14/08/2020
falta-me a tua alegria
Sinto a tua falta mais que nunca. Ainda habitas este mundo trágico, mas ao mesmo tempo é como se já não tivesses presente. Estás completamente agarrada a essa cama sem uma réstia de vida e porquê se naquele dia apenas íamos ao encontro do avô para lhe deixar flores e limpar-lhe a casa que habita em espírito. Era um bom dia e de reencontros felizes. Mas as únicas lembranças que ficaram desse dia foi o aparato de entrar pelas urgências do hospital adentro com a esperança que mais uma vida se salvasse. E lembro-me igualmente das tuas palavras: “Eu vou para casa contigo” ás quais respondi: “Descansa! Amanhã venho-te buscar logo de manhã já boa”. As tuas palavras ressoam na minha cabeça cada vez que penso se não teria sido a melhor opção depois do nada que te fizeram para te salvar. E dói-me deduzir que talvez te tenha roubado um fim digno com a decisão que sobrepus à tua. Só te queria bem e de saúde. E queria-o tanto que a minha esperança superava cada especulação que os médicos e enfermeiros me iam dizendo ao longo das visitas diárias à tua cama do hospital. Lutaste contra todas as tuas dificuldades adquiridas e conseguiste resultados impossíveis. A cada visita havia uma nova melhoria que me fazia ignorar todas as informações do teu estado clínico. Mas o tempo passa e tornasse um peso custoso de carregar. Sei que sofres mais do que algum dia pensaste e apesar de não falares eu sinto-o no teu silêncio. E dói-me tanto só de o perceber. Desculpa não conseguir matar a dor que tens na alma, que te atormenta e te relembra todas as horas que o teu destino terminará exatamente da maneira que mais temias. Sei que quando deixares de nos presenciar com a tua presença tranquila, em corpo, vais ter o descanso que mereces. E é apenas este alívio que me deixa assolada, mas estável.
Sinto falta de ti aqui em família. Sinto falta de chegar a casa depois das aulas ou do trabalho e estares á porta para me receberes e me perguntares como me correu o dia. Porque afinal de contas foste sempre tu quem estava presente todos os dias, não apenas em visitas de médico em datas festivas ou nas férias de verão da escola quando era miúda. E isso era o que mais importava, a presença. Sinto falta de te desejar uma boa noite todos os dias e ouvir a tua voz como troco. Sinto falta das tuas histórias de aventuras imensas de quando eras catraia. Acima de tudo sinto a casa mais vazia sem ti.
Dizem-me muitas vezes que herdei a maneira de ser do meu avô, até os gostos e o modo de estar. A verdade é que não me identifico com ninguém na família que conheço desde que me lembro de existir. E eras tu, avó, que me acalmavas a ânsia e curiosidade de o conhecer com as tuas histórias sobre o avô, o teu marido, sempre que reforçavam em conversa corrida o quanto éramos parecido e o quanto eu iria gostar de o ter conhecido. E sabes que mais? Fizeste-me querer que sim. Porque o avô sempre será a parte que me entenderia e faria sentir compreendida, mas tu, sem o saber, atenuavas a perda que eu sinto. E agora quem me vai contar as histórias que só tu sabes? Tenho tantas saudades das tuas gargalhadas repentinas à mesa durante a refeição. Tenho saudades que te rias das palermices que saem da minha boca sem qualquer filtro, e de todas as vezes que alinhavas nas minhas brincadeiras mesmo com os teus preciosos 90 anos de menina, como se tivesses a minha idade. Não sei como vou aprender, um dia, a lidar com a tu falta porque nem sequer consigo lidar apenas com a tua inatividade.
04/08/2020
a dú(vida) é a resposta
Quando o poder de viver a vida com que tanto se sonha é roubado para cobrir as necessidades das obrigações como membro da humanidade, de família e pessoa consciente da sua moralidade, ganha-se uma certa repulsa à vida. O medo de dar um passo maior que a perna e sentir a adrenalina de escapar uns segundos da rotina, já não é mais uma ânsia. Os medos desaparecem na corrida dos anos que passam sem que a reforma, de um posto que não se escolhe, chegue. E a indiferença vai crescendo das cinzas da inocência.
Se algum dia tiverem o atrevimento de te perguntar: o que queres da vida? Sê descarado o suficiente para responder que a vida é que quer algo de ti e ainda não teve a coragem de o mostrar. E pouco mais. Porque ao fim de tantas tentativas apenas a resposta que esperamos será o único cenário significante. O antes será apenas experiências que nos guiam à resposta que a vida nos deve mas em nada se esmera em esconder. A ironia continuará a ser uma prevalência na humanidade enquanto permitirmos que nos cegue. Tenho pena de por vezes não ser capaz de ver aquilo que está diante dos meus olhos, que seria um escândalo se um dia soubessem de metade. Não sei se a psicologia tem um nome para esta condição para que a possa categorizar como um distúrbio. Mas a meu ver deveria. Porque todas estas dúvidas geram questões desconcertantes que terminam sempre em "porquê?" ou "será desta vez?".
