A história amor-ódio que tenho pelos livros

Os livros e tudo o que envolve-se ler para mim, em criança, era sinónimo de sacrifício e de tempo desperdiçado. Sempre que era obrigada a ler sentia-me dentro de um filme de terror e para que conste e fique mais explicito o quanto é comparável - abomino filmes de terror porque me despertam um medo terrível e um espectro de ansiedade que nunca mais acaba (durante até dois dias depois de o filme já ter terminado, no mínimo). E não existia sentimentos ou situação que representa-se tão bem os meus sentimentos pelos livros como os filmes de terror. Eu abominava igualmente ler porque não me deixavam aproveitar os dias com os meus amigos e saber que isso poderia acontecer provocava-me ansiedade antecipada - era horrível. 

Não sou dos casos que sempre gostou de ler desde pouca idade, eu posso afirmar profundamente que odiava ler, com todas as letras. Mas com o tempo e muito devido à escola e às fichas de leitura que eram uma das componentes de avaliação obrigatórias em Língua Portuguesa, por incrível que pareça, comecei a encontrar alguns pequenos detalhes nos livros, na leitura e na aprendizagem posterior à leitura que me faziam pensar e isso agradava-me. Se bem que muitas das vezes as fichas de leitura foram forjadas pelo meu ego e pela minha pouca vontade de me submeter a dias a encarar um livro por horas - usava quase sempre livros que outras pessoas já tinham lido e que conheciam bem a história e respondia ás perguntas consoante o que me diziam (não sei se me alegre ou chore ao dizer isto, mas nunca fui apanhada ou deixaram-me achar que não).


Assim que entrei para o secundário, a minha vida mudou bastante, comecei a ficar mais apreensiva a situações preocupantes e problemas que existiam pelo mundo - via mais vezes o telejornal, reportagens e comecei até a ler jornais. Desenvolvi interesse em temas que me faziam questionar a mim mesma, como por exemplo o universo, o comportamento do ser humano, o porquê de termos determinados pensamentos em diferentes situações. E todas estas questões que me surgiam com os conhecimentos que ia adquirindo desencadearam uma enorme vontade de querer saber mais acerca dos temas que me despertavam curiosidade e me inquietavam. Consequentemente deparei-me com a necessidade de ler mais artigos científicos e livros que me abriram as portas para um mundo maravilho que desconhecia e considerava entediante.

Outro motivo que me levou a ler mais foi a escrita. Isto porque para podermos escrever temos de saber acerca do que vamos escrever e saber como o vamos fazer. Mas primeiro que tudo temos de encontrar o nosso estilo e acho que não há nada melhor, nem de errado em nos inspirarmos noutras pessoas. Os temas que mais gostarmos de ler, o tipo de enredo que mais nos despertar sentimentos, é sem dúvida o estilo com que mais nos identificamos e mais nos identifica como pessoa. No entanto, é essencial, quando se estão a tentar encontrar a nível de escrita, experimentarem vários tipos de leituras para conseguirem perceber quem realmente são quando se trata de palavras. Após a finalização do processo de procura de identidade é igualmente importante aprofundarem os vossos próprios traços para poderem colocar na vossa escrita algo muito vosso que grite sempre pelo vosso nome. É certo que nenhum livro vos mostra como encontrar os vossos traços como faz com o vosso estilo literário, mas indirectamente encaminha-nos no sentido de nos conhecermos melhor a nós próprios e acho que isso, por si só, se torna um ajuda formidável em todo o processo.

Quanto a mim, posso-vos dizer que já encontrei muito de mim neste processo formidável, mas é um processo longo e longe de estar finalizado. Nunca pensei vir a saber tanto quanto aprendi com os livros e muito menos pensei que vinha a ser uma devoradora de livros constante. É bom saber que estamos em constante mudança, adaptação e aprendizagem, porque sem isto acho que não seriamos tão felizes - amanhã não seremos iguais a hoje porque procuramos constantemente a felicidade. E a felicidade é isso mesmo mantermo-nos em constante movimento por algum motivo ou algum objetivo.

2 comentários

  1. Eu percebo-te! Na altura da escola também não via a leitura com tão boa cara. Foi mais tarde que ganhei o amor por ela e agora é algo que gosto mesmo muito de fazer!
    Beijinhos, www.thefancycats.pt

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  2. Acho que percebo-te. Ás vezes sinto o mesmo :)
    Já estou a segui, beijinho.

    http://diaryofalittlebee.blogspot.com/

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