só me vai fazer sentir pior por estar a abdicar de um sonho que tenho - escrever. Por vezes temos de sair da nossa zona de conforto para conseguirmos atingir os nossos objetivos e se para isso é necessário deixar de ter medo que o meu blog seja descoberto, vou aceitar os riscos e deixar de trancar a sete chaves algo que realmente gosto de fazer. E qual seria o pior que poderia acontecer? Consigo imaginar um ou outro cenário menos oportuno, mas não muito mais.

E se tantas pessoas o fazem, porque é que não posso ser mais uma dessas pessoas, que escreve para pessoas? Também posso e vou continuar a fazê-lo até que a minha vontade o dite.

Não abdiquem dos vossos sonhos ou usem a desculpa: "talvez isto não seja para mim", porque só se estão a enganar a vocês mesmo. Todos navegamos no mesmo barco e todos nós vivemos tempos duvidosos que nos fazem recear a mudança e isso é perfeitamente normal e legítimo. No entanto, deixar-nos influenciar por receio alheio deixa de ser justificável, porque todos nós temos receios de principiante e os outros percebem e aceitam isso, porque também já passaram pelo mesmo noutra situação idêntica. E temos que interiorizar que qualquer conteúdo é feito com um determinado propósito e para um público em específico, portanto não podemos querer cativar todo o tipo de comunidades/grupos etários. O mais importante é gostarmos do que fazemos ao invés de fazermos porque é aceitável por uma maioria de pessoas.

porque não?

01/01/2019

voltar no tempo e reviver 2018


Não é costume partilhar as minhas conquistas nem os meus momentos de grandes emoções. Tanto os que me fazem sentir com o coração quentinho, nem os que me colocam em estado de alerta máximo. Mas este ano, que acabou de terminar, não foi um ano como todos os outros e sinto a necessidade de partilhar o quão especial foi. Atingi objetivos que nunca pensei conquistar este ano, vivi experiências que nunca seriam uma opção a ponderar pela Inês de à 1 ano, que tinha um medo incontrolado de tudo o que não conseguisse controlar, mas principalmente, aprendi mais e tornei-me numa versão melhorada de mim. E por tudo isto, o meu ano resume-se em gratidão. Apesar de todas as tristezas, que também fazem parte, sinto-me acima de tudo grata. Por ter tido a possibilidade de conhecer mais do meu país, evoluir pessoalmente e deixar alguns maus hábitos para trás, acompanhar os velhos amigos e dar as boas vindas aos novos, assim como viver experiências únicas que se fossem noutro tempo provavelmente não seriam possíveis. O tempo é um factor importante e portanto eu gosto de acreditar que se não me foi dado mais tempo é porque não tinha de o ser. Talvez mais tempo estragaria o encanto.

Obrigada a todas as pessoas-luz que me acompanharam e permitiram que as acompanhasse também. Ao meu gato que com a sua partida me ensinou que o importante de uma amizade não está na presença constante, mas no sentimento que permanece como magia. A probabilidade de te ter tido na minha vida era tão baixa e só por si eu já sinto uma alegria tão grande por ter tido essa sorte. 

Obrigada aos meu pais por me terem permitido viver a minha experiência de sonho em Lisboa. Valeu tanto a pena, cada viagem longa para chegar a casa, todas as horas a planear o trabalho para o dia seguinte. Respirar um novo ar e ver que ainda há uma réstia de esperança na minha área do curso foi o empurrão que estava a precisar para continuar a acreditar e alegrar o meu ânimo.

E para além destas experiências recompensadoras, sinto-me completa porque além dos amigos fantásticos que tenho e que tornaram os meus anos académicos numa autêntica aventura, ajudaram-me e acompanharam-me até ao dia em todos juntos pudemos dizer que estávamos oficialmente licenciados - foi um retrato bonito que nunca vou esquecer. Comecei a trabalhar e descobri que as pessoas são fantásticas, que afinal tempo não me falta e é tão bom poder ter o nosso dinheiro.