Todos procuramos respostas às nossas carências mentais, uns mais que outros. Todos temos questões que gostaríamos de ver respondidas ou que tivessem sido feitas no momento oportuno. Todos temos dúvidas que preferíamos que fossem antes certezas. Mas vivemos mesmo assim na dúvida desconfortável porque a certeza é ridícula. Questionamo-nos tantas vezes o porquê da vida, mas no fundo a única explicação que procuramos em todas as perguntas retóricas é o significado da nossa essência. Quem sou eu? Apenas desejamos conhecer-nos com a mesma facilidade com que decoramos os gostos, necessidades, qualidades, afeições e limitações de alguém. Contudo se fosse assim tão fácil o que seria feito dos nossos pensamentos? Não são as respostas que importam mas as perguntas. O mistério está na dúvida, porque quanto maior o número delas mais próximos estamos da natureza substancial do nosso ser.
Apesar de não saber lidar com a dúvida não me incomoda como a insatisfação constante que me ferve as veias. Confesso que me sinto o Álvaro de Campos dos tempos modernos como se o meu estado de espírito andasse na corda bamba entre a fase decadentista e a intimista. Este ênfase à desilusão que permanece e parece não querer terminar leva-me constantemente à mesma resposta insolente - Não Sei! E esta fadiga que a vida assumiu como minha é o prémio que se tornou mais um problema que um consolo. Como vou chegar a mim se não tenho a energia para chegar até lá? Como vou saber quem sou se não sou capaz de descodificar o que sinto, cada vez que me sinto?
Por vezes dou por mim a perguntar-me o que teria sido de mim se tivesse tido a liberdade emocional e moral de poder viver os meus sonhos para além do hipotético. Não consigo evitar de pensar nos cenários que não tive oportunidade de viver, nas experiências que podia ter tido, as asneiras que podia ter feito e aprendido. Ainda assim, não consigo ignorar que os valores sob os quais me tento descobrir são fruto da vida que não escolhi, nem sonhei.
Todos os dias vou adormecer a sonhar com a vida que quero para amanhecer fortalecida na realidade que me foi reservada por algum motivo.
08/05/2020
as cartas de amor de ofélia: capítulo 2
Era quase hora do chá das cinco quando tocaram à campainha. Ofélia sai sobressaltada do parapeito da janela, quase a voar pelas escadas a baixo até à porta de entrada, porque àquela hora só podia ser a D. Alice com as fofocas frescas que corriam pela terrinha. Contudo para seu espanto a cara que viu não lhe era totalmente conhecida mas era-lhe familiar. Encaram-se até que Mauro avançou.
– Não sabia se iria bater à porta certa, mas valeu o risco. - Ela anuiu com a cabeça e lançou um sorriso fechado e meigo.
– Desculpe estar a incomodá-la a estas horas, provavelmente está ocupada com as suas tarefas, mas horas antes, quando nos cruzámos e foi muito gentil comigo, deixou cair o seu lenço pelo caminho e vinha devolvê-lo. - Estica o braço gentilmente para lho dar.
– Muito grata. - Pega no seu lenço ao agradecer e aconchega-o contra o seu peito.
– Era uma pena perder algo que estima tanto. - Ela sorri-lhe e ele convenientemente começa a afastar-se lentamente com o olhar torcido para trás e acena-lhe um adeus prolongado antes de voltar a sua face para a frente. Despediram-se sem que fossem necessárias mais palavras.
Assim que fecha a porta ouve a mãe aos gritos da cozinha que lhe pergunta:
– Ofélia? Foste tu que abriste a porta?
– Sim mãe... - Confirma em tom insignificante como se já não soubesse que tinha sido ela.
– Quem era? - Questiona-lhe prontamente assim que sai da cozinha a limpar as mãos molhadas ao pano que trazia pendurado no avental e fica a encará-la para não lhe dar hipótese de mentir. Ainda assim não foi suficiente para a contrair à verdade.
– Não sei mãe, não conhecia... Queria só algumas informações.
– E tu o que é que disseste?
– Olha... disse-lhe que fosse à mercearia do Sr. Alberto ali ao final da rua que talvez lá o pudessem ajudar.
– Fizeste bem filha, agora anda aqui ajudar a mãe a servir o chá.
Depois daquela mentira, que não era nada dela, mas contar a verdade à sua mãe estava fora de questão, até porque ainda não sabia ao certo em que problemas se estava a meter, foi preparar a mesa da sala de estar para o chá. E fê-lo primeiro porque não podia ser desagradável com sua mãe e negar-lhe a ajuda que precisava. E em segundo porque deixou de navegar na sua imaginação cheia de possibilidades aliciantes e caiu em si. A verdade é que não sabia quem ele era, nem de onde vinha, se iria ficar ou se estava apenas de passagem, se tinha objetivos de vida tão altos quantos os seus ou se estava a sentir a mesma energia que ela, apesar de achar que estava. Ela não sabia nada sobre ele, além do que conseguia ver e do pouco que pôde testemunhar naquele dia. E isso era um problema. Aparentemente ele era gentil e cavalheiro e bem parecido, o que o tornava ainda mais intrigante. Era fácil de cair na tentação de gostar da possibilidade de ter alguém ao seu lado com essas características e apesar de Ofélia ser romântica por devoção, não romantizava a vida por saber o quão perigoso poderia ser confundir a sua imaginação com a realidade.
– Já terminei de preparar a sala, precisas de ajuda em mais alguma coisa mãe?
