1+3 : Uma Peça de Roupa & A Verdade Escondida

Na indústria da moda, por detrás de todo o lado bonito que se vê nas lojas e nos permite sentir bem na nossa própria pele, existe um lado muito negro e que a humanidade tende a esconder não falando acerca do assunto , ignorando simplesmente que existem graves problemas sociais e ambientais - trabalho explorador, desperdício, destruição do ambiente, entre muitas outras lacunas -, para que a moda seja sustentável e corresponda às expectativas de uma população consumista. 

No entanto a culpa não é apenas da sociedade que compra desmedidamente em lojas de mass-market, é também destas lojas que todas as semanas lançam colecções novas e indirectamente obrigam a população a comprar para estarem na moda. Todo este processo torna-se num mecanismo de roda viva negativo, visto que quanto maior for a produção, maior será o consumo. O que maioria das pessoas não sabe ou não quer ver é que, com isto existem cerca de 75 milhões de pessoas que trabalham escondidos todo o dia em fábricas nas regiões mais pobre até o sol desaparecer, para a criação de roupas para o mercado global e que estas mesmas pessoas trabalham em condições sem higiene e com salários baixos (humanamente não permitidos), para podermos ter um monte de trapos dentro do nosso guarda-roupa.

O mais desonesto de tudo isto é que após a saída das roupas destas fábricas, são postas à venda por preços que os próprios que as produziram não são capazes de comprar, devido à pobreza extrema incapaz de sustentar as suas necessidades básicas e ainda, devido aos preços elevados. Sim elevados. Porque se compararmos o binómio qualidade-preço, encontramos um desfalque brutal. Além de consumirmos produtos que influenciam à exploração humana e à poluição ambiental, somos constantemente enganados porque consumimos produtos de baixa qualidade - o barato nestas lojas é sinónimo de baixa qualidade a nível dos tecidos e ainda maior exploração dos trabalhadores. A mão de obra é infantil na maioria dos casos por ser mais lucrativa, mas também existem caso de famílias inteiras a trabalharem nestes locais miseráveis. Para não falar da quantidade de químicos tóxicos que as roupas contém por não serem cumpridas as normas relativamente ao uso de metais pesados na criação dos produtos. As fast-fashion continuam sem cumprir com o acordo estabelecido e estão-se a borrifar para a saúde da população. Mas como é algo que não vem escrito nas etiquetas é um assunto que a população no geral desconhece e não sabe o quanto coloca a sua vida em perigo ao consumirem algo tão simples e fútil. E se algo que usamos nos faz mal à saúde, imagem o mal que faz às pessoas que as estão a produzir.

Devido à má qualidade dos produtos e à criação permanente de novos produtos, consequentemente compra-se mais, porque as roupas ficam estragadas com maior facilidade e em pouco tempo ou mal se dá uso a uma peça e esta já se encontra fora de moda porque já existem outras mais atuais. Só consigo resumir toda a frase anterior numa palavra: desperdício. E o que penso a seguir é: para que é que aqueles trabalhadores sofreram tanto? Deitamos tanta roupa fora só porque já não está na moda, ou porque já está estragada ou mesmo porque já não gostamos, e o pior é que todo o desperdício também polui - estas roupas são compostas por fibras sintéticas à base de petróleo, o que demora milhares de anos a se decomporem.

Ainda assim, contra mim falo porque ainda consumo alguns produtos de lojas fast-fashion, no entanto é um assunto que me chama atenção e me desperta bastante preocupação. E portanto um dos meus maiores objetivos é conseguir deixar de comprar produtos neste tipo de infraestruturas e passar a comprar produtos de marcas com compromisso sustentável, visto que têm um papel activo no desperdício, não promovem a exploração dos trabalhadores e os preços começam a ser acessíveis a toda a população.

A meu ver, acho que todos devemos começar a comprar com mais consciência (e com isto não digo deixarem de comprar totalmente, mas pelo menos reduzir o número de peças que compram por mês), procurando produtos amigos do ambiente (e nossos também). Porque se todos fizermos a nossa parte e boicotarmos este processo, que vai contra os direitos humanos e as leis da sustentabilidade, as marcas de fast-fashion começam a sentir a necessidade de se adaptarem para poderem ter receita positiva e são, consequentemente, obrigadas a ter que mudar os seus métodos de produção. Assim estaremos a ajudar uma população a conquistar novas condições de trabalho e de vida.

Poder olhar para o meu roupeiro e ver que de certa forma estou a ajudar a mudar algumas injustiças do mundo deixa-me mais feliz e concretizada, e essas são as minhas peças de roupa favoritas, porque não há nada melhor que sentirmos que podemos mudar o mundo de alguém.

4 comentários

  1. Este post deu-me alguma vergonha, confesso. Embora ande a tentar melhorar alguns comportamentos em relação ao ambiente/sociedade em geral, ainda não me tinha debruçado sobre este assunto, e reconheço que, tal como a maioria das pessoas, tenho tido uma atitude pouco consciente e desperta para esta situação! Obrigada pela tua chamada de atenção :)

    Beijinhos,

    Daniela

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  2. Admito que também compro fast-fashion e tento ter atenção a isso, mas por vezes falho!
    https://opequenogirassol.blogspot.com/

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  3. Sinto-me horrorizada ao pensar que a nossa sociedade moderna não impeça uma coisa destas. Seres humanos estão a ser explorados para outros andarem bem vestidos (salvo seja, que as roupas são de fraca qualidade).
    Infelizmente, ainda compro fast-fashion, mas estou a tentar reduzir o meu consumo.
    Beijinhos
    Blog: Life of Cherry

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  4. Inês.
    Gostei muito de sua reflexão sobre este tema do projeto.
    Algumas vezes eu me policio para não comprar roupas desesperadamente.

    Abraço.

    AnaVi

    filhadejose.blogspot.com

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