Obrigada a todos!

voltar no tempo e reviver 2018

17/11/2018

o poder das emoções e conexões


Existe uma frase que ouço muitas vezes e que eu própria já a prenunciei vezes sem conta - "Mais vale estar sozinho, que mal acompanhado" -, prenunciava-a com convicção e realmente acreditava no propósito da frase. Mas com o tempo e se formos recetivos a ouvir as perspectivas dos outros temos tendência a repensar nas nossas ideologias e prespetivas. Com isto não estou a dizer que nos devemos deixar influenciar pelas ideias dos outros, no entanto acho que é importante tanto para nós, como para o outro, sabermos ouvir os seus pensamentos, porque vai possibilitar, além de uma melhor interação e compreensão, propicia empatia que é uma das ferramentas fundamentais para se fomentar uma relação saudável. 

Isto para vos dizer, que cada vez mais acredito que mais vale estarmos mal acompanhados do que estarmos sozinhos, porque as relações interpessoais podem ser trabalhadas através da comunicação, ao compreender motivos e razões, ao expressar sentimentos e muito importante, perceber o que realmente esses sentimentos significam. As emoções são mensagens que o nosso cérebro formula para comunicar connosco para nos transmitir uma mensagem. Portanto, quando estamos perante uma situação problemática ou de decisão, na maioria das vezes, não sabemos o que fazer - o que é normal e legítimo - mas se tentarmos desmistificar as nossas emoções, ou seja, compreender o motivo - o porquê - de sentirmos determinada emoção, automaticamente, encontramos a resposta ao problema que tanto procurávamos. As emoções fazem parte de um campo complexo que nem sempre exploramos como devíamos, e acreditem, as nossas emoções são a chave para muitas soluções, que sistematicamente não as valorizamos por estarem tão próximas. O fascinante, pelo menos para mim, é que o motivo pelo qual não conseguimos exteriorizar as nossas emoções advém da necessidade de expressarmos uma certa vulnerabilidade - na nossa sociedade ser vulnerável é comparável como "pôr o dedo na ferida" e involuntariamente levanta-se uma barreira defensora, para não haver o risco de se ultrapassarem os limites. Em contrapartida, as boas relações têm por base uma boa gestão da própria vulnerabilidade (Ainda existe muito preconceito em volta deste assunto, mas que aos poucos acredito que se vai tornar num conceito).

É possível restabelecermos relações ou melhorarmos relações, porém é essencial não culpabilizarmos o outros porque vamos estar a desvalorizar a pessoa e eventualmente a ofendê-la, gerando logo de partida uma barreira e uma postura de defesa por parte do outro, por se sentir atacado. E diminui espontaneamente as probabilidades de se desenvolver qualquer tipo de relação. Outra questão passa por não exigir ao outro, uma vez que, a pessoa tem de estar aberta à possibilidade de expandir as suas relações, caso contrário a imposição de qualquer emoção ou ligação só a vai afastar ainda mais. Fazer o exercício de aprender a aceitar e tolerar o outro por intermédio de diálogo, empatia e respeito do tempo e espaço de cada pessoa, permite-nos perceber a ferramenta que temos nas nossas mãos e que nos tempos que correm ainda não é utilizada. O poder de criarmos conexões entre pessoas gera bem-estar e bom ambiente, mais do que adotarmos apenas uma postura de simpatia. Porque ao contrário do que nos é incutido, ser simpático não ajuda ninguém, é necessário sermos empáticos com o outro, para percebermos realmente a sua situação e sentimentos, só assim se consegue gerar entreajuda e motivar quem nos rodeia. 

Partilhada a minha opinião acerca do "Poder das Emoções e Conexões", gostava de vos fazer algumas questões, para saber qual é a vossa opinião acerca deste tema.
  1. Qual é a vossa opinião acerca do ditado popular "Mais vale estar sozinha, que mal acompanhada"? 
  2. Nos tempos que vivemos acham que a nossa sociedade precisa de pessoas empáticas ou simpáticas?

o poder das emoções e conexões

12/07/2018

as palavras nem sempre são suficientes


As palavras escapam e por vezes enganam. E eu que nunca fui de muitas palavras, embora viva de conversas em folhas brancas, esferográfica na alma e sentimentos à flor da pele, o encanto das palavras sempre me conseguiu dar a volta à cabeça. Grito. E peço que gritem também. Comigo ou sozinhos. Mas Gritem. Atropelem os sentidos e a alma, sem deixar vestígios de tentativas falhadas, de bocas trémulas que sem saberem o que dizem vão aclamando aos ventos o rumo certo debruçado sob os medos que marcam a alma pejada de nós bastardos. E respirem o sufoco do ar poluído pelas vozes arrastadas de uma humanidade saturada do vazio da impossibilidade de conjugar o verbo "ser" e "poder", em livre arbítrio. E gritem novamente.