– Sim! Leva a bandeja que está em cima da bancada para o centro da mesa da sala, mas cuidado... - Diz sem tirar os olhos do que estava a fazer, completamente desorientada e sem mãos a medir nas tarefas que parecia querer terminar todas em simultâneo.
– Porque é que vamos utilizar a bandeja de prata? Qual é a ocasião especial?
– Algo me diz que vamos ter visitas e boas notícias. - Ofélia fica meio embasbacada e estática receosa que a mãe tenha percebido que lhe tinha mentido. Alzira, sua mãe, vira-se para a filha ao detectar que não estava a fazer o que lhe tinha pedido e diz-lhe de braços cruzados: – Mexe-te Ofélia e faz o que te pedi por amor a Deus!
Enquanto Ofélia fazia a sua tarefa a mãe voltou-se para a bancada da cozinha para preparar uns biscoitos que iam acompanhar o chá. Juntou os ingredientes todos numa taça e ao começar a misturar lembrou-se que não tinha posto ovos. Nesse exacto momento Ofélia regressa novamente à cozinha.
– Chega-me três ovos. - Exige prontamente.
– Queres que mexa para ficar bem misturado? - Parte a cascas dos ovos na beira da taça e despeja-os para dentro dela sincronicamente com a sua pergunta.
– Não é preciso filha, mas obrigada! Mas podes ligar o forno à temperatura de 180 graus para pré aquecer e depois vai pentear esse cabelo que está todo irrisado.
Ao subir as escadas para se ir arranjar para as suposta visita misteriosa escuta uma voz ao longe que dita:
– Diz à tua irmã também para se arranjar e para vestir o vestido verde de cerimónia.
– Está bem mãe! - Grita-lhe a meio da escada enquanto revira o olhos.
***
Não sentia ciúmes, mas tinha perfeita noção que Irene era a filha favorita lá de casa e por vezes algumas ações por parte de seus progenitores conseguiam ser bastante evidentes. E sentia-se meio excluída, apesar de, lá no fundo, saber e acreditar que também gostavam dela, não da mesma forma como gostavam da sua irmã, mas gostavam à sua maneira.
Ofélia não tinha amigos e estava quase sempre por casa entretida com os seus livros e a sua escrita. A sua única amiga e melhor aliada era a sua imaginação. Perdê-la e achá-la era encontrá-la deitada na relva do jardim da frente da casa calada por horas de olhos fechados a inspirar o ar que a alimentava. Os pais acomodaram-se ao silêncio da sua presença que nunca se preocupavam em saber por onde andava. Mas quem passava em frente a sua casa e a via ali achava-a esquisita e havia quem a chamava de maluca. Os pais nunca entenderam o porquê de todos olharem para Ofélia de forma diferente, mas também nunca deram importância ao assunto. Eles sabiam de certo que ela era dissemelhante da sua irmã em vários aspetos e isso já bastava porque não lhes agradava. No entanto ela era apenas solitária. O que as pessoas não sabiam é que viajar dentro da sua imaginação era a única maneira de não se sentir sozinha. Ela sentia-se feliz e divertia-se cada vez que mergulhava na natureza e inventava histórias sem fim na sua cabeça. Imaginava-as como se estivesse a assistir um filme no cinema, sentia através delas o que não lhe era possível sentir e viver de outra forma.
***
De repente a campainha tocou e a família Magalhães reuniu-se, antes de abrirem a porta, à entrada quase como em pose para uma fotografia em família.
02/05/2020
life is a mirror
Todos os dias há alguém no mundo que se queixa do quanto a vida está a ser injusta consigo, do quanto se sente triste porque os motivos que a faziam sentir feliz já não existem mais (pelo menos não da maneira como pretendiam ou conseguem ver), do quanto sente falta de sentir amor ou qualquer outro sentimento que a traga de volta à corrida (quando o amor maior que devia ter era por si). Todos acabamos, eventualmente, por passar por esses mesmos dias em que imploramos que a realidade não seja tão dura connosco. Sentimo-nos injustiçados de tal ordem que mesmo quem não acredita em Deus é capaz de cometer a injuria de pedir por um milagre. É normal sentirmos que perdemos o controlo da nossa vida de vez em quando, porque a verdade é que nunca o tivemos, nem nunca o teremos, a diferença é que na maioria dos outros dias estamos demasiado ocupados para nos apercebermos disso. Os dias vão passando na ilusão de acharmos que sabemos o que estamos a fazer, que andamos a cumprir a agenda previamente planeada, que estamos no controlo, mas a vida está apenas a fluir sob os nossos dias. Sem dramas. E percebemos isso quando acabamos por fazer algo que não nos apetece mas tem mesmo que ser feito ou adiamos algo porque não é isso que a vontade está a pedir ao nosso corpo e acabamos por ceder ao pedido que o nosso corpo nos faz. Deixar fluir a corrente é mais favorável que insistir num controlo ilusório. A humanidade deixou de acreditar no destino e na energia do seu caminho porque é mais fácil acreditar em planos que são certos, perspicazes e que pouco nos desiludem. Este é o nosso grande problema. E o que nos engana mais é acharmos que os planos que fazemos são nossos, que vêm de nós. As vontades são nossas se as virmos à superfície, ainda assim não passam de formas de expressarmos quem somos. E ser é uma matéria concreta que não podemos alterar quando queremos (pelo menos a nossa essência), é obra do destino do que nos calhou na rifa. E se o destino é que nos controla como podemos achar que controlamos seja o que for? Como podemos descredibilizar o destino como o fazemos? Deixá-lo de lado é o mesmo que não acreditarmos na nossa vida, no nosso futuro, na felicidade. Todavia, a vida é feita de espelhos que nos permitem dar sinais e sugestões a quem está no comando. Apenas recebemos o que acreditamos. Se vivermos a queixar-nos do que não temos ou deixámos de ter, a mudança que tanto pretendemos para sair do buraco nunca vai chegar. Ao contrário, se acreditarmos que somos capazes de fazer melhor, a vida deixa de ser tão radical. A vida é complexa mas não tem de ser difícil, é tudo uma questão de perspetiva. Acredita naquilo que queres ver, e verás.
