lifestyle
14/08/2020
falta-me a tua alegria
Sinto a tua falta mais que nunca. Ainda habitas este mundo trágico, mas ao mesmo tempo é como se já não tivesses presente. Estás completamente agarrada a essa cama sem uma réstia de vida e porquê se naquele dia apenas íamos ao encontro do avô para lhe deixar flores e limpar-lhe a casa que habita em espírito. Era um bom dia e de reencontros felizes. Mas as únicas lembranças que ficaram desse dia foi o aparato de entrar pelas urgências do hospital adentro com a esperança que mais uma vida se salvasse. E lembro-me igualmente das tuas palavras: “Eu vou para casa contigo” ás quais respondi: “Descansa! Amanhã venho-te buscar logo de manhã já boa”. As tuas palavras ressoam na minha cabeça cada vez que penso se não teria sido a melhor opção depois do nada que te fizeram para te salvar. E dói-me deduzir que talvez te tenha roubado um fim digno com a decisão que sobrepus à tua. Só te queria bem e de saúde. E queria-o tanto que a minha esperança superava cada especulação que os médicos e enfermeiros me iam dizendo ao longo das visitas diárias à tua cama do hospital. Lutaste contra todas as tuas dificuldades adquiridas e conseguiste resultados impossíveis. A cada visita havia uma nova melhoria que me fazia ignorar todas as informações do teu estado clínico. Mas o tempo passa e tornasse um peso custoso de carregar. Sei que sofres mais do que algum dia pensaste e apesar de não falares eu sinto-o no teu silêncio. E dói-me tanto só de o perceber. Desculpa não conseguir matar a dor que tens na alma, que te atormenta e te relembra todas as horas que o teu destino terminará exatamente da maneira que mais temias. Sei que quando deixares de nos presenciar com a tua presença tranquila, em corpo, vais ter o descanso que mereces. E é apenas este alívio que me deixa assolada, mas estável.
Sinto falta de ti aqui em família. Sinto falta de chegar a casa depois das aulas ou do trabalho e estares á porta para me receberes e me perguntares como me correu o dia. Porque afinal de contas foste sempre tu quem estava presente todos os dias, não apenas em visitas de médico em datas festivas ou nas férias de verão da escola quando era miúda. E isso era o que mais importava, a presença. Sinto falta de te desejar uma boa noite todos os dias e ouvir a tua voz como troco. Sinto falta das tuas histórias de aventuras imensas de quando eras catraia. Acima de tudo sinto a casa mais vazia sem ti.
Dizem-me muitas vezes que herdei a maneira de ser do meu avô, até os gostos e o modo de estar. A verdade é que não me identifico com ninguém na família que conheço desde que me lembro de existir. E eras tu, avó, que me acalmavas a ânsia e curiosidade de o conhecer com as tuas histórias sobre o avô, o teu marido, sempre que reforçavam em conversa corrida o quanto éramos parecido e o quanto eu iria gostar de o ter conhecido. E sabes que mais? Fizeste-me querer que sim. Porque o avô sempre será a parte que me entenderia e faria sentir compreendida, mas tu, sem o saber, atenuavas a perda que eu sinto. E agora quem me vai contar as histórias que só tu sabes? Tenho tantas saudades das tuas gargalhadas repentinas à mesa durante a refeição. Tenho saudades que te rias das palermices que saem da minha boca sem qualquer filtro, e de todas as vezes que alinhavas nas minhas brincadeiras mesmo com os teus preciosos 90 anos de menina, como se tivesses a minha idade. Não sei como vou aprender, um dia, a lidar com a tu falta porque nem sequer consigo lidar apenas com a tua inatividade.
04/08/2020
a dú(vida) é a resposta
Quando o poder de viver a vida com que tanto se sonha é roubado para cobrir as necessidades das obrigações como membro da humanidade, de família e pessoa consciente da sua moralidade, ganha-se uma certa repulsa à vida. O medo de dar um passo maior que a perna e sentir a adrenalina de escapar uns segundos da rotina, já não é mais uma ânsia. Os medos desaparecem na corrida dos anos que passam sem que a reforma, de um posto que não se escolhe, chegue. E a indiferença vai crescendo das cinzas da inocência.
Se algum dia tiverem o atrevimento de te perguntar: o que queres da vida? Sê descarado o suficiente para responder que a vida é que quer algo de ti e ainda não teve a coragem de o mostrar. E pouco mais. Porque ao fim de tantas tentativas apenas a resposta que esperamos será o único cenário significante. O antes será apenas experiências que nos guiam à resposta que a vida nos deve mas em nada se esmera em esconder. A ironia continuará a ser uma prevalência na humanidade enquanto permitirmos que nos cegue. Tenho pena de por vezes não ser capaz de ver aquilo que está diante dos meus olhos, que seria um escândalo se um dia soubessem de metade. Não sei se a psicologia tem um nome para esta condição para que a possa categorizar como um distúrbio. Mas a meu ver deveria. Porque todas estas dúvidas geram questões desconcertantes que terminam sempre em "porquê?" ou "será desta vez?".
Todos procuramos respostas às nossas carências mentais, uns mais que outros. Todos temos questões que gostaríamos de ver respondidas ou que tivessem sido feitas no momento oportuno. Todos temos dúvidas que preferíamos que fossem antes certezas. Mas vivemos mesmo assim na dúvida desconfortável porque a certeza é ridícula. Questionamo-nos tantas vezes o porquê da vida, mas no fundo a única explicação que procuramos em todas as perguntas retóricas é o significado da nossa essência. Quem sou eu? Apenas desejamos conhecer-nos com a mesma facilidade com que decoramos os gostos, necessidades, qualidades, afeições e limitações de alguém. Contudo se fosse assim tão fácil o que seria feito dos nossos pensamentos? Não são as respostas que importam mas as perguntas. O mistério está na dúvida, porque quanto maior o número delas mais próximos estamos da natureza substancial do nosso ser.
Apesar de não saber lidar com a dúvida não me incomoda como a insatisfação constante que me ferve as veias. Confesso que me sinto o Álvaro de Campos dos tempos modernos como se o meu estado de espírito andasse na corda bamba entre a fase decadentista e a intimista. Este ênfase à desilusão que permanece e parece não querer terminar leva-me constantemente à mesma resposta insolente - Não Sei! E esta fadiga que a vida assumiu como minha é o prémio que se tornou mais um problema que um consolo. Como vou chegar a mim se não tenho a energia para chegar até lá? Como vou saber quem sou se não sou capaz de descodificar o que sinto, cada vez que me sinto?