A luz cega-nos, a escuridão da noite ainda mais. E nós deixamos que nos controlem as capacidades, os desejos e as virtudes. Gritem. Gritem contra isso, não deixem que vos amarrem as mãos, nem vos atem os braços. Não deixem que vos calem com falácias embebidas em bolas de neve como na política. E tentem mesmo que os custo doem como choques diretos à alma.

Em tentativas falhadas de encontrar o meu pulso dentro dos batimentos que estremecem a minha lucidez, cerro as mãos para que não me vejam de pensamentos cheios. E escrevo rascunhos sórdidos sobre a plenitude da vida e ovnis. A alma foge-me por dias e tende a chegar por humildes noites. Não insisto em águas calmas quando ao meu redor as pessoas correm atrapalhadas por vidas pouco demoradas, abafadas nas suas hipocrisia mínimas, e entre esperas e vindas, de tudo o que não espero, de dores e amores, continuo a escrever sobre os oceanos e o universo paralelo. De olhos cansados, sentada no chão esbaforida de ver futuros mortos à nascença, coloco no caderno um ponto e uma vírgula dia sim, dia não. Se todos soubéssemos o quanto as palavras correm brutas e cruas por todos as quinas, a liberdade da vida estaria na conjugação do verbo "abraçar", "incluir" e "criar", ao invés de se resumir ao verbo "tentar".

as palavras nem sempre são suficientes

03/07/2018

somos todos átomos num acelerador de partículas


Somos pensamentos difusos no silêncio da escuridão numa vida de refugiados.

Tudo nos transcende e tudo nos foge da razão, mas dizem por aí que os ventos trazem a nossa sorte num dia qualquer quando permitirmos acolher a esperança na nossa alma. Não se pode acolher amor ou esperança quando não se consegue sequer entrar dentro do próprio corpo e ver para além do seu ser em personagem assistente de uma vida cheia de tanto ou de nada. Viver é um vácuo ou um universo cheio de estrelas onde se aposta forte e feio que possa ser cheia de tudo, ou tentar acreditar que o possa ser, mesmo que sirva apenas para justificar o medo que existe de encarar a adrenalina que se sente sempre que as circunstâncias dão hipóteses de colidir com meteoritos e corremos a sete pés dali para fora, enquanto há a sensação de que está errado não tentar saborear a sensação do embate. Mas sempre se foge. Mesmo quando nos enfrentamos, há sempre algo a perder, há sempre algo a fugir.

Percebemos constantemente que não vivemos na mesma sintonia, mas são os átomos distintos que nos unem numa só harmonia, porque as igualdades dão-nos alegrias, e as particularidades de cada um definem-nos e tornam-nos únicos no planeta. E é quando damos um passo atrás que percebemos que são as nossas diferenças que nos fazem conectar com lugar, pessoas e sentimentos, que são as nossas desigualdades que nos fazem pessoas mais fortes e lutadoras, são as nossas dissemelhanças que nos oferecem vidas características, que vistas do universo se parecem tão iguais. Somos partículas universais solidificadas na Terra e incompatíveis umas com as outras mas que se transferem de pólo para pólo na esperança de um dia formar uma partícula estável. A vida muda a cada milésimo de segundo - a instabilidade das energias vêem-se ao redor de cada corpo ambíguo que procura o futuro sob as poeiras que se arrastam discretamente pelos ombros e o peso da gravidade que nos puxa para a Terra sem autorização.

Tudo nos parece uma questão de oportunidade, mas a vida não dá oportunidades como quem estala os dedos. As oportunidades são construídas com as diferenças que nos deram, com os gostos que descobrimos, com as capacidades com que nos criaram e com a personalidade com que nascemos.  As igualdades pouco nos valem a não ser meia dúzia de temas de conversa com os amigos que as diferenças nos possibilitaram ver. 

Ainda assim continuamos a fugir...