21/04/2020
Ela só precisa
Ela é inibida em sociedade pela sua vergonha,
Mas ela não sabe viver sem a companhia de alguém.
Ela é calada,
Mas foi feita de boas conversas.
Ela sabe estar sozinha na sua própria presença,
Mas ela só quer sentir a presença de alguém que lhe dê dois dedos de conversa por dia.
Ela não é carente nem teve uma infância pouco simpática,
Mas ela precisa de ouvir umas palavras bonitas de vez em quando.
Ela é muita coisa
Mas também quer outras tantas.
Ela aprendeu que aquilo que é não limita aquilo que precisa.
E ela só precisa de ser,
Mas o ego dela precisa de ter.
E um ego cheio de amor
É um ego que sente tanto quanto ela.
Mas ela não sabe viver sem a companhia de alguém.
Ela é calada,
Mas foi feita de boas conversas.
Ela sabe estar sozinha na sua própria presença,
Mas ela só quer sentir a presença de alguém que lhe dê dois dedos de conversa por dia.
Ela não é carente nem teve uma infância pouco simpática,
Mas ela precisa de ouvir umas palavras bonitas de vez em quando.
Ela é muita coisa
Mas também quer outras tantas.
Ela aprendeu que aquilo que é não limita aquilo que precisa.
E ela só precisa de ser,
Mas o ego dela precisa de ter.
E um ego cheio de amor
É um ego que sente tanto quanto ela.
05/04/2020
Ansiedade
Sinto-me a desligar todas as vezes que o vazio me expulsa do meu próprio corpo ao empurrão e me abafa de mim. O ar começa a faltar e o controlo também. Quanto mais tempo dura menos resistência vou conseguindo ter. É uma luta que não consigo evitar ter, nem ganhar. Mas eu tento. Tento tanto. Com tanta força, com todas as minhas poucas forças. Desespero como se estivesse a mergulhar num mar profundo de mãos e pés atados e pesos nos bolsos. E esta sensação é uma constante triste e realista a acontecer a cada respiração ofegante. O descontrolo chega a uma velocidade criminosa e choro desalmadamente, o meu tórax colapsa com as oscilações abruptas em busca de ar que não precisa. Dói. Mói uma dor cá dentro que massacra mais a alma que o corpo, que permanece após o impacto, que acorda quando lhe apetece para me fazer lembrar e sofrer só porque preciso de desligar por uns segundos. As notícias fazem-me pior e o que me rodeia por vezes não é exceção - acha! Ela vem para ensinar que não se pode controlar tudo, que nem tudo está ao nosso alcance nem ao nosso encargo de mudar e que nem tudo depende de nós. Mas esta dor que me torna invisível aos meus próprios olhos é uma lição dura de aprender, mas a sensação de um dia poder atingir o fôlego à superfície da água depois de um valente mergulho às profundezas do mar infinito é a esperança que guardo para dias de sufoco. Acreditar é a única forma de atingir uma plenitude negociada sem ter a sensação do peso do ar raro. Talvez um dia a sua presença dentro do meu espírito já não me incomode.
Quero acima de tudo enviar um abraço muito especial a todas as pessoas que sofrem de Ansiedade (seja ou não diagnosticada) e que estão a passar por esta quarentena necessária mas difícil.
Primeiro, cuidem de vocês!
03/04/2020
She is not just that, She is all of it
She keep all the secrets of the world and your romance too. Nobody swim in a empty pool or in the sea without a good wave, so this is her life's metaphor. Nobody loves her because nobody see beyond her. No one understands that she is much more than the fears and insecurities that don't allow her to be herself.
How can you not see?
How can you not feel?
She has this power and energy hidden in the suburbs of her skin that no one can understand. But you can feel it. It is a mystery that controls her but captivates us in a mesmerizing way. And she's anything but what your eyes usually look for on the street. She is nothing according to the standards you believe in. She is simple and invisible. She avoids crowds, spends more time in libraries and in her own than in cafes, she loves being alone because she is happy only in the company of her philosophies and thoughts. And yet among a crowd she would be the first person you would ever look at. And you will never understand why, because when you feel this insurmountable doubt you knew what her power looks like.
That's what makes her so special.
05/01/2020
2020 : Concretizar
Começou um novo ano e como já é tradição fiz algumas listas que me vão servir como base para o planeamento do meu ano - não fosse eu a louca das listas para tudo e mais alguma coisa. Estas listas ajudam-me a visualizar melhor como posso incluir na minha rotina diária o que pretendo alcançar e/ou melhorar, de modo a que não se torne uma sobrecarga, seja um processo agradável e me sinta satisfeita no final.