Por vezes dou por mim a perguntar-me o que teria sido de mim se tivesse tido a liberdade emocional e moral de poder viver os meus sonhos para além do hipotético. Não consigo evitar de pensar nos cenários que não tive oportunidade de viver, nas experiências que podia ter tido, as asneiras que podia ter feito e aprendido. Ainda assim, não consigo ignorar que os valores sob os quais me tento descobrir são fruto da vida que não escolhi, nem sonhei.
Todos os dias vou adormecer a sonhar com a vida que quero para amanhecer fortalecida na realidade que me foi reservada por algum motivo.
02/05/2020
life is a mirror
Todos os dias há alguém no mundo que se queixa do quanto a vida está a ser injusta consigo, do quanto se sente triste porque os motivos que a faziam sentir feliz já não existem mais (pelo menos não da maneira como pretendiam ou conseguem ver), do quanto sente falta de sentir amor ou qualquer outro sentimento que a traga de volta à corrida (quando o amor maior que devia ter era por si). Todos acabamos, eventualmente, por passar por esses mesmos dias em que imploramos que a realidade não seja tão dura connosco. Sentimo-nos injustiçados de tal ordem que mesmo quem não acredita em Deus é capaz de cometer a injuria de pedir por um milagre. É normal sentirmos que perdemos o controlo da nossa vida de vez em quando, porque a verdade é que nunca o tivemos, nem nunca o teremos, a diferença é que na maioria dos outros dias estamos demasiado ocupados para nos apercebermos disso. Os dias vão passando na ilusão de acharmos que sabemos o que estamos a fazer, que andamos a cumprir a agenda previamente planeada, que estamos no controlo, mas a vida está apenas a fluir sob os nossos dias. Sem dramas. E percebemos isso quando acabamos por fazer algo que não nos apetece mas tem mesmo que ser feito ou adiamos algo porque não é isso que a vontade está a pedir ao nosso corpo e acabamos por ceder ao pedido que o nosso corpo nos faz. Deixar fluir a corrente é mais favorável que insistir num controlo ilusório. A humanidade deixou de acreditar no destino e na energia do seu caminho porque é mais fácil acreditar em planos que são certos, perspicazes e que pouco nos desiludem. Este é o nosso grande problema. E o que nos engana mais é acharmos que os planos que fazemos são nossos, que vêm de nós. As vontades são nossas se as virmos à superfície, ainda assim não passam de formas de expressarmos quem somos. E ser é uma matéria concreta que não podemos alterar quando queremos (pelo menos a nossa essência), é obra do destino do que nos calhou na rifa. E se o destino é que nos controla como podemos achar que controlamos seja o que for? Como podemos descredibilizar o destino como o fazemos? Deixá-lo de lado é o mesmo que não acreditarmos na nossa vida, no nosso futuro, na felicidade. Todavia, a vida é feita de espelhos que nos permitem dar sinais e sugestões a quem está no comando. Apenas recebemos o que acreditamos. Se vivermos a queixar-nos do que não temos ou deixámos de ter, a mudança que tanto pretendemos para sair do buraco nunca vai chegar. Ao contrário, se acreditarmos que somos capazes de fazer melhor, a vida deixa de ser tão radical. A vida é complexa mas não tem de ser difícil, é tudo uma questão de perspetiva. Acredita naquilo que queres ver, e verás.
05/04/2020
Ansiedade
Sinto-me a desligar todas as vezes que o vazio me expulsa do meu próprio corpo ao empurrão e me abafa de mim. O ar começa a faltar e o controlo também. Quanto mais tempo dura menos resistência vou conseguindo ter. É uma luta que não consigo evitar ter, nem ganhar. Mas eu tento. Tento tanto. Com tanta força, com todas as minhas poucas forças. Desespero como se estivesse a mergulhar num mar profundo de mãos e pés atados e pesos nos bolsos. E esta sensação é uma constante triste e realista a acontecer a cada respiração ofegante. O descontrolo chega a uma velocidade criminosa e choro desalmadamente, o meu tórax colapsa com as oscilações abruptas em busca de ar que não precisa. Dói. Mói uma dor cá dentro que massacra mais a alma que o corpo, que permanece após o impacto, que acorda quando lhe apetece para me fazer lembrar e sofrer só porque preciso de desligar por uns segundos. As notícias fazem-me pior e o que me rodeia por vezes não é exceção - acha! Ela vem para ensinar que não se pode controlar tudo, que nem tudo está ao nosso alcance nem ao nosso encargo de mudar e que nem tudo depende de nós. Mas esta dor que me torna invisível aos meus próprios olhos é uma lição dura de aprender, mas a sensação de um dia poder atingir o fôlego à superfície da água depois de um valente mergulho às profundezas do mar infinito é a esperança que guardo para dias de sufoco. Acreditar é a única forma de atingir uma plenitude negociada sem ter a sensação do peso do ar raro. Talvez um dia a sua presença dentro do meu espírito já não me incomode.
Quero acima de tudo enviar um abraço muito especial a todas as pessoas que sofrem de Ansiedade (seja ou não diagnosticada) e que estão a passar por esta quarentena necessária mas difícil.
Primeiro, cuidem de vocês!
05/01/2020
2020 : Concretizar
Começou um novo ano e como já é tradição fiz algumas listas que me vão servir como base para o planeamento do meu ano - não fosse eu a louca das listas para tudo e mais alguma coisa. Estas listas ajudam-me a visualizar melhor como posso incluir na minha rotina diária o que pretendo alcançar e/ou melhorar, de modo a que não se torne uma sobrecarga, seja um processo agradável e me sinta satisfeita no final.
Hábitos de Leitura - Quero ler mais que o ano passado e mesmo que ache que não tenho tempo, há sempre uns minutos que posso aproveitar para ler. Portanto vou começar, outra vez, a levar livros comigo para qualquer lado que vá. A meta para este ano é ler no mínimo 1 livro por mês. (Podem acompanhar as minhas leituras por aqui!)
Dizer Não e Sim - Tenho sempre muito receio de dizer que Não em diversas situações e acabo por dizer que Sim a tudo o que me pedem. Mas este ano quero mudar isso e dizer mais vezes que "Não", quando realmente não quiser, sem medo de represálias. E em contrapartida dizer mais vezes "Sim" às oportunidades que surgirem mesmo que tenha medo de arriscar.
Estimular a Criatividade - Tenho sentido necessidade de cultivar a minha criatividade, experimentar novas maneiras de me expressar e fazer conteúdo. E principalmente sinto falta de fotografar, por isso vou investir em algum material fotográfico e criar, nem que seja só pela diversão de o fazer.