Devemos olhar para o outro e procurar mais vezes um pouco de nós, porque são as nossas diferentes energias que permitem a criação de ligações. Propagar o autoconhecimento é permitir viver mais o outro e compreende-lo na diferença da igualdade que somos - a humanidade trás a estabilidade que procuramos a vida inteira.

somos todos átomos num acelerador de partículas

08/05/2017

intemporalidades


Algumas imensidões tornam-se pequenas, perto do que a nossa mente pode criar e contraditoriamente projetamo-nos a preto e branco por todo o lado. Projetamos bruscamente aquilo que não somos, quando o sangue nos enche os pulmões e nos bombeia aquilo que somos, enquanto as sombras que, constantemente, transpiramos se dispersam no que pensamos que devíamos de ser. E é nesta revira volta que equilíbrios estranhos se balanceiam numa estranheza comum e irreversivelmente habitável, nós próprios. A nossa essência é essa mesma, um conjunto de emaranhados que nos leva a bom porto mesmo quando o barco sai furado a meio caminho. Somos assim. O ser humano é assim, complicado por natureza, nascido dela, vivendo através dela. Somos pessoas estranhas, que estranhamente caem num mundo onde a estranheza é o ponto mais perigoso e o mais virtuoso, onde aprendermos a viver com essa irregularidade, que nos é dada logo de principio como garantida, com o vigor de que nos irão guiar de algum modo no sentido correto, com uma força que nos faz acreditar que realmente a veracidade é o pico da audácia. Estranho será então dizer que a força que nos move é a mesma estranheza incerta que fez acreditar os anteriores a nós, mesmo sabendo de princípio que o certo não é o totalmente correto e que o errado não é totalmente o pior, mas que apressamos a vida por instantes onde o correto que procuramos não existe por completo. Somos o que somos – vivemos dos espelhos que não temos, da braveza que não criámos, da genuinidade que nos rouba a genética. Somos sombras porque as palavras por si só são tão insuficientes que se fossem silêncios estaríamos cheios de vida e o tempo não bastaria para vomitar a cor de cada dia. Se fossemos silêncios, não seríamos nós.

A vida que somos é o caminho que não vemos e as palavras são o resumo dos silêncios que gritamos. É esta a estranheza com que aprendemos a lidar, porque das palavras se faz a vida, que numerosos sustentos temem e tantos outros alados desejam. A insensatez do contrário traduzir-se-à constantemente numa incógnita em torno da sombra que rabiscamos em folhas de papel velho - tudo se vê com os olhos, nem tudo se vive de olhares. E é assim, nada é tão certo vendo que da vida nascemos nós, filhos de mãe madrasta, progenitores da mentira. Se somos de mentira feitos, porque havíamos nós ser verdade se somos mentirosos. Somos por ser, vivemos por não sermos. São os fardos, o amontoar das velharias que nos torna pessoas, porque a magia está no olhar da desilusão da amargura terrena que nos corrói os ossos e por muito que não se pareça dá-nos a alma que nunca mais teremos em outro olhar. Mas prefiro encará-la como se dela se fizera uma flor, erguida em pétalas, forrada de folhas e tendo em seu suporte raízes com tamanho ignorante. Mesmo sabendo que a imaginação severa pode matar mais que as próprias palavras. 

O desejo sempre será maior que a imaginação, e quando o mar não corre no sentido da corrente, a vida morre nas pedras, encurralada. Porque os ânimos enlouquecem entranhas vazias da alma na esperança de que a imaginação seja realidade, para que os delírios não sejam apenas loucura de um Homem doente.

intemporalidades

04/05/2017

afogo-me em anatomias pálidas


Vida é coisa que não tenho, mas se vida for sentir já foi tempo que a tive, hoje nem a sinto por muito que queira. Por muito que cale, nem o silêncio me traz de volta a mim quando ando em volta dele e canso-me de não sentir. Se sentir for nada, sinto como se tudo fosse nada, mesmo sabendo que por vezes é tudo. E é-me tudo igual.