Hábitos de Leitura - Quero ler mais que o ano passado e mesmo que ache que não tenho tempo, há sempre uns minutos que posso aproveitar para ler. Portanto vou começar, outra vez, a levar livros comigo para qualquer lado que vá. A meta para este ano é ler no mínimo 1 livro por mês. (Podem acompanhar as minhas leituras por aqui!)
Dizer Não e Sim - Tenho sempre muito receio de dizer que Não em diversas situações e acabo por dizer que Sim a tudo o que me pedem. Mas este ano quero mudar isso e dizer mais vezes que "Não", quando realmente não quiser, sem medo de represálias. E em contrapartida dizer mais vezes "Sim" às oportunidades que surgirem mesmo que tenha medo de arriscar.
Estimular a Criatividade - Tenho sentido necessidade de cultivar a minha criatividade, experimentar novas maneiras de me expressar e fazer conteúdo. E principalmente sinto falta de fotografar, por isso vou investir em algum material fotográfico e criar, nem que seja só pela diversão de o fazer.
Meditação - o ano passado experimentei pela primeira vez meditação e gostei do resultado que teve em mim. Acalma-me e mantêm-me calma durante alguns dias. E como é disso que preciso vou meditar 2 vezes por semana, no mínimo.
Beber Água - bebo pouca água ou quase nenhuma e o facto de me hidratar mal afecta substancialmente o meu organismo o que não me permite ser totalmente saudável. Assim sendo vou tentar beber cerca de 1,5 litro de água ao dia. Chá sem açúcar também conta como água, porque eu sei que não vou aguentar beber tanta água só por si - vamos ser realistas já do princípio.
Arriscar na Cozinha - sou um pesadelo na cozinha. Sei o básico: fritar ovos, arroz branco ou com qualquer coisa, bifes grelhados ou fritos, qualquer carne estufada, massa e pouco mais. Sendo que a minha maior especialidade é massa à bolonhesa - podem-se rir que eu também me estou a rir. E claro, não há quem aguente comer sempre o mesmo e portanto estou determinada a aprender umas receitas novas este ano para variar um pouco mais os pratos. (É que nem doces consigo fazer, sai sempre tudo mal).
Viajar - todos os anos viajar faz parte das minhas metas, nem sempre é possível, mas todos os anos insisto porque é o melhor remédio para a minha alma. Liberta-me. Este ano gostava de viajar com amigos, mas se não for possível ter companhia estou tentada a ir sozinha.
Língua Nova - gostava de aprender uma nova língua como Francês ou Italiano. São duas línguas que me fascinam desde sempre e cativam a minha atenção de uma forma que não sei explicar. Sempre foi um desejo aprender a falar uma destas línguas só pela estima que lhes tenho.
Insistir e Não Desistir - à cerca de 5 anos atrás tive uma ideia que se transformou num sonho que não consigo parar de pensar e tentar torná-lo realidade. É algo óbvio para a pessoa que sou, difícil de criar no sentido de ser um desafio constante, mas que não é impossível tornar visível. Ainda não consigo dizê-lo em voz alta porque sinto que dá azar, ainda assim penso que nem quando for material vou acreditar que é real. Este ano foi feito para concretizar sonhos e eu acredito que o meu possa fazer parte desse nicho de sonhos em vias de concretização.
30/12/2019
O meu 2019
O meu 2019 foi uma montanha russa cheia de altos e baixos, de adrenalina à flor da pele e aventuras em formato de quebra cabeças. Este ano permitiu-me concretizar alguns objetivos, poucos, mas principalmente foi o ano que mais me pôs à prova tanto pessoalmente como espiritualmente. Não foi um ano de sucessos infindáveis nem de sonhos concretizados, no entanto, foi um ano que me trouxe muito em poucas ações. Um ano que apesar de tudo me deixa feliz por me mostrar que perder ou não chegar onde se pretende por vezes é melhor que ganhar, porque o nosso caminho nem sempre passa pelo que idealizamos para nós e sinto-me grata pelo destino estar do meu lado. Foi um ano de lutas, muito trabalho, alguns sorrisos, decisões difíceis mas valiosas, amizades, independência e reencontros.
E como os episódios positivos da vida é que nos permitem criar e guardar memórias, aqui vos deixo as minhas boas recordações do meu 2019:
JANEIRO
- Fui ver o Cirque du Soleil
FEVEREIRO
- Alterei a "imagem" do blog
- Experimentei meditação
- Fui ao cinema (diversas vezes)
MAIO
- Decidi começar a caminhar para fazer algum exercício físico (o entusiasmo durou pouco tempo)
- Investi num novo portátil
- Novo corte de cabelo (passei a ter franja e gostei)
JUNHO
- Comecei a fazer voluntariado
JULHO
- Fiz uma maratona de filmes (que planeava ver à imenso tempo, mas nunca conseguia)
- Fui ao Quizz com amigos (e torná-mos a repetir porque foi divertidíssimo!)
- Vi um concerto ao vivo da banda "American Authors"
SETEMBRO
- Passei tempo de qualidade com os meus amigos
- Remodelei o meu quarto
- O meu aniversário
- Arranjei um segundo emprego
DEZEMBRO
- Jantares de Natal
- Tirei uns dias para descansar, relaxar e cuidar de mim
Para o novo ano que está prestes a chegar quero concretizar sonhos e viver de alma livre, quero conhecer e aprender tudo o que for possível e a vida me permitir. Quero dizer mais vezes que Não sem medo e que Sim também, às oportunidades que surgirem. Quero tudo muito e espero que 2020 também o queira porque estou pronta para fazer de todos os dias uma nova festa.
