WORDS CAN'T EXPRESS EVERYTHING


As palavras escapam e sempre enganam. E eu que nunca fui de muitas palavras, embora viva de conversas em folhas brancas, esferográfica na alma e sentimentos à flor da pele, o encanto das palavras sempre me conseguiu dar a volta à cabeça. Grito. E peço que gritem também. Comigo ou sozinhos. Mas Gritem. Atropelem os sentidos e a alma, sem deixar vestígios de tentativas falhadas, de bocas trémulas que sem saberem o que dizem vão aclamando aos ventos o rumo certo debruçado sob os medos que marcam a alma pejada de nós bastardos. E respirem o sufoco do ar poluído pelas vozes arrastadas de uma humanidade saturada do vazio da impossibilidade de conjugar o verbo "ser" e "poder", em livre arbítrio. E gritem novamente.

A luz cega-nos, a escuridão da noite ainda mais. E nós deixamos que nos controlem as capacidades, os desejos e as virtudes. Gritem. Gritem contra isso, não deixem que vos amarrem as mãos, nem vos atem os braços. Não deixem que vos calem com falácias embebidas em bolas de neve como na política. E tentem mesmo que os custo doem como choques diretos à alma.

Em tentativas falhadas de encontrar o meu pulso dentro dos batimentos que estremecem a minha lucidez, cerro as mãos para que não me vejam de pensamentos cheios. E escrevo rascunhos sórdidos sobre a plenitude da vida e ovnis. A alma foge-me por dias e tende a chegar por humildes noites. Não insisto em águas calmas quando ao meu redor as pessoas correm atrapalhadas por vidas pouco demoradas, abafadas nas suas hipocrisia mínimas, e entre esperas e vindas, de tudo o que não espero, de dores e amores, continuo a escrever sobre os oceanos e o universo paralelo. De olhos cansados, sentada no chão esbaforida de ver futuros mortos à nascença, coloco no caderno um ponto e uma vírgula dia sim, dia não. Se todos soubéssemos o quanto as palavras correm brutas e cruas por todos as quinas, a liberdade da vida estaria na conjugação do verbo "abraçar", "incluir" e "criar", ao invés de se resumir ao verbo "tentar".

6 comentários

  1. Identifico-me tanto com a segunda frase do texto.
    Ai rapariga, tu escreves tão bem, se um dia escreveres um livro, eu vou comprar, de certeza!
    Beijinhos
    Blog: Life of Cherry

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    Respostas
    1. Um dia vou escrever o livro, um dia!
      Obrigada Cherry!

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  2. Adorei o texto! Tens muito talento com as palavras, tens de investir mesmo nisto! :)
    Beijinho* http://www.fine-alchemy.blogspot.pt

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  3. Tentar custa mesmo às vezes, mas é isso, há que gritar!

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  4. Que texto tão lindo! Tens imenso jeito, parabéns!
    Beijinho, Ana Rita*
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