Alento a brisa que não passa, entre o nada e o acordada e é o silêncio que respiro. Não o penso apenas o sinto. Não o atento nem o desminto. Enquanto durmo e não adormeço, olho as estrelas. O infinito está sem nuvens, sem lua, sem barulho galaxiar. Vivo sobre o abalo desta vida, não por ser ou deixar de ser, apenas porque a incerteza me move em sentido nenhum e o tiro que a vida me deu, sou eu a bala. Onde quer que vá, onde quer que toque, expludo-lhes com os “miolos”. Quem sou eu? Uma bala, sou uma bala – Ou saem da minha frente ou morrem ou talvez morra eu se cair em mim. O meio-termo nunca me chegou nem aos calcanhares do suficiente. Ou é tudo ou não é nada e neste momento é mais nada que tudo. Não me sei encaixar deste modo, porque nem a vida gira para a direita nem para a esquerda, nem se torna certo nem errado, nem me deixa querer ou deixar de querer. Já foi tempo em que procurava a minha vida entre as frinchas da persiana, enquanto te via chegar apressado a um amor sem pressa de acabar no tempo. Se te sabia os passos decore e salteado. De trás para a frente e da frente para trás. Se te sabia o sabor a limão em cada beijo que me roubavas. Não te sei mais. Hoje vivo na incerteza de procurar a essência a que pertenço e consome-me o esplendor não saber como ser realmente. Tanto sou maresia como maré viva e sinto-me tão estranha por me encontrar enjaulada dentro de conceitos e preconceitos, que a mente casualmente me torna incapaz, insuficiente e incrédula. O rumo nunca será o certo, a incerteza sempre será o refrão de um corpo semivazio e que constantemente se perde na obscuridade do sem sentido literal... Mas ainda assim tudo se torna tão pouco para se ser. Anacrónica – deveras o digo sim; Sei ser, onde não sou e quero estar onde nunca estou. Se um dia me vires passar, e se passar sozinha, de verdade não o sou nem o estou, tenho nenúfares de outrora na alma.

Caos em pessoa. Sou o maior caos, a minha cabeça é pior que uma bomba atómica - era capaz de acabar com dois Mundos iguais a este. Cada palavra que digo, na maioria das vezes, é como um tiro em ar seco e espingarda ao ombro marcando sentido às ordens. Não sou fácil de perceber, nem fácil de aturar. Dizem-me sempre que vivi como se tivesse reboliços de poeira em guerra a pairar na alma. Sou bomba relógio em constante contagem decrescente e sem aviso prévio de explosão. Continuo sem saber quem sou, nem sei se o quero saber, conhecer-me vira-me os pés para a cabeça. E então, nunca estou onde quero estar e isso já me basta para não saber nada. Já que nada sinto e nada vou sentindo, o melhor é não saber e saber que nada sou e nada sei.

Serei o caos ou a utopia?

A angústia de saber que sou alguém perdido entre milhões é o medo que as minhas palavras não tecem, nem em papel.

afogo-me em anatomias pálidas

22/02/2016

sonetos de lua cheia


Não sei se os meus gritos vomitam poesia como me contam, mas sei que vomitam silêncios constrangedores na minha cabeça, constantemente. Nostalgia. Existem demasiadas epifanias em versos com enigmas inúmeros em combate no escuro das entrelinhas dos meus pensamentos.

Acho que os poetas são loucos desde a sua própria origem, a culpa é do sangue que lhes fizeram correr nas veias. Eles só vivem e morrem por viver. Servem até à morte a poesia que lhes torna o sangue venoso sensível ao ar que respiramos por ambição.

São as almas menos retorcidas, sinceras e mais cativantes. Os seres mais ridiculamente apaixonados e estupidamente inocentes. Mas soa tudo tão bonito neles. Não existe o mal, até a tristeza é suficientemente pacífica de se sentir sem se querer que acabe em segundos. As palavras ouvem-se diferentes por cada eco fechado entre consoantes viscerais e sílabas agudas.

Os poetas são almas preclaras em corpos comuns.
Aprenderam a viver com o mundo e com a realidade. Sabem ver tudo tão bem e viver com a maior das satisfações inocentes, que a calma dos seus dias é a rapidez do final dos nossos.

sonetos de lua cheia

06/04/2015

the storm in the ocean


Here is the place where I find myself. Under the half-sun and its half-light. I said, this is my life. And I want you to know that I’m both happy and sad and I'm still trying to figure it out how that could be. Maybe earth laughs in flowers and cries in weeds. So I learned something about sadness after this day.

The sea always showed me insanity, was like a promise I didn't do. Like an open window, seven storeys high. And it was just as terrible and as beautiful at the same time.

And all his depth was holding me look like a storm cloud, like a thousand aquatic stars. But when my gaze drowns in the sea I can see the flowers and understand the weeds that were born within me - in this moment I breathe and I leave the silence float.

the storm in the ocean

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