Meditação - o ano passado experimentei pela primeira vez meditação e gostei do resultado que teve em mim. Acalma-me e mantêm-me calma durante alguns dias. E como é disso que preciso vou meditar 2 vezes por semana, no mínimo.
Beber Água - bebo pouca água ou quase nenhuma e o facto de me hidratar mal afecta substancialmente o meu organismo o que não me permite ser totalmente saudável. Assim sendo vou tentar beber cerca de 1,5 litro de água ao dia. Chá sem açúcar também conta como água, porque eu sei que não vou aguentar beber tanta água só por si - vamos ser realistas já do princípio.
Arriscar na Cozinha - sou um pesadelo na cozinha. Sei o básico: fritar ovos, arroz branco ou com qualquer coisa, bifes grelhados ou fritos, qualquer carne estufada, massa e pouco mais. Sendo que a minha maior especialidade é massa à bolonhesa - podem-se rir que eu também me estou a rir. E claro, não há quem aguente comer sempre o mesmo e portanto estou determinada a aprender umas receitas novas este ano para variar um pouco mais os pratos. (É que nem doces consigo fazer, sai sempre tudo mal).
Viajar - todos os anos viajar faz parte das minhas metas, nem sempre é possível, mas todos os anos insisto porque é o melhor remédio para a minha alma. Liberta-me. Este ano gostava de viajar com amigos, mas se não for possível ter companhia estou tentada a ir sozinha.
Língua Nova - gostava de aprender uma nova língua como Francês ou Italiano. São duas línguas que me fascinam desde sempre e cativam a minha atenção de uma forma que não sei explicar. Sempre foi um desejo aprender a falar uma destas línguas só pela estima que lhes tenho.
Insistir e Não Desistir - à cerca de 5 anos atrás tive uma ideia que se transformou num sonho que não consigo parar de pensar e tentar torná-lo realidade. É algo óbvio para a pessoa que sou, difícil de criar no sentido de ser um desafio constante, mas que não é impossível tornar visível. Ainda não consigo dizê-lo em voz alta porque sinto que dá azar, ainda assim penso que nem quando for material vou acreditar que é real. Este ano foi feito para concretizar sonhos e eu acredito que o meu possa fazer parte desse nicho de sonhos em vias de concretização.
30/12/2019
O meu 2019
O meu 2019 foi uma montanha russa cheia de altos e baixos, de adrenalina à flor da pele e aventuras em formato de quebra cabeças. Este ano permitiu-me concretizar alguns objetivos, poucos, mas principalmente foi o ano que mais me pôs à prova tanto pessoalmente como espiritualmente. Não foi um ano de sucessos infindáveis nem de sonhos concretizados, no entanto, foi um ano que me trouxe muito em poucas ações. Um ano que apesar de tudo me deixa feliz por me mostrar que perder ou não chegar onde se pretende por vezes é melhor que ganhar, porque o nosso caminho nem sempre passa pelo que idealizamos para nós e sinto-me grata pelo destino estar do meu lado. Foi um ano de lutas, muito trabalho, alguns sorrisos, decisões difíceis mas valiosas, amizades, independência e reencontros.
E como os episódios positivos da vida é que nos permitem criar e guardar memórias, aqui vos deixo as minhas boas recordações do meu 2019:
JANEIRO
- Fui ver o Cirque du Soleil
FEVEREIRO
- Alterei a "imagem" do blog
- Experimentei meditação
- Fui ao cinema (diversas vezes)
MAIO
- Decidi começar a caminhar para fazer algum exercício físico (o entusiasmo durou pouco tempo)
- Investi num novo portátil
- Novo corte de cabelo (passei a ter franja e gostei)
JUNHO
- Comecei a fazer voluntariado
JULHO
- Fiz uma maratona de filmes (que planeava ver à imenso tempo, mas nunca conseguia)
- Fui ao Quizz com amigos (e torná-mos a repetir porque foi divertidíssimo!)
- Vi um concerto ao vivo da banda "American Authors"
SETEMBRO
- Passei tempo de qualidade com os meus amigos
- Remodelei o meu quarto
- O meu aniversário
- Arranjei um segundo emprego
DEZEMBRO
- Jantares de Natal
- Tirei uns dias para descansar, relaxar e cuidar de mim
Para o novo ano que está prestes a chegar quero concretizar sonhos e viver de alma livre, quero conhecer e aprender tudo o que for possível e a vida me permitir. Quero dizer mais vezes que Não sem medo e que Sim também, às oportunidades que surgirem. Quero tudo muito e espero que 2020 também o queira porque estou pronta para fazer de todos os dias uma nova festa.
Um ótimo 2020 para todos vocês que me continuam a acompanhar e um obrigada cheio de gratidão pelo apoio que me dão. Que 2020 vos faça felizes, vos traga sucesso e acima de tudo muito amor!
20/12/2019
Libertar-me para 2020
Talvez ainda seja cedo demais, pelo menos para algumas pessoas porque ainda nem chegou o dia de natal, mas para mim esta é a altura ideal do ano para fazer uma retrospectiva do mesmo. Gosto de o fazer com tempo para que seja um processo natural, fluído e poder dar espaço para que as lembranças e memórias surjam a seu ritmo. Permitir-me fazer esta retrospectiva faz-me perceber que a vida é feita, acima de tudo, de resiliência para com os outros mas principalmente para connosco porque a vida é uma aceitação contínua. No entanto, como não considero possível fazer todo este processo num só dia este ano decidi torná-lo um pouco diferente tornando-o mais prático e visível. Com isto quero dizer que criei uma lista de tópicos dos quais vou preencher ao longo dos dias até ao final do ano de acordo com o que vou revivendo. E como o bom disto é adquirir boas energias para começar o novo ano em cheio de mente limpa e perceber o quão positivo foi o nosso ano, tento ao máximo não dar importância aos episódios negativos, no entanto não considero que devam ser totalmente ignorados, sendo que ao invés de encaminhar os meus pensamentos para a ocasião negativa prefiro pensar sobre o que de bom acabou por trazer à minha vida.
Os tópicos são os seguintes:
- O que ainda tenho por fazer para começar um novo ano em sintonia
- Que lições de vida aprendi este ano
- O que consegui
- O que quero / preciso de mudar
- Quais os meus sonhos a partir deste momento
17/11/2019
she wore wild flowers in her hair
Abrandar o tempo devia ser um poder humano tão natural como a capacidade inevitável de pensar a todo o instante. Seria como prolongar o impactante lado da vida e o fútil também não seria excepção, mas apenas por dentro do nosso olhar como se fosse uma filmagem em câmara lenta gravada no íntimo da nossa alma. O olhar seria sereno, sem que nada conseguisse interromper a fixação que imponha em si, dentro do mundo paralelo que estimava juntamente com a vivacidade que se estancia no ritmo do quotidiano. Um feito de calmaria, atenção ao pormenor, alegrias que acalmam e dores que ensinam. Enquanto do outro apenas nos restam maratonas que por vezes nem damos por o tempo passar.
