Último sol de Agosto

Talvez eu tivesse apenas medo
E talvez tu apenas quisesses tentar a todo o custo.
Ou talvez eu visse desafogo na oportunidade que nunca tiveste,
Receio no amor que nunca sentiste,
Que nunca admitiste,
Mas o conforto sempre te trouxe mais que o chão que querias.
Os rastos igualavam-se em perspetivas distintas
E o chão unia-se apenas em conversas paralelas.
Era incerto,
E banal.
Não te via, mas o mundo sempre teve razão de ser
Só não percebia porquê…
Corrias e caminhavas nas linhas que via como destino,
Mas os teus pés traçavam caminho diferente aos do teu rosto.
Sentia-me confusa e o medo continuava em mim,
E eu nele…
O vício não parava
aumentava
demolia-me e paralisava-me.
Tentavas de novo e eu continuava a não perceber o que fazia.
Perdemos,
Perdi-me,
Perdeste por me teres perdido…
E talvez nos tivéssemos perdido um no outro,
Em qualquer noite,
Se não nos tivéssemos perdido antes.
Talvez o medo que tinha era o reflexo do que sentias,
Talvez o conforto que achava que querias era o receio que realmente eu tinha.

7 comentários

  1. Tão bonito! Esta forma de poesia tão leve mas, ao mesmo tempo, tão profunda.

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  2. que lindo nês, como sempre <3 e obrigada pelas boas vindas *

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  3. Inês é tão bom ouvir isso de ti que escreves tão bem. Eu sim admiro a tua escrita <3

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  4. Exato! Às vezes criamos estes muros à nossa volta e usamo-los como desculpas para não fazermos o que realmente queremos. Acho que é um bocadinho com a nossa força de vontade que o vamos destruindo aos poucos!

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