Todos os dias há alguém no mundo que se queixa do quanto a vida está a ser injusta consigo, do quanto se sente triste porque os motivos que a faziam sentir feliz já não existem mais (pelo menos não da maneira como pretendiam ou conseguem ver), do quanto sente falta de sentir amor ou qualquer outro sentimento que a traga de volta à corrida (quando o amor maior que devia ter era por si). Todos acabamos, eventualmente, por passar por esses mesmos dias em que imploramos que a realidade não seja tão dura connosco. Sentimo-nos injustiçados de tal ordem que mesmo quem não acredita em Deus é capaz de cometer a injuria de pedir por um milagre. É normal sentirmos que perdemos o controlo da nossa vida de vez em quando, porque a verdade é que nunca o tivemos, nem nunca o teremos, a diferença é que na maioria dos outros dias estamos demasiado ocupados para nos apercebermos disso. Os dias vão passando na ilusão de acharmos que sabemos o que estamos a fazer, que andamos a cumprir a agenda previamente planeada, que estamos no controlo, mas a vida está apenas a fluir sob os nossos dias. Sem dramas. E percebemos isso quando acabamos por fazer algo que não nos apetece mas tem mesmo que ser feito ou adiamos algo porque não é isso que a vontade está a pedir ao nosso corpo e acabamos por ceder ao pedido que o nosso corpo nos faz. Deixar fluir a corrente é mais favorável que insistir num controlo ilusório. A humanidade deixou de acreditar no destino e na energia do seu caminho porque é mais fácil acreditar em planos que são certos, perspicazes e que pouco nos desiludem. Este é o nosso grande problema. E o que nos engana mais é acharmos que os planos que fazemos são nossos, que vêm de nós. As vontades são nossas se as virmos à superfície, ainda assim não passam de formas de expressarmos quem somos. E ser é uma matéria concreta que não podemos alterar quando queremos (pelo menos a nossa essência), é obra do destino do que nos calhou na rifa. E se o destino é que nos controla como podemos achar que controlamos seja o que for? Como podemos descredibilizar o destino como o fazemos? Deixá-lo de lado é o mesmo que não acreditarmos na nossa vida, no nosso futuro, na felicidade. Todavia, a vida é feita de espelhos que nos permitem dar sinais e sugestões a quem está no comando. Apenas recebemos o que acreditamos. Se vivermos a queixar-nos do que não temos ou deixámos de ter, a mudança que tanto pretendemos para sair do buraco nunca vai chegar. Ao contrário, se acreditarmos que somos capazes de fazer melhor, a vida deixa de ser tão radical. A vida é complexa mas não tem de ser difícil, é tudo uma questão de perspetiva. Acredita naquilo que queres ver, e verás.
02/05/2020
life is a mirror
Todos os dias há alguém no mundo que se queixa do quanto a vida está a ser injusta consigo, do quanto se sente triste porque os motivos que a faziam sentir feliz já não existem mais (pelo menos não da maneira como pretendiam ou conseguem ver), do quanto sente falta de sentir amor ou qualquer outro sentimento que a traga de volta à corrida (quando o amor maior que devia ter era por si). Todos acabamos, eventualmente, por passar por esses mesmos dias em que imploramos que a realidade não seja tão dura connosco. Sentimo-nos injustiçados de tal ordem que mesmo quem não acredita em Deus é capaz de cometer a injuria de pedir por um milagre. É normal sentirmos que perdemos o controlo da nossa vida de vez em quando, porque a verdade é que nunca o tivemos, nem nunca o teremos, a diferença é que na maioria dos outros dias estamos demasiado ocupados para nos apercebermos disso. Os dias vão passando na ilusão de acharmos que sabemos o que estamos a fazer, que andamos a cumprir a agenda previamente planeada, que estamos no controlo, mas a vida está apenas a fluir sob os nossos dias. Sem dramas. E percebemos isso quando acabamos por fazer algo que não nos apetece mas tem mesmo que ser feito ou adiamos algo porque não é isso que a vontade está a pedir ao nosso corpo e acabamos por ceder ao pedido que o nosso corpo nos faz. Deixar fluir a corrente é mais favorável que insistir num controlo ilusório. A humanidade deixou de acreditar no destino e na energia do seu caminho porque é mais fácil acreditar em planos que são certos, perspicazes e que pouco nos desiludem. Este é o nosso grande problema. E o que nos engana mais é acharmos que os planos que fazemos são nossos, que vêm de nós. As vontades são nossas se as virmos à superfície, ainda assim não passam de formas de expressarmos quem somos. E ser é uma matéria concreta que não podemos alterar quando queremos (pelo menos a nossa essência), é obra do destino do que nos calhou na rifa. E se o destino é que nos controla como podemos achar que controlamos seja o que for? Como podemos descredibilizar o destino como o fazemos? Deixá-lo de lado é o mesmo que não acreditarmos na nossa vida, no nosso futuro, na felicidade. Todavia, a vida é feita de espelhos que nos permitem dar sinais e sugestões a quem está no comando. Apenas recebemos o que acreditamos. Se vivermos a queixar-nos do que não temos ou deixámos de ter, a mudança que tanto pretendemos para sair do buraco nunca vai chegar. Ao contrário, se acreditarmos que somos capazes de fazer melhor, a vida deixa de ser tão radical. A vida é complexa mas não tem de ser difícil, é tudo uma questão de perspetiva. Acredita naquilo que queres ver, e verás.
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Adorei a publicação por inteiro, mas retiro e subscrevo esta frase por ser, talvez, um dos meus maiores lemas na vida: «deixar fluir a corrente é mais favorável que insistir num controlo ilusório»!
ResponderEliminarAcho que passa muito pelo acreditar. Em nós, nos planos, nos sonhos. Claro que não é sempre fácil, mas temos de nos saber agarrar a alguma coisa, não é? Então uma das melhores coisas é mesmo não nos queixarmos tanto e irmos aceitando tudo ao seu ritmo.
Beijinho