Seria como viver memórias instantâneas e momentâneas, os sentimentos seriam tão intensos que seriamos capazes de os sentir até ao âmago do nosso estômago. Em simultâneo tudo se via e viva de igual forma, como se nada fosse. Seria como se os pensamentos se transformassem em imagens que passam por flashs. E se dermos conta seriamos mundos com dois mundos paralelos dentro do nosso próprio globo. Se os pensamentos chegam a ser aborrecidos, mas compensam com as suas cantigas malandras que mais parecem ninfas que nos mudam as ideias e nos empurram para a luz. Poder viver a ver com olhos interiores teria tanto de bom como de mau, mas certo é que seríamos pessoas mais tolerantes com o outro.
06/09/2019
vinte e três
Não acredito que a passagem de ano seja o fechar de um ciclo e o começo de outro, mas sinto essa oportunidade de recomeço uma vez por ano no dia do meu aniversário.
Ontem completei mais um ano de vida e ainda nem acredito que já estou nos 23, além de não aparentar - o que é questionável - também não sinto que os tenha. O que sinto realmente é que o tempo passa rápido demais. E não foi apenas este ano, mas todos os outros anos anteriores dão-me esta sensação de rapidez meio incomodativa que me faz questionar se estou a aproveitar o meu tempo ou se estou apenas a deixá-lo passar.
Não gosto de fazer anos porque a ideia de completar mais um ano de vida está descontextualizada e subvalorizada nesse sentido. A celebração do marco de nascimento não é apenas mais um número que acrescentamos à nossa sobrevivência como motivo para organizar uma festa. Tudo certo se quiserem festejar a vossa existência, mas é muito mais para além disso.
Esta passagem, para mim, é uma celebração interior onde o que importa é o meu estado de espírito, as minhas perspectivas e ideias sobre o que me rodeia, os valores que me movem e os sonhos/objetivos que mantêm entusiasmada ao acordar e me quebram a monotonia da rotina. Não é um número que irá espelhar o meu estado de espírito, nem a roupa que usarei para a festa que representará o meu olhar sobre o Mundo, muito menos a festa em si me vai fazer acreditar ainda mais que sou capaz de concretizar os meus sonhos.
Sempre que faço anos sinto emergência em refletir sobre a minha essência para perceber quem fui, em que fase me encontro atualmente e onde quero chegar. Esta reflexão permite conhecer-me, aceitar-me e valorizar-me pelo que sou genuinamente. Permitir-me que me conheça tão bem é o melhor festejo que posso oferecer a mim mesma num dia que é um bocadinho mais meu que todos os outros dias.
É fascinante perceber os obstáculos que ultrapassei, os objetivos que atingi e os sonhos que concretizei, o quanto evolui emocionalmente e o quanto aprendi num espaço de tempo de 1 ano sem me ter apercebido disso. E se no ínicio tinha dúvidas em relação ao meu tempo estar ou não a ser bem aproveitado, deixo de as ter. É importante refletirmos sobre as nossas conquistas, porque quando achamos que estamos a ir demasiado devagar em relação ao tempo, temos a surpresa de perceber que afinal era só uma ilusão.
Todos nós temos o nosso tempo, abraça-o!
04/09/2019
i wish i knew you when i was young
Descobri esta banda de rock americana hoje e não estou a conseguir ouvir mais nada, nem parar de ouvi-la. A sensação de encontrar novas bandas/músicas que nos cativam tanto quanto esta me está a prender é tão boa que só queria todos os dias poder descobrir algo que não conhecia. Hoje sinto-me um pouco mais culta e em mim.
Já conheciam os "The Revivalists"?
11/05/2019
desabafos: bloqueio criativo

Os pensamentos vivem que nem um terramoto em mim. Essencialmente em dias como este que a minha voz não se consegue fazer ouvir, que não se consegue expressar, que não consegue fazer sentir a sua vibração no coração alheio. Tenho tanto que quero partilhar, tanto que quero poder exteriorizar da minha mente hermética para palavras, mas não consigo fazê-lo. Passam semanas desde que este bloqueio assolapado decidiu chegar para ficar e com isto todos os começos me soam ridículos, tal e qual como o de agora.
Não me falta vontade de libertar a tensão vinda de ideias que se vão acumulando aos poucos. No entanto o bloqueio parece aumentar a cada ideia nova que tenta iluminar o meu problema e com isto a cada novo pensamento a ideia vai-se tornando um pouco mais inútil.
Cada vez que tento a intenção está no sítio certo, o rascunho nem de perto e as ideias são muitas mas não falam. Só quero gritar. E grito mesmo. Grito na esperança que alguma poesia saia por engano ou de um tropeço.
E com isto, contento-me com frases que me surgem aleatoriamente no meio da tempestade dos meus pensamentos, durante os meus últimos dias, nos momentos menos oportunos.
26/04/2019
1+3: situação de coragem

Acho que nunca tive nenhum ato de coragem em particular, pelo menos nenhum que seja marcante o suficiente para ser lembrado para o resto da vida. Para mim, tomar decisões importantes que tenham peso no nosso rumo são por si só pequenos atos de coragem. Talvez não devesse ser assim por transpareça, aparentemente, insegurança ou possivelmente signifique incerteza. Mas quero acreditar que questionar o propósito das nossas escolhas faz parte de um processo planeado e pensado ao pormenor. E não sinónimo de uma dúvida constante. Porque sempre vi o propósito de questionar como mecanismo de evolução pessoal, como uma espécie de metamorfose que se ao percebermos o grau de importância da sua existência e/ou valor a nossa sabedoria cresce mais um pouco. Somos mais compostos intelectualmente a cada resposta que encontramos para as nossas questões e é por isto que para mim dizer um sim ou um não, ou mesmo escolher a opção mais certa implica coragem, estamos a acrescentar-nos um pouco mais a cada segundo que passa - vivemos a contra relógio com a pressão de tentarmos passar pelo tempo sem darmos por ele passar por nós.
Para mim coragem é uma maneira diferente de dizer e mostrar que acreditamos em nós mesmo que por vezes as escolhas que tomamos não nos levem a lado nenhum.
