
A disciplina de Língua Portuguesa nunca foi a minha disciplina favorita. Sempre fui mais virada para as ciências e portanto na altura Físico-Química fazia de mim uma criança feliz. Vou deixar-vos mesmo aqui logo de começo um twist engraçado - quando entrei para o secundário afinal percebi que só gostava mesmo era de Química. A parte da Física deixava-me de cabelos em pé sempre que tinha que estudar. Voltando no tempo, eu era uma aluna mediana alta. Tirava boas notas mas não era a melhor aluna da turma, era interessada mas não ao ponto de participar ativamente nas aulas às perguntas feitas pelos professores. E ao contrário de muitas crianças, que gostavam de ir à escola, mas detestavam ir às aulas "porque era uma seca", eu era aquela que fugia à regra nesse sentido. Apesar de adorar os tempos livres dos intervalos e as horas infinitas que era o tempo de almoço para conviver com os amigos, também gostava igualmente de estudar e ir às aulas.
Sempre que um adulto nos perguntava se gostávamos de estudar todos negavam menos eu. Mas sempre achei que era normal, apesar de muitas das vezes me dizerem "Tu não és normal!". Tínhamos apenas gostos diferentes. Na minha cabeça era tudo muito simples porque até quando chegava a meio das férias de verão tinha a sensação de saudades de estudar. Se me perguntassem se gostava de fazer testes é que já era outra questão à qual formei uma opinião muito própria desde muito cedo - o ensino em Portugal não é dos piores, mas em termos de métodos de avaliação como processo de aprendizagem e processamento dos conteúdos estamos muito aquém daquilo que é importante. Isto porque os meios de avaliação escrita são nada mais nada menos que um teste à nossa memória, enquanto deveria ser um teste aos nossos conhecimentos. E por isso é que não me sentia confortável sempre que tinha um teste para fazer. Não é que odiasse mas deixavam-me exageradamente nervosa ao ponto de ter falhas de memória.
No que se referia a teste de Língua Portuguesa o pior era o último grupo de avaliação - a composição -, e não era por o limite de palavras ser muito ou pouco, nem por nenhum outro limite que nos eram dado, mas pelos temas horríveis que não cabiam na ideia de ninguém. Fazia sempre a composição a custo e nunca conseguia ter mais do que 50% do valor do que aquele grupo valia. Como já era uma constante já me tinha consciencializado que no exame do 9º ano não iria conseguir melhor.
O dia do exame tinha chegado. Estava pior que o costume, parecia uma pilha de nervos e nada me fazia acalmar. A primeira questão que vi, lembro-me como se tivesse sido ontem, foi o tema da composição e após ter respondido a todos os grupos anteriores do exame, fiz o meu rascunho da composição - era sempre a aluna que perdia tempo a fazer rascunhos e depois passava tudo direitinho para a folha de teste porque não gostava de ver tudo rasurado, quem é que também o fazia? - e passei satisfatoriamente para a folha. Senti que tinha corrido bem e que era a melhor resposta que alguma vês tinha dado num teste daquele tipo.
Ao sair do exame a nossa professora respondia-nos sempre a todas as questões que quiséssemos sobre a avaliação para termos noção do que fizemos e pedi-lhe que desse a sua opinião sobre o que escrevi na minha composição. O tema era darmos a nossa opinião sobre o Projeto LER+, o que até era interessante para variar. E foi ao ver o ar de espanto da minha professora ao terminar de ler a minha composição de exame, em 2010, e o meu sorriso com que terminei de escrever a composição que percebi que afinal gostava de escrever. Gostava de ter guardado o meu primeiro texto a sério, mas na altura não me ocorreu que um dia gostava de recordá-lo. E para ser sincera não percebi perante o momento especial em que me encontrava. Só uns dias mais tarde é que percebi, mas já tinha deitado a folha fora. O momento ficou e para mim isso é o mais importante. Até porque não é todos os dias que descobrimos mistérios destes sobre nós. E por incrível que pareça, existem frases dessa mesma composição que, hoje em dia, ainda me lembro que eram parte do que tinha escrito.
Também acho que descobri através das composições a português. Apesar de, ao contrário de ti, eu sempre ter adorado português. Ps. Isto está bonito por aqui!
ResponderEliminarNo secundário comecei a gostar muito mais de português, apesar de que Química sempre foi a minha disciplina favorita desde sempre! Obrigada por teres ajudado a que este cantinho ficasse desta maneira!
EliminarÉ sempre fantástico ter consciência destas descobertas *-*
ResponderEliminarPor acaso, sempre adorei escrever. E Português era a minha disciplina favorita. Era - e sou - muito feliz entre palavras
As palavras são sem dúvida uma ótima companhia, fazem-nos sentir e dão-nos um conforto equiparável!
Eliminaré tão bom quando temos consciência disso as palavras ou frases por vezes dizem muito
ResponderEliminarRêtro Vintage Maggie | Facebook | Instagram
São essas palavras e frases que me lembram sempre do quanto gosto de escrever quando quase me esqueço de arranjar um tempinho na minha agenda para o fazer!
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