Um ótimo 2020 para todos vocês que me continuam a acompanhar e um obrigada cheio de gratidão pelo apoio que me dão. Que 2020 vos faça felizes, vos traga sucesso e acima de tudo muito amor!
20/12/2019
Libertar-me para 2020
Talvez ainda seja cedo demais, pelo menos para algumas pessoas porque ainda nem chegou o dia de natal, mas para mim esta é a altura ideal do ano para fazer uma retrospectiva do mesmo. Gosto de o fazer com tempo para que seja um processo natural, fluído e poder dar espaço para que as lembranças e memórias surjam a seu ritmo. Permitir-me fazer esta retrospectiva faz-me perceber que a vida é feita, acima de tudo, de resiliência para com os outros mas principalmente para connosco porque a vida é uma aceitação contínua. No entanto, como não considero possível fazer todo este processo num só dia este ano decidi torná-lo um pouco diferente tornando-o mais prático e visível. Com isto quero dizer que criei uma lista de tópicos dos quais vou preencher ao longo dos dias até ao final do ano de acordo com o que vou revivendo. E como o bom disto é adquirir boas energias para começar o novo ano em cheio de mente limpa e perceber o quão positivo foi o nosso ano, tento ao máximo não dar importância aos episódios negativos, no entanto não considero que devam ser totalmente ignorados, sendo que ao invés de encaminhar os meus pensamentos para a ocasião negativa prefiro pensar sobre o que de bom acabou por trazer à minha vida.
Os tópicos são os seguintes:
- O que ainda tenho por fazer para começar um novo ano em sintonia
- Que lições de vida aprendi este ano
- O que consegui
- O que quero / preciso de mudar
- Quais os meus sonhos a partir deste momento
17/11/2019
she wore wild flowers in her hair
Abrandar o tempo devia ser um poder humano tão natural como a capacidade inevitável de pensar a todo o instante. Seria como prolongar o impactante lado da vida e o fútil também não seria excepção, mas apenas por dentro do nosso olhar como se fosse uma filmagem em câmara lenta gravada no íntimo da nossa alma. O olhar seria sereno, sem que nada conseguisse interromper a fixação que imponha em si, dentro do mundo paralelo que estimava juntamente com a vivacidade que se estancia no ritmo do quotidiano. Um feito de calmaria, atenção ao pormenor, alegrias que acalmam e dores que ensinam. Enquanto do outro apenas nos restam maratonas que por vezes nem damos por o tempo passar.
Seria como viver memórias instantâneas e momentâneas, os sentimentos seriam tão intensos que seriamos capazes de os sentir até ao âmago do nosso estômago. Em simultâneo tudo se via e viva de igual forma, como se nada fosse. Seria como se os pensamentos se transformassem em imagens que passam por flashs. E se dermos conta seriamos mundos com dois mundos paralelos dentro do nosso próprio globo. Se os pensamentos chegam a ser aborrecidos, mas compensam com as suas cantigas malandras que mais parecem ninfas que nos mudam as ideias e nos empurram para a luz. Poder viver a ver com olhos interiores teria tanto de bom como de mau, mas certo é que seríamos pessoas mais tolerantes com o outro.
06/09/2019
vinte e três
Não acredito que a passagem de ano seja o fechar de um ciclo e o começo de outro, mas sinto essa oportunidade de recomeço uma vez por ano no dia do meu aniversário.
Ontem completei mais um ano de vida e ainda nem acredito que já estou nos 23, além de não aparentar - o que é questionável - também não sinto que os tenha. O que sinto realmente é que o tempo passa rápido demais. E não foi apenas este ano, mas todos os outros anos anteriores dão-me esta sensação de rapidez meio incomodativa que me faz questionar se estou a aproveitar o meu tempo ou se estou apenas a deixá-lo passar.
Não gosto de fazer anos porque a ideia de completar mais um ano de vida está descontextualizada e subvalorizada nesse sentido. A celebração do marco de nascimento não é apenas mais um número que acrescentamos à nossa sobrevivência como motivo para organizar uma festa. Tudo certo se quiserem festejar a vossa existência, mas é muito mais para além disso.
Esta passagem, para mim, é uma celebração interior onde o que importa é o meu estado de espírito, as minhas perspectivas e ideias sobre o que me rodeia, os valores que me movem e os sonhos/objetivos que mantêm entusiasmada ao acordar e me quebram a monotonia da rotina. Não é um número que irá espelhar o meu estado de espírito, nem a roupa que usarei para a festa que representará o meu olhar sobre o Mundo, muito menos a festa em si me vai fazer acreditar ainda mais que sou capaz de concretizar os meus sonhos.
Sempre que faço anos sinto emergência em refletir sobre a minha essência para perceber quem fui, em que fase me encontro atualmente e onde quero chegar. Esta reflexão permite conhecer-me, aceitar-me e valorizar-me pelo que sou genuinamente. Permitir-me que me conheça tão bem é o melhor festejo que posso oferecer a mim mesma num dia que é um bocadinho mais meu que todos os outros dias.