06/02/2019
como descobri que gostava de escrever

A disciplina de Língua Portuguesa nunca foi a minha disciplina favorita. Sempre fui mais virada para as ciências e portanto na altura Físico-Química fazia de mim uma criança feliz. Vou deixar-vos mesmo aqui logo de começo um twist engraçado - quando entrei para o secundário afinal percebi que só gostava mesmo era de Química. A parte da Física deixava-me de cabelos em pé sempre que tinha que estudar. Voltando no tempo, eu era uma aluna mediana alta. Tirava boas notas mas não era a melhor aluna da turma, era interessada mas não ao ponto de participar ativamente nas aulas às perguntas feitas pelos professores. E ao contrário de muitas crianças, que gostavam de ir à escola, mas detestavam ir às aulas "porque era uma seca", eu era aquela que fugia à regra nesse sentido. Apesar de adorar os tempos livres dos intervalos e as horas infinitas que era o tempo de almoço para conviver com os amigos, também gostava igualmente de estudar e ir às aulas.
Sempre que um adulto nos perguntava se gostávamos de estudar todos negavam menos eu. Mas sempre achei que era normal, apesar de muitas das vezes me dizerem "Tu não és normal!". Tínhamos apenas gostos diferentes. Na minha cabeça era tudo muito simples porque até quando chegava a meio das férias de verão tinha a sensação de saudades de estudar. Se me perguntassem se gostava de fazer testes é que já era outra questão à qual formei uma opinião muito própria desde muito cedo - o ensino em Portugal não é dos piores, mas em termos de métodos de avaliação como processo de aprendizagem e processamento dos conteúdos estamos muito aquém daquilo que é importante. Isto porque os meios de avaliação escrita são nada mais nada menos que um teste à nossa memória, enquanto deveria ser um teste aos nossos conhecimentos. E por isso é que não me sentia confortável sempre que tinha um teste para fazer. Não é que odiasse mas deixavam-me exageradamente nervosa ao ponto de ter falhas de memória.
No que se referia a teste de Língua Portuguesa o pior era o último grupo de avaliação - a composição -, e não era por o limite de palavras ser muito ou pouco, nem por nenhum outro limite que nos eram dado, mas pelos temas horríveis que não cabiam na ideia de ninguém. Fazia sempre a composição a custo e nunca conseguia ter mais do que 50% do valor do que aquele grupo valia. Como já era uma constante já me tinha consciencializado que no exame do 9º ano não iria conseguir melhor.
O dia do exame tinha chegado. Estava pior que o costume, parecia uma pilha de nervos e nada me fazia acalmar. A primeira questão que vi, lembro-me como se tivesse sido ontem, foi o tema da composição e após ter respondido a todos os grupos anteriores do exame, fiz o meu rascunho da composição - era sempre a aluna que perdia tempo a fazer rascunhos e depois passava tudo direitinho para a folha de teste porque não gostava de ver tudo rasurado, quem é que também o fazia? - e passei satisfatoriamente para a folha. Senti que tinha corrido bem e que era a melhor resposta que alguma vês tinha dado num teste daquele tipo.
Ao sair do exame a nossa professora respondia-nos sempre a todas as questões que quiséssemos sobre a avaliação para termos noção do que fizemos e pedi-lhe que desse a sua opinião sobre o que escrevi na minha composição. O tema era darmos a nossa opinião sobre o Projeto LER+, o que até era interessante para variar. E foi ao ver o ar de espanto da minha professora ao terminar de ler a minha composição de exame, em 2010, e o meu sorriso com que terminei de escrever a composição que percebi que afinal gostava de escrever. Gostava de ter guardado o meu primeiro texto a sério, mas na altura não me ocorreu que um dia gostava de recordá-lo. E para ser sincera não percebi perante o momento especial em que me encontrava. Só uns dias mais tarde é que percebi, mas já tinha deitado a folha fora. O momento ficou e para mim isso é o mais importante. Até porque não é todos os dias que descobrimos mistérios destes sobre nós. E por incrível que pareça, existem frases dessa mesma composição que, hoje em dia, ainda me lembro que eram parte do que tinha escrito.
24/01/2019
devemos praticar mais o auto elogio
Para muitos de nós, uma das piores tarefas que nos podem pedir é enumerarmos algumas qualidades próprias, mas se pelo contrário também nos pedirem para mencionar alguns defeitos, a tarefa passa a ser facilitada em todos os sentidos. Temos tendência a conhece-nos melhor pela negativa do que pela positiva. Ou talvez temos mais facilidade em admitir os nossos defeitos? O ego é um compartimento complicado de gerir e muitas vezes deixa-mo-nos levar pela sua voz altiva. O ego tanto pode ser o nosso maior inimigo como o nosso melhor amigo. E por si só é assustador.
No fundo acho que todos nós sabemos quem somos e portanto sabemos quais os nossos defeitos tão bem como sabemos as nossas qualidades. Se não formos capazes de nos conhecermos, nunca ninguém nos vai conhecer melhor. Até porque os outros só conhecem o que permitirmos e por norma somos um todo espalhado por vários fragmentos que oferecemos a quem nos é especial. Somos um uníssono de parcelas, e todas elas são verdades (mesmo sendo diferentes entre si). Acredito que o que custa não é quando descobrimos quem somos na maior plenitude possível, mas quando ganhamos a coragem de o exteriorizar. Mostrarmos que sabemos que temos determinadas características boas e que ainda por cima gostamos dessas nossas qualidades é que nos assusta. Portanto escondemos que o sabemos.
Questionava imenso o porquê do ser humano negativizar tanto o "eu". Quando percebi, que na verdade não passava, na maioria das vezes, de um escudo de proteção contra qualquer riso alheio que fizesse o nosso ego retaliar - "Eu avisei, não me quiseste ouvir, mais valia teres ficado calada". Apesar de ser natural, pois todos temos qualidades e defeitos, não é socialmente aceitável dizermos que temos qualidades. Porém quando são mencionadas por outras pessoas já não é um drama. Mas porquê? Se são parte daquilo que somos, porque é que não podemos mostrar orgulho no que temos de bom? Esta opressão social, que vive desde sempre, sufoca-nos de tal forma que não nos permite ver mais além e mantém-nos presos dentro da definição categórica de certo e errado. Quando nada é tão linear como parece. Um exemplo muito simples é o facto de não sabermos lidar com os elogios dos outros para connosco - como quem quer dizer: "Porque é que me estás a dizer uma coisa dessas?", mas responde: "Obrigado", porque é uma forma mais educada de lidar com a situação. Mas pior que responder um obrigado não sentido é não fazer auto elogios. É tão simples. Não ocupa tempo e faz-nos tão bem.
