
Aveiro, 1 de Setembro de 2018
Escrevo-te esta carta na esperança de um dia receber resposta em carta registada e carimbada com selo azul - será bom saber a pressa que tinhas em me escrever, em me fazer saber que existes. Quando a receber não vou saber qual foi o meu dia de sorte e esse é o problema de ir ao correio uma vez por semana. Mas desde à uns anos que assim o é porque receber correspondência pode ser tão emocionante como deprimente e cada vez mais se tornou num sacrifício. Das duas uma, ou tenho o correio cheio de folhetos de publicidade que me fazem lembrar o dinheiro que não tenho para comprar aquilo que preciso ou contas para pagar que me acabam com o pouco das poupanças que me restam ao final do mês, que tento guardar por uma questão de precaução - não sobra nada. E para matar os males que me aborrecem o espírito, sujeito-me a pagar pequenos preços - raramente. Mas quando mandar a publicidade para o lixo, colocar as contas no cesto das dívidas e vir que a excepção assustadora contém um selo azul, vou dançar com a minha alma como se estivesse dentro do meu corpo. Vou jantar e lê-la enquanto sugo estrelas e como a lua.
Vou desejar não te conhecer para te reconhecer pelas palavras que me escreveste, para poder encontra-las descritas nos teus olhos quando olharem para mim e nas tuas mãos trémulas que lutam para saber se podem ou não tocar-me, abraçarem-me. Eu vou saber quem és, pelo simples facto de quem nos rodeia, não nos conhecer e saber que estamos juntos, porque até quem me vir na fila do pão vai saber que te amo. Acredito em milagres e maravilhas no mundo porque Deus e o destino quiseram que o nosso amor se unisse num só e não consigo perceber como algo tão complexo se consegue construir sozinho desta forma. Porque não consegue, só podia existir a força de algo tão superior, para se ver presenciar o que é inexplicável. E como há quem não acredite em milagres como eu acredito - tu. Há quem não entenda a adrenalina que sinto quando ouço o teu nome e há quem nunca tenha sentido a pulsação acelerada com que fico quando vejo o rosto da pessoa que amo a aproximar-se de mim. É complicado saber explicar-te o que sinto quando ainda não te conheço, quando ainda nem sei quais são os teus gostos e se as coisas que me vão enervar um bocadinho de vez em quando, vão ser as mesmas que me vão fazer rir nas vezes que não me enervarem. Não sei se vamos fazer muita coisa juntos, mas sempre sonhei que um dia podíamos ser o tipo de pessoas que transparecem luz genuína. Ainda havemos de conversar sobre os planos que tens para o futuro, se é que tiveste tempo para pensar em alguma coisa ou se vamos levar um dia de cada vez na esperança que as emoções nos tragam leveza a um futuro imprevisível - e quem é que nunca quis um amor leve que nem uma pena. Não sei também se um dia vamos ter filhos ou se será muito cedo para falar do assunto (mas fica a saber que falar de filhos para mim nunca é cedo, é sempre uma miragem bonita), se vamos casar ou se nunca vai fazer parte dos nossos planos por não acreditares em Deus. Se vamos viver numa moradia de dois andares e com piscina ou numa casa rés do chão como sinal de poucos sonhos. Se vamos ter segredos ou se a nossa vida quando vivermos juntos irá transformar-se num livro aberto após uma longa conversa às duas da manhã a observar as estrelas, a falar sobre as nossas vidas individuais antes de nos conhecermos e a comer pipocas em cima do telhado. Se os abraços irão ser para dar à noite e os beijos durante o dia como se fosse uma rotina casual como aspirar a casa e limpar o pó ao fim de semana porque durante a semana não há tempo e porque dizem ser o dia de limpezas só porque dizem que o é. Hoje ainda não sei muita coisa, mas no dia em que apareces vou ter resposta a todas as perguntas que vou fazendo e guardando.
Com amor,
a rapariga que vive nos teus sonhos.
Que texto tão lindo! Adorei a leveza das palavras e as descrições tão realistas :)
ResponderEliminarKiss, Mariana Dezolt
Messy Hair, Don’t Care ♡
Que elogio tão bom! Obrigada Mariana!
EliminarAhhhhhhh que cute. É tão bom estarmos apaixonados, principalmente quando até na fila do pão o reconhecem!
ResponderEliminarTão giro!
ResponderEliminarParabéns, adorei!
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