É fascinante perceber os obstáculos que ultrapassei, os objetivos que atingi e os sonhos que concretizei, o quanto evolui emocionalmente e o quanto aprendi num espaço de tempo de 1 ano sem me ter apercebido disso. E se no ínicio tinha dúvidas em relação ao meu tempo estar ou não a ser bem aproveitado, deixo de as ter. É importante refletirmos sobre as nossas conquistas, porque quando achamos que estamos a ir demasiado devagar em relação ao tempo, temos a surpresa de perceber que afinal era só uma ilusão.
Todos nós temos o nosso tempo, abraça-o!
04/09/2019
i wish i knew you when i was young
Descobri esta banda de rock americana hoje e não estou a conseguir ouvir mais nada, nem parar de ouvi-la. A sensação de encontrar novas bandas/músicas que nos cativam tanto quanto esta me está a prender é tão boa que só queria todos os dias poder descobrir algo que não conhecia. Hoje sinto-me um pouco mais culta e em mim.
Já conheciam os "The Revivalists"?
23/06/2019
ensaios de amor

Existe magia em todo o lado
e é possível ser vista por quem quiser.
Só não acontece em todas as pessoas
ao mesmo tempo.
É preciso acreditar!
Não são apenas truques de ilusão,
como estamos tão habituados que seja.
Também pode ser real ou físico em simultâneo.
Palpável ou imaginária,
o mais importante para a sentir,
como se fosse um abraço casa
é ter fé na sua existência
(seja em alguém a cada segundo
ou em cada passo que nos cruza).
E num desses dias o sortudo serás tu ou até eu.
O dia não é certo mas é certo que ele vem.
Mas...
Quando chegares,
Não me leves a conhecer outros lugares.
Leva-me a ver a tua casa,
a conhecer o teu bairro,
e a visitar a tua família.
(Ou a recordar para não esquecer).
Chega-me saber quem eras antes de mim.
O que vier depois será música de fundo a alegrar os meus dias.
Porque a tua magia será sempre a tua história.
11/05/2019
desabafos: bloqueio criativo

Os pensamentos vivem que nem um terramoto em mim. Essencialmente em dias como este que a minha voz não se consegue fazer ouvir, que não se consegue expressar, que não consegue fazer sentir a sua vibração no coração alheio. Tenho tanto que quero partilhar, tanto que quero poder exteriorizar da minha mente hermética para palavras, mas não consigo fazê-lo. Passam semanas desde que este bloqueio assolapado decidiu chegar para ficar e com isto todos os começos me soam ridículos, tal e qual como o de agora.
Não me falta vontade de libertar a tensão vinda de ideias que se vão acumulando aos poucos. No entanto o bloqueio parece aumentar a cada ideia nova que tenta iluminar o meu problema e com isto a cada novo pensamento a ideia vai-se tornando um pouco mais inútil.
Cada vez que tento a intenção está no sítio certo, o rascunho nem de perto e as ideias são muitas mas não falam. Só quero gritar. E grito mesmo. Grito na esperança que alguma poesia saia por engano ou de um tropeço.
E com isto, contento-me com frases que me surgem aleatoriamente no meio da tempestade dos meus pensamentos, durante os meus últimos dias, nos momentos menos oportunos.
26/04/2019
1+3: situação de coragem

Acho que nunca tive nenhum ato de coragem em particular, pelo menos nenhum que seja marcante o suficiente para ser lembrado para o resto da vida. Para mim, tomar decisões importantes que tenham peso no nosso rumo são por si só pequenos atos de coragem. Talvez não devesse ser assim por transpareça, aparentemente, insegurança ou possivelmente signifique incerteza. Mas quero acreditar que questionar o propósito das nossas escolhas faz parte de um processo planeado e pensado ao pormenor. E não sinónimo de uma dúvida constante. Porque sempre vi o propósito de questionar como mecanismo de evolução pessoal, como uma espécie de metamorfose que se ao percebermos o grau de importância da sua existência e/ou valor a nossa sabedoria cresce mais um pouco. Somos mais compostos intelectualmente a cada resposta que encontramos para as nossas questões e é por isto que para mim dizer um sim ou um não, ou mesmo escolher a opção mais certa implica coragem, estamos a acrescentar-nos um pouco mais a cada segundo que passa - vivemos a contra relógio com a pressão de tentarmos passar pelo tempo sem darmos por ele passar por nós.
Para mim coragem é uma maneira diferente de dizer e mostrar que acreditamos em nós mesmo que por vezes as escolhas que tomamos não nos levem a lado nenhum.
09/04/2019
insónias

Insónias são tão chatas como belas,
tão dolorosas como tempo.
Vejo-as chegar ao baterem-me à porta
e suspiro apenas.
O capricho torna-se novo a cada noite,
e o tempo vazio torna-se útil à necessidade.
Não vejo como o negar,
dormir acalma a alma
tanto como abolir com a insatisfação instalada.
E as insónias são o melhor remédio para as minhas preocupações.
As insónias tornaram-se na rotina mais repetida
e a minha sanidade mental.
Vivo delas como se o tempo estivesse para acabar
porque o mistério da noite clarifica as incertezas que vêm de dia.
A luz fortifica a pessoa que sou,
mas a noite alimenta a alma que vivo.