Nos tempos que correm o que mais nos falta é sermos sinceros. Com os outros e connosco principalmente. Não há mal nenhum em dizermos que não gostamos de algo em nós, assim como também não há mal dizermos o que gostamos. Somos livres de concordar ou discordar dos elogios que nos são dados, mas só os vamos saber apreciar quando formos capazes de olhar ao espelho, todos os dias, e dizer a nós próprios - eu gosto "disto" em mim! Vai-nos permitir aceitar quem somos e viver de um modo positivo. Acreditar é o ponto essencial para chegarmos onde quisermos.
Elogiem-se. Promovam a corrente da prática do auto elogio, porque só assim se consegue entender os elogios que vêm de outras pessoas. E caso não concordarem com o elogio que vos foi dado porque não dizer que não concordam? Acrescentando um em que acreditem ser verdade. Pelo menos é mais sincero e dá a conhecer um pouco mais de vocês. Mas acima de tudo acreditem do que dizem a vocês mesmos.
19/01/2019
1+3: medo
Quando aceitei começar este desafio prometi a mim mesma que ia ser o mais profundamente sincera, portanto vagueei por vários dias pelas minhas fraquezas até perceber o que é que me deixa genuinamente apavorada. Todos nós temos os nossos medos "pequeninos" e fobias que suportamos até determinados limites. No entanto, com um tema como este que as variáveis podem ser enumeras (porque todos somos diferentes), ainda assim facilmente seriamos capazes de nos repetirmos. Apesar da lista de medos que existe espalhada pela humanidade, temos muito mais em comum do que imaginamos - até porque um medo nunca vem só. Eles juntam-se em grupos como se fossem colegas de escola. E portanto eu quis mais. Quis chegar a algo que caracteriza-se a minha fragilidade, fosse o motivo do meu comportamento face a escolhas difíceis ou decisivas. Quis perceber o que me faz mover por meios seguros para não ter que encarar de frente com assuntos que ensurdecem os meus pensamentos.
Durante o processo de reflexão percebi que usamos a palavra - medos - de um modo geral e aleatória, onde encaixamos uma colectânea de sensações que gostamos de manter longe. Repulsa, Receios e Apreensão. Aparentemente parecem apenas sinónimos, mas aplicados e visualizados no quotidiano fazem-se sentir de forma diferente, transmitindo-nos sinais que nos permitem distingui-los. Para mim a Repulsa é tudo o que não conseguimos tocar e nos mete nojo só de estarmos a observar. Os Receios é uma sensação acompanhada principalmente por incerteza, como se tivéssemos num limbo a tentar manter o equilíbrio, porque a pressão do momento dificulta-nos a capacidade de escolha (e como qualquer ser humano, queremos sempre fazer a escolha certa. Está intrínseco na nossa genética, não há como mudar, podemos tentar o que quisermos, vai voltar sempre ao ponto de partida). Sinto que os receios estão muito mais ligados a decisões físicas - por meio da tentativa -, do que a decisões interiores, psicológicas. Já a Apreensão, em contrapartida, está muito mais associada a ocasiões psicológicas. Isto porque, provoca sentimentos mais fortes (como ansiedade) e tende a moldar-nos a nossa maneira de pensar, nocivamente. Vou dar um exemplo: Com o começar do novo ano defini um objetivo pessoal - ser mais atenta ao meio que me rodeia e assim criar ligações mais fortes com as pessoas. Apesar de ser um processo longo e trabalhoso é também um processo que vai gerar muitas dúvidas e crises de identidade, porque a mudança não ocorre repentinamente e os sinais físicos, que acalmam a ansiedade, são raramente visíveis. O que nos leva a pensar que somos incapazes de continuar - o tal pensamento nocivo evidenciado! - que muitas vezes nos leva a querer desistir.
E portanto o meu maior medo, que me deixa a pensar por horas e a duvidar de mim por dias, não posso afirmar propriamente que é a efemeridade da minha presença na Terra, mas o término da mesma sem que tenha a oportunidade de construir algo ou fazer parte de algum acontecimento que me satisfaça por inteiro. O facto de um dia não conseguir ter a sorte de sentir que o meu propósito aqui foi cumprido faz-me duvidar muitas vezes se estou a seguir o caminho certo. E esta sensação de não saber se vou ser capaz de chegar a um propósito que me satisfaça, provoca-me medo da morte - é como a falácia "Bola de Neve" que aprendemos durante o secundário em filosofia.
O desígnio da vida está exactamente na sensação surpresa do desconhecido. Tenho noção disso! Mas todos nós sabemos que muitas vezes as noções que temos nem sempre vão ao encontro dos nossos comportamentos. E apesar de, por vezes, me deixar levar pelo flow e tirar o proveito possível do presente - à minha maneira -, prefiro mil vezes saber com o que conto. Embora abrace sempre a mudança com um carinho muito especial, a incógnita permanente de um futuro que não sei qual será e portanto não sei se sou capaz de o construir é algo que vai muito mais além das minhas capacidades de compreensão e aceitação. Deixa-me nervosa. Ansiosa. Talvez um dia consiga perceber a beleza de não sabermos se chegamos a viver a sensação de propósito cumprido, mas agora é apenas uma ideia que me assusta. Bastante.
O desígnio da vida está exactamente na sensação surpresa do desconhecido. Tenho noção disso! Mas todos nós sabemos que muitas vezes as noções que temos nem sempre vão ao encontro dos nossos comportamentos. E apesar de, por vezes, me deixar levar pelo flow e tirar o proveito possível do presente - à minha maneira -, prefiro mil vezes saber com o que conto. Embora abrace sempre a mudança com um carinho muito especial, a incógnita permanente de um futuro que não sei qual será e portanto não sei se sou capaz de o construir é algo que vai muito mais além das minhas capacidades de compreensão e aceitação. Deixa-me nervosa. Ansiosa. Talvez um dia consiga perceber a beleza de não sabermos se chegamos a viver a sensação de propósito cumprido, mas agora é apenas uma ideia que me assusta. Bastante.
11/01/2019
contas que me inspiram
Há uns tempos atrás surgiu um movimento no Instagram que consistia em divulgar quem nos inspirava através de #partilhaquemteinspira. Pareceu-me ter havido bastante adesão ao mesmo, pelo que consegui acompanhar deste, no entanto não aderi apesar de achar o conceito bem interessante em diversos aspetos. Além de ajudar a divulgar as páginas em causa (não digo isto apenas por interesses numéricos e estatísticos das páginas em si, mas porque ao aumentar uma comunidade é sinal que a informação chega a todos os interessados nela), cria interação entre o público com os mesmos interesses. E não há nada melhor que podermos ter alguém com quem trocar ideias sobre um assunto, sem corrermos o risco de nos sentirmos entediados com a conversa que apenas continuamos a responder por educação e respeito pela outra pessoa.
Conversar nunca foi uma forte característica minha, mas quando se trata de assuntos que entendo ou me fascinam, não há quem me consiga calar. E saber que a outra pessoa sente o mesmo entusiasmo que eu ainda me cativa mais a alimentar a conversa. Ao ver os resultados incríveis que decorreram desta mega interação, decidi mostrar-vos as contas que mais me inspiram - inclui Blogs, Instagrams e mesmo Canais de YouTube.
Para além de ser médica (por si só, para mim já é impressionante) é também uma grande entusiasta de moda e lembro-me de acompanhar o seu trabalho desde a altura que recreava looks - fantásticos by the way - e partilhava connosco no Blog do qual era fundadora - Miss Tangerine. Agora usa o seu Instagram para esclarecer dúvidas e desmistificar ideias erradas sobre diversos assuntos de saúde. E claro, continua a partilhar os seus looks que tanto gosto.
Vive, ou pelo menos diz que tenta viver uma vida mais sustentável e na verdade aprendo todos os dias um pouco mais sobre como ser sustentável. Apesar de ter noção da importância do tema e o quanto é urgente passar das palavras à ação, foi a partir do momento que comecei a acompanhá-la que realmente me caiu a ficha. Comecei a ganhar mais interesse e a querer mudar alguns pequenos hábitos que para nós são insignificantes, mas que na totalidade fazem diferença.
Fundadora do Blog - contemporary lives here -, sigo-a à risca desde que me lembre de ter Blog, mesmo antes de ter começado este. Ela é uma total inspiração tanto a nível de moda como em termos fotográficos. E o que me fez cativar no seu trabalho foi o seu gosto enorme pelo vintage, porque para além de ser sustentável, mostra-nos que ao reaproveitar roupas antigas também é possível ter muita pinta.
A miúda que acompanho à menos tempo, mas que tem as melhores reviews de livros de sempre. É simpática e não dá para não sentir as boas energias que transmite com o seu trabalho e portanto é impossível não ficar bem disposto e com um sorriso dentro do seu espaço.
Tem uma escrita simples, mas cativante. Partilha connosco todas as semanas conteúdos das suas experiências do seu quotidiano de uma forma breve, mas que nos deixa agarrados como leitores do seu blog. Esperamos dia após dia ansiosos por saber qual é a nova aventura da sua semana.
Ambos youtubers de estilos de filmagens diferentes, mas ainda assim juntei-os porque criam conteúdos idênticos e são formidáveis no seu trabalho, cada um dentro do seu estilo.
O Tomás tem das melhores qualidades de filmagens a nível do youtube de entretenimento e os sketches são o melhor dos seus vídeos - conseguimos ver o gosto que coloca no seu trabalho e o quanto se esforça por manter a naturalidade do quotidiano.
A Mafalda usa acontecimentos que tendemos a esconder mas que se sucedem com todos nós e desmistifica-os através da comédia. Em segundos momentos constrangedores passam a ser engraçados e faz-me rir do início ao fim dos seus vídeos.
E a vocês quem é que vos inspira? Contem-me quais são as vossas contas favoritas. Quero-vos conhecer um pouco melhor e quem sabe conhecer novas pessoas que também possam vir a torna-se em novas inspirações para mim.
04/01/2019
porque não?

Desde que entrei para a plataforma e passei a ser mais um membro do Blogger sempre fui muito reticente no que toca à divulgação da minha página, talvez por medo da crítica e talvez porque as pessoas estão tão habituadas a conhecer-nos dentro de padrões que quando nos desviamos um pouco daquilo que nos conhecem existe um impacto de choque. O receio foi-se mantendo e apesar de querer partilhar ideias e experiências importantes com o mundo, mantive-me confortável porque era mais seguro. É certo que é mais seguro, mas porque é que os consumidores de conteúdo saberem da minha existência no blog também não pode ser seguro e mais cativante para mim?
Tenho vindo a fazer esta reflexão interior, que se tem alastrado e modificado a minha resignação relativamente ao facto de me manter presa em caixas. Eu gosto de escrever, e mesmo que as pessoas que me conhecem ou mesmo as que não me conhecem, estranharem esta minha capacidade e gosto, não vai mudar nada. Aliás oprimir o gosto que tenho pela escrita, pelo medo das reações e críticas que possa receber, só me vai fazer sentir pior por estar a abdicar de um sonho que tenho - escrever. Por vezes temos de sair da nossa zona de conforto para conseguirmos atingir os nossos objetivos e se para isso é necessário deixar de ter medo que o meu blog seja descoberto, vou aceitar os riscos e deixar de trancar a sete chaves algo que realmente gosto de fazer. E qual seria o pior que poderia acontecer? Consigo imaginar um ou outro cenário menos oportuno, mas não muito mais.
E se tantas pessoas o fazem, porque é que não posso ser mais uma dessas pessoas, que escreve para pessoas? Também posso e vou continuar a fazê-lo até que a minha vontade o dite.
Não abdiquem dos vossos sonhos ou usem a desculpa: "talvez isto não seja para mim", porque só se estão a enganar a vocês mesmo. Todos navegamos no mesmo barco e todos nós vivemos tempos duvidosos que nos fazem recear a mudança e isso é perfeitamente normal e legítimo. No entanto, deixar-nos influenciar por receio alheio deixa de ser justificável, porque todos nós temos receios de principiante e os outros percebem e aceitam isso, porque também já passaram pelo mesmo noutra situação idêntica. E temos que interiorizar que qualquer conteúdo é feito com um determinado propósito e para um público em específico, portanto não podemos querer cativar todo o tipo de comunidades/grupos etários. O mais importante é gostarmos do que fazemos ao invés de fazermos porque é aceitável por uma maioria de pessoas.
Não abdiquem dos vossos sonhos ou usem a desculpa: "talvez isto não seja para mim", porque só se estão a enganar a vocês mesmo. Todos navegamos no mesmo barco e todos nós vivemos tempos duvidosos que nos fazem recear a mudança e isso é perfeitamente normal e legítimo. No entanto, deixar-nos influenciar por receio alheio deixa de ser justificável, porque todos nós temos receios de principiante e os outros percebem e aceitam isso, porque também já passaram pelo mesmo noutra situação idêntica. E temos que interiorizar que qualquer conteúdo é feito com um determinado propósito e para um público em específico, portanto não podemos querer cativar todo o tipo de comunidades/grupos etários. O mais importante é gostarmos do que fazemos ao invés de fazermos porque é aceitável por uma maioria de pessoas.