Sou da noite pelas estrelas e pelas insónias.
Pela lucidez que me recolhe
na estranheza que não vê,
mas que me acolhe como sua filha.
26/03/2019
apaziguar o ego

Não gosto de funerais,
não é que a morte me faça espécie,
muito pelo contrário
nunca fui de grandes medos.
Mas se há ocasião que não me move são funerais,
não é a cerimónia que é descabida
Ou algo que se possa categorizar,
por norma são as pessoas
que me lembram o motivo pelo qual evito ir.
Há sempre quem chore a falta de alguém,
quem a sinta e quem a negue.
Há quem passe de visita
e deixe flores.
Mas também há quem queira fazer-se mostrar
para mais tarde poder cobrar.
Há quem se destine por respeito à família
e aos amigos,
É o que dizem ou será o peso da obrigação a empurrar?
Enquanto há quem celebre o seu propósito,
há quem ache que a cerimónia é para os vivos
para apaziguar o próprio ego.
Há quem se limite a ver do lado de fora
enquanto falam da vida que levou
e muitos nem o nome lhe sabem.
Há ainda quem tema não ter nada para lembrar amanhã,
e quem amanhã nem se lembre da sua existência.
Não gosto de funerais
porque ir a funerais é um ato de egoísmo.
As pessoas não vão com o propósito de demonstrar o amor que lhe têm,
vão reclamar o amor que deixaram de poder receber.
Se reconhecer fosse a sorte que puderam ter,
talvez não evitasse ir a funerais.
12/02/2019
livros em segunda mão

Nos tempos que correm tem-se vindo a abordar mais o assunto da sustentabilidade do planeta e é cada vez mais evidente a necessidade de reduzirmos o consumismo. E portanto o que não falta pela internet são maneiras de combater o nosso instinto consumista, mas é importante sabermos filtrar bem o que lemos porque a diminuição do consumo também implica outras alterações a nível da economia mundial. A meu ver o importante nesta luta para a sobrevivência do nosso planeta consiste em fazermos compras mais conscientes e realmente necessárias ao invés de comprarmos só porque sim para depois ficar guardado numa gaveta ou prateleira qualquer em casa sem lhe darmos uso.
O importante é percebermos o que nos faz falta e apenas consumir isso mesmo, e não cortar tudo só porque vai ser mais sustentável para o planeta. Acho que não é necessário sermos extremistas a esse ponto porque se todos fizermos esta mudança de sermos mais cuidadosos com o que consumimos, pode parecer não fazer diferença, mas na totalidade é uma mudança em massa significativa. Para além da redução consciente do consumo e da reciclagem, que já é feita em grande quantidade, é preciso não esquecer da reutilização. Antes de comprarmos seja o que for, mesmo após termos feito a reflexão: "será que preciso mesmo disto?", devemos procurar nas nossas coisas e ver se conseguimos dar uma segunda vida a algo que já nem utilizávamos e até estávamos a pensar por para o lixo. Isto porque, muitas vezes estes artigos que achamos que já não servem ou não satisfazem as nossas necessidades dão para ser adaptados e transformados para cobrirem outras funções. Basta deixarmos a imaginação trabalhar. E mesmo que deixem de ser totalmente inúteis para nós, podem ser bastante úteis para alguém.
Costumo dizer que o problema não está propriamente no consumo, mas na quantidade de vezes que o utilizamos ou vidas que damos ao produto. E portanto como prefiro ter um livro na mão ao ler do que utilizar a possibilidade ebook, decidi começar a comprar livros em segunda mão. Isto porque enquanto tentava perceber qual era o meu maior consumo e como o podia diminuir - é um dos mesmo grandes objetivos para 2019 -, percebi que os livros eram dos produtos que mais consumia. Apesar de acabar por ler mais do que uma vez os livros que compro, o preço relativamente ao número de utilização é pouco sustentável. E sejamos honestos, o importante para mim é poder ter um livro na mão e se juntamente a isso puder fazer parte do movimento a favor da sustentabilidade e fazer alguma diferença no mundo (por muito pequena que seja) ainda melhor. Até agora posso-vos dizer que a minha experiência tem sido fantástica, nunca tive nenhuma razão de queixa. Os livros quando me chegam ás mãos estão sempre em ótimo estado como se fossem novos e acabados de comprar. Alguns ainda têm aquele cheirinho a novo quando o desfolhamos - gosto tanto! E melhor que o binómio qualidade-preço - sim porque também são bem mais baratos e conseguimos comprar dois ou três livros pelo preço de um novinho em folha -, é mesmo a sensação de felicidade com que fico por permitir que aquele livro possa coleccionar novas histórias. E quem gosta de livros como eu, sabe o quanto um livro pode significar e quantas histórias pode guardar sobre a nossa própria vida. A mim ainda me custa desfazer-me dos meus livros, mas a ideia de poder partilhar as minhas próprias histórias com alguém e dar a possibilidade que alguém junte as suas para mais tarde poder partilhar com mais alguém, é como um sonho bonito que não consigo parar de pensar. Ainda não me sinto totalmente preparada para o fazer, mas assim que me conseguir libertar vou deixar fluir esta magia e permitir que alguém queira adoptar alguns dos meus livros.
NOTA: sempre que venderem um livro vosso a alguém deixem um bilhete escrito com a sua história e vão ver que fará toda a diferença!
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