01/01/2019
voltar no tempo e reviver 2018

Não é costume partilhar as minhas conquistas nem os meus momentos de grandes emoções. Tanto os que me fazem sentir com o coração quentinho, nem os que me colocam em estado de alerta máximo. Mas este ano, que acabou de terminar, não foi um ano como todos os outros e sinto a necessidade de partilhar o quão especial foi. Atingi objetivos que nunca pensei conquistar este ano, vivi experiências que nunca seriam uma opção a ponderar pela Inês de à 1 ano, que tinha um medo incontrolado de tudo o que não conseguisse controlar, mas principalmente, aprendi mais e tornei-me numa versão melhorada de mim. E por tudo isto, o meu ano resume-se em gratidão. Apesar de todas as tristezas, que também fazem parte, sinto-me acima de tudo grata. Por ter tido a possibilidade de conhecer mais do meu país, evoluir pessoalmente e deixar alguns maus hábitos para trás, acompanhar os velhos amigos e dar as boas vindas aos novos, assim como viver experiências únicas que se fossem noutro tempo provavelmente não seriam possíveis. O tempo é um factor importante e portanto eu gosto de acreditar que se não me foi dado mais tempo é porque não tinha de o ser. Talvez mais tempo estragaria o encanto.
Obrigada a todas as pessoas-luz que me acompanharam e permitiram que as acompanhasse também. Ao meu gato que com a sua partida me ensinou que o importante de uma amizade não está na presença constante, mas no sentimento que permanece como magia. A probabilidade de te ter tido na minha vida era tão baixa e só por si eu já sinto uma alegria tão grande por ter tido essa sorte.
Obrigada aos meu pais por me terem permitido viver a minha experiência de sonho em Lisboa. Valeu tanto a pena, cada viagem longa para chegar a casa, todas as horas a planear o trabalho para o dia seguinte. Respirar um novo ar e ver que ainda há uma réstia de esperança na minha área do curso foi o empurrão que estava a precisar para continuar a acreditar e alegrar o meu ânimo.
E para além destas experiências recompensadoras, sinto-me completa porque além dos amigos fantásticos que tenho e que tornaram os meus anos académicos numa autêntica aventura, ajudaram-me e acompanharam-me até ao dia em todos juntos pudemos dizer que estávamos oficialmente licenciados - foi um retrato bonito que nunca vou esquecer. Comecei a trabalhar e descobri que as pessoas são fantásticas, que afinal tempo não me falta e é tão bom poder ter o nosso dinheiro.
Obrigada a todos!
17/11/2018
o poder das emoções e conexões

Existe uma frase que ouço muitas vezes e que eu própria já a prenunciei vezes sem conta - "Mais vale estar sozinho, que mal acompanhado" -, prenunciava-a com convicção e realmente acreditava no propósito da frase. Mas com o tempo e se formos recetivos a ouvir as perspectivas dos outros temos tendência a repensar nas nossas ideologias e prespetivas. Com isto não estou a dizer que nos devemos deixar influenciar pelas ideias dos outros, no entanto acho que é importante tanto para nós, como para o outro, sabermos ouvir os seus pensamentos, porque vai possibilitar, além de uma melhor interação e compreensão, propicia empatia que é uma das ferramentas fundamentais para se fomentar uma relação saudável.
Isto para vos dizer, que cada vez mais acredito que mais vale estarmos mal acompanhados do que estarmos sozinhos, porque as relações interpessoais podem ser trabalhadas através da comunicação, ao compreender motivos e razões, ao expressar sentimentos e muito importante, perceber o que realmente esses sentimentos significam. As emoções são mensagens que o nosso cérebro formula para comunicar connosco para nos transmitir uma mensagem. Portanto, quando estamos perante uma situação problemática ou de decisão, na maioria das vezes, não sabemos o que fazer - o que é normal e legítimo - mas se tentarmos desmistificar as nossas emoções, ou seja, compreender o motivo - o porquê - de sentirmos determinada emoção, automaticamente, encontramos a resposta ao problema que tanto procurávamos. As emoções fazem parte de um campo complexo que nem sempre exploramos como devíamos, e acreditem, as nossas emoções são a chave para muitas soluções, que sistematicamente não as valorizamos por estarem tão próximas. O fascinante, pelo menos para mim, é que o motivo pelo qual não conseguimos exteriorizar as nossas emoções advém da necessidade de expressarmos uma certa vulnerabilidade - na nossa sociedade ser vulnerável é comparável como "pôr o dedo na ferida" e involuntariamente levanta-se uma barreira defensora, para não haver o risco de se ultrapassarem os limites. Em contrapartida, as boas relações têm por base uma boa gestão da própria vulnerabilidade (Ainda existe muito preconceito em volta deste assunto, mas que aos poucos acredito que se vai tornar num conceito).
É possível restabelecermos relações ou melhorarmos relações, porém é essencial não culpabilizarmos o outros porque vamos estar a desvalorizar a pessoa e eventualmente a ofendê-la, gerando logo de partida uma barreira e uma postura de defesa por parte do outro, por se sentir atacado. E diminui espontaneamente as probabilidades de se desenvolver qualquer tipo de relação. Outra questão passa por não exigir ao outro, uma vez que, a pessoa tem de estar aberta à possibilidade de expandir as suas relações, caso contrário a imposição de qualquer emoção ou ligação só a vai afastar ainda mais. Fazer o exercício de aprender a aceitar e tolerar o outro por intermédio de diálogo, empatia e respeito do tempo e espaço de cada pessoa, permite-nos perceber a ferramenta que temos nas nossas mãos e que nos tempos que correm ainda não é utilizada. O poder de criarmos conexões entre pessoas gera bem-estar e bom ambiente, mais do que adotarmos apenas uma postura de simpatia. Porque ao contrário do que nos é incutido, ser simpático não ajuda ninguém, é necessário sermos empáticos com o outro, para percebermos realmente a sua situação e sentimentos, só assim se consegue gerar entreajuda e motivar quem nos rodeia.
Partilhada a minha opinião acerca do "Poder das Emoções e Conexões", gostava de vos fazer algumas questões, para saber qual é a vossa opinião acerca deste tema.
- Qual é a vossa opinião acerca do ditado popular "Mais vale estar sozinha, que mal acompanhada"?
- Nos tempos que vivemos acham que a nossa sociedade precisa de pessoas empáticas ou simpáticas?
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